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Polícia faz roubos à mão armada

Autoridades vigiavam os indivíduos e prenderam-nos em flagrante. Suspeito é agente da PSP do Porto e estava a fazer curso de subchefe.
25 de Janeiro de 2010 às 00:30
Polícia faz roubos à mão armada
Polícia faz roubos à mão armada

Um agente da PSP do Porto, que actualmente frequentava o curso de subchefes em Torres Novas, foi ontem detido pelos investigadores da Polícia Judiciária de Braga, quando fazia um assalto à mão armada num armazém de roupa, em Gualtar, Braga. O polícia fazia parte de um gang composto por mais dois indivíduos e estava a ser investigado há vários meses.

Segundo o CM apurou, o agente policial terá actuado encapuzado – tal como os indivíduos que o acompanhavam – e ameaçou com armas os indivíduos que se encontravam no interior do armazém. Os ladrões foram surpreendidos no momento do roubo, já que na altura estavam a ser fortemente vigiados pelos elementos da Judiciária.

Os investigadores apuraram depois que um deles faz parte da PSP e que está afecto ao Comando do Porto. Actualmente encontrava-se a fazer um curso para aceder a um cargo de chefia.

Ainda segundo informações recolhidas pelo CM, o agente será suspeito de outros roubos igualmente violentos. Foi levado para os calabouços da Polícia Judiciária de Braga, depois de ter sido interrogado. Hoje, deverá ser presente ao Tribunal de Instrução Criminal da mesma cidade, para aplicação das medidas de coacção.

Quanto ao produto do roubo, tudo indica que o grupo pretendia apoderar-se de material contrafeito. Tratar-se-ia de um armazém que guarda vestuário de legalidade duvidosa, o que terá levado o agente da PSP a admitir que as vítimas também não apresentariam queixa. Na altura da detenção foram-lhe apreendidas as armas que usavam.

A operação da PJ e a detenção em flagrante delito aconteceu durante a madrugada e obrigou a um forte dispositivo policial na zona, que acordou os vizinhos mais próximos. 'Vi um grande aparato, mas não sei de nada', foi a resposta de um morador nas imediações que não quis falar mais do assunto.

Aliás, foi esta a atitude da maioria dos moradores da rua da Estrada Nova 162, em Gualtar, uma zona relativamente isolada e onde existe muitas prostituição. Alguns esboçaram apenas sorrisos entre o silêncio. Outros comentaram vagamente o assalto que pareceu não incomodar muito os habitantes da zona.

'Houve lá qualquer coisa, mas não me meto da vida dos outros. Parece que já está tudo resolvido pela polícia', disse um morador, visivelmente irritado com as perguntas sobre a operação policial.

PORMENORES

ALARMES

A fachada da casa tem várias placas visíveis com os dísticos de uma empresa de segurança. Sinaliza que é um alarme e que está ligado. Não se sabe se foi accionado durante o assalto travado pela operação da Polícia Judiciária.

VIDROS PARTIDOS

Durante do dia de ontem, os responsáveis pelo armazém de roupa não estiveram contactáveis. No edifício, as portadas tinham alguns vidros partidos e havia uma janela aberta. Eram os únicos aparentes indícios de que ali tinha havido um assalto.

CASA NÃO REVELA

O armazém de roupa funciona no casarão à beira da estrada nova 162, em Gualtar, à saída de Braga. Não tem qualquer indicação da actividade . Aparenta ser apenas uma grande casa, onde não se vislumbra nenhuma roupa, a não ser a que está a secar no estendal da varanda. Sabe-se apenas que quem lá mora alugou a casa a um homem que ficou recentemente viúvo. Os vizinhos não deram muitas indicações sobre os novos moradores da casa de dois pisos.

'É INACEITÁVEL QUE UM AGENTE SEJA CRIMINOSO': Paulo Rodrigues Presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia

Correio da Manhã – Como é que reage ao caso de um agente da PSP ter sido detido por assalto à mão armada?

Paulo Rodrigues – É inaceitável. Os polícias têm como missão combater o crime e não praticá--lo. Qualquer elemento da PSP que o faça não tem condições para continuar na instituição. O que espero é que, em casos destes, seja punido com a expulsão. A par do processo jurídico, haverá um inquérito interno e a hierarquia não terá outra punição que não seja esta. Assim o espero.

– O que pode justificar um polícia envolver-se no crime?

– Nada pode justificar actos criminosos, mesmo que sejam coisas pequenas. Claro que os polícia ganham mal, mas essa nunca pode ser desculpa para praticar crimes. Há muita gente que também ganha mal e não faz assaltos. E um polícia tem ainda maiores responsabilidades porque é pago para combater o crime.

