"Estou mesmo perto do templo de Shaolin. [...] Abraço, cuida do pai e da mãe por nós." A mensagem, escrita por Hugo numa página do Face Book (uma comunidade na internet, semelhante ao Hi5) é dirigida ao irmão Nuno.
Está datada de anteontem à noite, já a polémica sobre o e-mail que Hugo – primo de José Sócrates – enviara a Charles Smith estava no auge. Nuno e Hugo falaram horas antes por telefone, tendo o irmão mais velho dado conta ao seu familiar do teor do comunicado que seria lido pela advogada.
O pai – tio de Sócrates – assumiria então que o filho Hugo cometera um erro ao invocar o nome dele e do primo José Sócrates, quando tentava fazer um contrato de publicidade com o Freeport. Mas tentaram proteger Hugo da polémica. 'Falámos antes de redigir o comunicado. Ele conhecia o teor', disse Nuno ao CM.
Nuno confirmou ainda que o irmão está agora na China, há cerca de 15 dias, a fazer um curso de Marketing e Publicidade. 'Está no estrangeiro a tentar refazer a vida', disse também o pai, Júlio Monteiro.
O jovem, que se mantém incontactável, é ainda estudante de artes marciais. A mensagem enviada para o irmão dá conta disso mesmo. 'O nosso wushu [escola] é porreiro e o mestre [shifu] também... vou tentar tirar fotos e mandar', continua Hugo que parece alheio ao terramoto político que atingiu o primeiro-ministro e que tem no centro um e-mail que o próprio enviara em 2004.
FALHAS DE MEMÓRIA
As afirmações de Júlio Monteiro – que garantiu inicialmente ter promovido uma reunião entre José Sócrates e Charles Smith, a propósito da legalização do Freeport – são agora relativizadas pelos seus familiares.
O filho Nuno confirmou ao CM que o pai tem problemas de 'falha de memória', o que poderá indicar que a tese inicialmente apresentada não corresponde aos factos. Nuno protege assim o primo primeiro-ministro, já que aquele conta uma versão diferente. Na ultima conferência de imprensa, no passado sábado, José Sócrates confirmou que efectivamente reunira com os ingleses, mas garantiu que o encontro foi promovido pela Câmara de Alcochete. Mostrou-se também irritado por 'o filho do meu tio' usar o seu nome.
'DIGO QUE SOU PRIMO'
Fernando Morgado reside em Vale de Massada, Alijó, a poucos quilómetros de Vila Real. É também primo direito de José Sócrates, mas pelo lado do pai. 'Tenho muito orgulho de ser primo dele. E digo-o a toda a gente', afirma o actual candidato à gestão da Casa do Douro. 'Não tenho medo que a minha relação familiar me prejudique. E também não acredito que consigam afectar o meu primo. Deixem--nos em paz', pede.
GESTORES COM 4,65 MILHÕES
A abertura do Freeport de Alcochete, em 24 de Junho de 2004, permitiu aos gestores deste projecto encaixar, segundo um documento incluído no dossiê do processo, 'um bónus de 4,65 milhões de euros, cabendo a parte de leão – 1,6 milhões de euros – a Sean Collidge, presidente e CEO da Freeport plc.' O prémio terá sido obtido, precisa o documento, 'através de um engenhoso esquema de valorização do centro.'
O documento, assinado pela Associação de Logistas do Freeport, foi enviado à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR LVT) a 31 de Janeiro de 2007 e lança vários alertas sobre a situação daquele que foi anunciado como o maior outlet da Europa. Desde logo, os logistas frisaram que 'o primeiro grande erro da entidade gestora consistiu na abertura precipitada do centro em 24 de Junho de 2004, uma vez que estavam apenas abertos os cinemas, três restaurantes e cerca de 40 lojas.'
Por isso, frisam os logistas, 'desta forma, o primeiro grande afluxo de visitantes sentiu-se defraudado face às expectativas criadas.' Curioso é que o prémio dos gestores do Freeport é muito semelhante à verba de quatro milhões de euros que terá sido paga em ‘luvas’ a políticos e empresários, como contrapartida do licenciamento do projecto.
