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Preso um suspeito da morte de polícia

Adolfo Ramirez Rosa, de 21 anos, português, um dos suspeitos de integrar o gang de assaltantes que no dia 11 assassinou a tiro de caçadeira o chefe Sérgio Martins, da PSP de Lagos, foi ontem de madrugada detido num acampamento cigano em Sevilha, de onde o grupo é originário e onde estará a procurar refúgio.
29 de Dezembro de 2005 às 13:00
Adolfo Ramirez Rosa, de 21 anos, foi detido num acampamento cigano nos arredores de Sevilha. É suspeito de pertencer ao gang de assaltantes que matou a tiro Sérgio Martins, chefe da PSP de Lagos, que os tentava deter à entrada da A22, no Algarve
Adolfo Ramirez Rosa, de 21 anos, foi detido num acampamento cigano nos arredores de Sevilha. É suspeito de pertencer ao gang de assaltantes que matou a tiro Sérgio Martins, chefe da PSP de Lagos, que os tentava deter à entrada da A22, no Algarve FOTO: d.r.
A detenção – efectuada pela Polícia Nacional espanhola – ocorreu na sequência de um ataque a tiro, anteontem à tarde, contra uma família cigana portuguesa, num acampamento em El Vacie, arredores da capital da Andaluzia, em que cinco pessoas ficaram feridas – entre eles três irmãos de Augusto Soares Anjos, ‘Pecas’, alegado líder do gang, e de Mário Anjos, também procurado pelo homicídio do polícia, ambos ainda a monte.
Segundo apurou o CM junto de fontes policiais, Adolfo Rosa era – à semelhança de outros quatro suspeitos de pertencer ao gang de assaltantes – alvo de um mandado europeu de busca e detenção. É considerado “muito perigoso” por andar frequentemente armado e ser protegido pela família. Um irmão, Ricardo Ramirez Rosa, fará também parte do grupo de assaltantes. A detenção de Adolfo, no entanto, ocorreu sem problemas, muito devido ao ‘musculado’ aparato policial montado pela polícia espanhola.
O ‘episódio’ que levou à prisão do suspeito teve lugar pelas 19h30 de anteontem no acampamento cigano de El Vacie. Uma barraca ocupada por uma família de origem portuguesa daquela etnia foi alvo de um ataque a tiros de caçadeira e revólver efectuado por quatro indivíduos que passaram, sem parar, num Mercedes. Ficaram feridas cinco pessoas, que estavam à porta da barraca: Juan Manuel Soares Anjos, de 30 anos; Francisco Soares Anjos, de 39; Delfina R. J., de 41 ( irmãos de ‘Pecas’ e Mário); Ignacio S., de 67; e Mário Felipe C.Q, de 23 anos.
Segundo fontes policiais espanholas, este ataque a tiro será um ajuste de contas entre duas famílias ciganas, originado pelo facto de uma delas se ter negado a esconder um dos procurados pelo homicídio do chefe Sérgio Martins. A família agressora morará num outro acampamento cigano de barracas em Sevilha, o Três Mil Viviendas. A polícia reforçou o policiamento nos dois bairros e nos hospitais temendo violentas represálias.
Francisco Soares Anjos também foi detido, já que sobre ele pendia um pedido de condução a tribunal. Não será suspeito de participação na morte do chefe da PSP de Lagos.
UM TIRO FATAL NA CABEÇA
Um tiro de caçadeira na cabeça matou Sérgio Martins, 49 anos, chefe da PSP de Lagos, no último dia 11. O disparo foi feito a três ou quatro metros da vítima, na primeira rotunda do Nó de Lagos da Via do Infante.
Duas patrulhas tentavam barrar o caminho aos dois carros em que fugia o gang, de pelo menos cinco elementos, com origem em Sevilha, Espanha. Após a tentativa de roubo de uma caixa multibanco em Vila do Bispo, os assaltantes passaram na barreira da PSP e reduziram a velocidade. Depois aceleraram de repente e contornaram o jipe da polícia pela berma. Aí, um deles atirou a matar.
PORMENORES
DESENTENDIMENTO
Fontes policiais consideram que os acontecimentos de anteontem mostram que o grupo de assaltantes está desunido, o que poderá facilitar a captura.
CONFIRMAÇÃO
O presidente da Câmara de Sevilha, Alfredo Monteseirín, confirmou que a polícia tem andado muito activa em El Vacie “em busca de uma pessoa que cometeu crimes fora do país”.
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