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Povo tenta linchar suspeita

Absolvida por falta de provas, esteve uma hora impedida de sair do tribunal após a sentença.
23 de Abril de 2010 às 00:30
Maria da Graça David (à direita) entrou no tribunal como suspeita da morte de Luís Leitão, mas acabou absolvida e foi alvo da ira popular
Maria da Graça David (à direita) entrou no tribunal como suspeita da morte de Luís Leitão, mas acabou absolvida e foi alvo da ira popular FOTO: José Paiva

Uma mulher de Manteigas acusada de ter assassinado o marido, desfazendo-se do cadáver – que nunca foi encontrado, bem como a arma do crime –, foi ontem absolvida pelo Tribunal da Guarda. A decisão gerou a revolta da população e motivou várias tentativas de agressão à arguida.

'Assassina! Assassina!', foi uma das palavras gritadas por uma parte das cinquenta pessoas que assistiram à absolvição de Maria da Graça David, de 59 anos, acusada de ter matado o marido, Luís Almeida Leitão, de 55 anos, em 2005.

Mesmo sem corpo ou a arma do crime, a PJ concluiu no ano passado uma investigação de quatro anos e indiciou a mulher pelos crime de homicídio qualificado e profanação de cadáver.

Perante a revolta popular, sobretudo de familiares e amigos da vítima, que ameaçavam partir para a violência, a arguida foi retirada da sala de audiências pelos advogados e funcionários judiciais, para o rés-do--chão do tribunal. À entrada do edifício, dezenas de populares aguardaram pela saída de Maria da Graça David, que apenas saiu passada uma hora e depois de a PSP ter feito uma manobra de diversão.

ACUSAÇÃO NÃO CONSEGUIU PROVAR SEQUER SE HÁ MORTE

O tribunal absolveu Maria da Graça David por falta de provas. A juíza-presidente, Olga Maciel, explicou que 'as provas produzidas em julgamento e as periciais não lograram provar os factos da acusação'. O colectivo concluiu que 'nada de relevante' foi apurado 'para dar como provada a morte e a participação da arguida nessa morte'. O procurador da República, Augusto Isidoro, tinha pedido 'uma pena próxima da máxima', e defendeu que a jurisprudência nestes casos 'permite a condenação na base da convicção'. O advogado da arguida, Rui Mendes, disse que 'contava' com a decisão do tribunal, 'porque do ponto de vista jurídico e penal a única decisão sustentável era a absolvição, por insuficiência de provas'.

PORMENORES

SEPARADOS

A mulher estava separada do marido desde 2001, embora residissem na mesma habitação, mas em andares diferentes.

SANGUE EM CASA

As marcas de sapatos da arguida detectadas sobre sangue, no interior da habitação, não chegaram para convencer o tribunal.

INVESTIGAÇÃO

Nem a investigação nem as provas levadas a julgamento conseguiram determinar que objecto foi usado pelo suposto agressor ou agressores.

'TODA A GENTE SABE QUE FOI ELA QUE FEZ O SERVIÇO'

A população mostrou a sua discórdia com a decisão e revoltou-se também frente ao tribunal. 'Não há justiça em Portugal! É maior crime roubar que matar. A Justiça está para os assassinos!', exclamavam algumas pessoas. 'Estou revoltada', disse ao CM Susana Leitão, sobrinha de Luís Almeida Leitão, afirmando que 'toda a gente sabe que foi ela (a arguida) que fez o serviço'. 'Não acredito na inocência, estou com muita revolta', adiantou. Isabel Serra, próxima da família, acentuava: 'Toda a gente sabe que ela sempre foi toda a vida uma pessoa reles.' Uma outra familiar gritava: 'O pecado do Luís foi ter casado com esta assassina, senão ainda hoje estava vivo.' Maria da Graça David nunca chegou a estar presa preventivamente e negou sempre qualquer envolvimento no suposto homicídio.

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