Com a denúncia, os logistas alertavam as autoridades para a 'situação calamitosa' do maior outlet da Europa. Os vinte milhões de visitantes anunciados ficaram sempre muito aquém da realidade: em 2005, quatro milhões de pessoas visitaram o centro, mas, em 2006, esse número caiu para três milhões.
QUEIXA POR VIOLAR O SEGREDO
Nuno, primo de José Sócrates, não esconde a irritação pelas constantes violações do segredo de Justiça. A sua indignação é dirigida ao Semanário ‘Sol’ e à jornalista Felícia Cabrita. 'Vamos avançar com uma queixa-crime por causa das violações do segredo de Justiça. Dias antes da busca já ela tinha falado com o meu pai e conhecia exactamente o teor da investigação. Há algo de estranho em tudo isto', garantiu o familiar de José Sócrates, filho de Júlio Monteiro, alvo das buscas policiais.
O alvo da fúria da família Monteiro é o Departamento Central de Investigação e Acção Penal. Nuno recusa-se a apontar suspeitos, mas o CM sabe que já terá entrado uma queixa na Procuradoria-Geral da República visando um magistrado.
Cândida Almeida, coordenadora do DCIAP, terá agora de gerir o melindre do caso e evitar que as próximas diligências venham a público. Em 2005, a violação do segredo, também no caso Freeport, acabou em tribunal com condenações.
FAMILIARES DAPOLÉMICA
SOUBE DAS 'LUVAS'
Júlio Monteiro garante que foi Charles Smith quem se queixou de que exigiam quatro milhões (já não sabe se de euros, se de escudos) para legalizarem o Freeport. Num comunicado lido anteontem pela sua advogada, o empresário garantia que apenas contara o desabafo ao sobrinho por achar a situação grave. Mas garantiu depois desconhecer se tinha havido ou não qualquer reunião.
PEDIU CONTRATO A SMITH
Hugo Monteiro enviou um e-mail a Charles Smith, em 2004. Pedia um contrato de publicidade e invocava o nome do pai e de José Sócrates, sugerindo contrapartidas por o empreendimento de Alcochete ter sido licenciado. Anteontem, em comunicado, o pai garantiu que Hugo teve resposta, mas que depois foi outra empresa que foi contratada. A Neurónio Criativo fechou ao fim de 18 meses.
MOMENTOS DIFÍCEIS
Nuno Monteiro tem optado por prestar esclarecimentos à Comunicação Social para proteger o pai que sofre de problemas neurológicos. Ao CM, Nuno garantiu que o irmão foi informado dos desenvolvimentos do caso e do teor do comunicado anteontem divulgado pela família. 'A minha família tem passado momento difíceis', disse Nuno ao CM. As relações com Sócrates deterioraram-se.
PORMENORES
PENA SUSPENSA
José Torrão foi condenado em pena suspensa, por violação do segredo de Justiça, no caso Freeport. Era inspector da PJ e terá entregue documento que apontava suspeitas contra José Sócrates ao semanário ‘Independente’
ÉPOCA ELEITORAL
A polémica Freeport veio a público em dois momentos distintos. Em comum teve a aproximação de um acto eleitoral. Em 2005, José Sócrates era candidato a primeiro-ministro. Agora, o caso regressa antes das eleições.
NOTAS
SILVA PEREIRA: CAMPANHA
O ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, enquadrou, dia 26, na SIC, este caso como de 'campanha negra' e que é preciso dar os esclarecimentos que importam
RENATO SAMPAIO: DECAPITAR PS
O líder do PS/Porto, Renato Sampaio, recusou usar ontem a palavra 'cabala', mas fala em 'central de intoxicação' e tentativa de 'decapitar a direcção do PS'
PCP: JERÓNIMO PEDE RAPIDEZ
O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu ontem a necessidade de uma 'investigação célere' no caso Freeport e para não haver 'condenações apriorísticas'
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