– É uma má imagem para a PSP?

– Não. É mais um caso isolado e não pode pôr em causa o trabalho dos outros polícias: 99 por cento dos agentes são profissionais íntegros e fazem um bom trabalho no combate ao crime. Não podem ser prejudicados por um polícia que faz asneira. É claro que um caso destes deixa-nos preocupados e atinge a nossa imagem, mas há maus profissionais em todas as profissões.

– Não merecerá qualquer tipo de apoio da ASPP?

– Em casos comprovados como este não há solidariedade dos colegas sérios. O que a ASPP deseja e exige da tutela é que todos os polícias que pratiquem actos criminosos sejam banidos.

INSPECTOR DA PJ ESPIÃO POR CONTA PRÓPRIA

Um inspector do Departamento Central de Prevenção e Apoio Tecnológico (DCPAT), uma espécie de ‘secreta’ da PJ, bem como quatro agentes da PSP, foram detidos por fazerem trabalho de espionagem para escritórios de detectives. E o objectivo era só um: complementar os baixos ordenados. O inspector da Polícia Judiciária usava mesmo equipamentos tecnológicos da própria PJ para fazer este trabalho. Duas noites de vigilância poderiam render-lhes 400 euros.

POLÍCIAS DÃO 'BANHADA' EM 10 KG DE OURO

Três agentes da PSP integraram um grupo de dez elementos que deu uma ‘banhada’ numa compra de dez quilos de ouro. Em Março de 2009, um empresário esperava receber 200 mil euros em notas pelo material, numa troca que iria ser efectuada no McDonald’s de Massamá. Acabou algemado, sequestrado, agredido e depois abandonado no parque de Monsanto. Do grupo de ladrões faziam parte os polícias Bruno Baptista, Jorge Pelica e Fernando Monserrate.

PSP MATA EX-CUNHADO E ATIRA-O DE RAVINA

Mário Ferreira, 27 anos, agente da PSP da Brandoa, Amadora, começou a ser julgado no passado dia 7, acusado de ter assassinado, em 2008, à pancada, dentro de casa, o ex-cunhado. Depois, terá colocado o corpo da vítima na bagageira do carro, atirando a viatura em chamas na serra de Montejunto, para uma ravina com mais de 70 metros de altura. Perante este cenário, o agente da PSP é ainda acusado do crime de profanação de cadáver, o mesmo acontecendo com a sua irmã (ex-mulher da vítima).

A investigação demorou aproximadamente seis meses, mas exames laboratoriais permitiram chegar até ao agente da PSP, que terá confessado o crime aos inspectores da Secção de Homicídios da Judiciária durante o interrogatório.

TRAFICAVA COCAÍNA E HEROÍNA

Um agente da PSP das Capelas, na Ilha de São Miguel, Açores, foi condenado a cinco anos de prisão efectiva, acusado de tráfico de cocaína, heroína e haxixe naquela região. O agente integrava um grupo de traficantes, tendo sido condenados mais seis elementos, enquanto três foram absolvidos. Segundo as autoridades, eram os próprios indivíduos que estabeleciam o preço da droga, consoante a escassez ou a abundância, bem como o nível de pureza da mesma.

AGENTE EM GANG DE EXTORSÃO

Após uma denúncia anónima, um agente da PSP, que integrava uma esquadra da zona de Lisboa, foi detido em flagrante delito, em Outubro de 2008, por colegas, acusado de extorsão a várias pessoas. O agente agia com mais três pessoas, com idades entre os 25 e 37 anos. O gang foi ainda acusado de posse das seguintes arma ilegais: um revólver Magnum calibre .357; uma arma de alarme adaptada a 6,35 mm; uma arma eléctrica atordoante e dois sprays de defesa.

NOTAS

IGAI: VAI INVESTIGAR

O crime cometido pelo agente da PSP, que pode ser punido com prisão preventiva, vai ser investigado autonomamente pela Inspecção-Geral da Administração Interna

POLÍCIA: É AGRAVANTE 

O facto de ser tratar de um polícia, que tem como missão proteger a lei, poderá ser entendido como uma agravante e fazer aumentar em 1/3 a moldura penal do crime de roubo

CADEIA: PRISÃO ESPECIAL

Os agentes da PSP podem ficar em preventiva numa cadeia especificamente feita para polícias. O objectivo é evitar serem alvo de represálias de indivíduos que prenderam em serviço

 

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