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Prender Rendeiro foi equacionado

A detenção de João Rendeiro e condução ao juiz de instrução para promover a prisão preventiva do banqueiro foi um cenário analisado pela investigação. O Correio da Manhã sabe que essa hipótese acabou por ser descartada depois de analisada a rotina de João Rendeiro e após os investigadores terem concluído não haver perigo de fuga.
7 de Junho de 2009 às 02:00
João Rendeiro à saída da assembleia geral da Privado Holding, dona do Banco Privado Português
João Rendeiro à saída da assembleia geral da Privado Holding, dona do Banco Privado Português FOTO: Tiago Petinga/Lusa

A investigação do inquérito está centrada na recuperação dos milhões que estão em contas em 'offshores virtuais', na expressão de uma fonte judicial. Estas contas terão sido movimentadas nos últimos dias por alguns dos suspeitos, que têm em sua posse procurações para o fazer. A titularidade das contas é encapotada pelas procurações, que são o verdadeiro instrumento de movimentação do dinheiro.

O CM sabe que seguiram também pedidos de informação (cartas rogatórias) para alguns países, mas os investigadores não tencionam ficar reféns destas diligências, e querem concluir rapidamente o caso. Nas buscas realizadas na passada sexta-feira foi visado um universo de dinheiro que poderia chegar a 50 milhões de euros e, no essencial, 0s objectivos foram cumpridos. As contas-alvo eram movimentadas por João Rendeiro, Paulo Guichar e Salvador Fezas Vital, o núcleo-duro da anterior administração executiva do BPP.

Nesta fase foi atacado o património financeiro atribuído aos três suspeitos, mas os investigadores têm em sua posse uma vasta lista de outro tipo de bens que podem vir a ser arrestados. Rendeiro, tal como o CM revelou há três semanas, tem a casa da Quinta Patiño num paraíso fiscal situado no Delaware, EUA, mas possui outros imóveis em seu nome.

Em declarações à TVI, João Rendeiro negou que as contas congeladas sejam suas. 'Não tenho esses valores no BPP', afirmou aquele responsável, que negou também ter realizado qualquer acto com vista à dispersão do património, um dos argumentos invocados pela Procuradoria-Geral da República para fundamentar a decisão de apreensão dos bens dos ex-administradores do Banco Privado Português.

CLIENTES SERÃO RECEBIDOS EM BRUXELAS

Carlos Cardoso e Luciano Guimarães são os dois clientes do BPP que vão ser recebidos na próxima semana por Elemér Terták, director da unidade das Instituições Financeiras da Comissão Europeia. O objectivo desta visita é 'sensibilizar a Comissão Europeia para o problema que se vive em Portugal', para que esta 'ajude a resolver a situação em conjunto com as autoridades portuguesas', afirmou Carlos Cardoso ao CM.

Na opinião do cliente do BPP, o facto de a Comissão Europeia querer receber os clientes é já um sinal 'bastante positivo', uma vez que 'mostra alguma preocupação com aquilo que se está a passar em Portugal'.

PORMENORES

CARTA A JOSÉ SÓCRATES

Os clientes do BPP que ocuparam a sede em Lisboa entregaram ontem em São Bento uma carta a pedir uma audiência a Sócratese ao ministro das Finanças.

FUNDAÇÃO ELLIPSE

A Ellipse foi fundada por João Rendeiro em 2004, e desde a primeira hora teve o apoio do BPP. Possui actualmente 850 obras.

PRESIDENTE DA EPIS

João Rendeiro é o presidente da entidade de direito privado Empresários para a Integração Social (EPIS), que conta com o apoio do Ministério da Educação.

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