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Processos vão reabrir com depoimento

A colaboração que Carolina Salgado tem vindo a prestar à PJ desde há cerca de dois meses, segundo a TVI, permitirá reabrir alguns casos que o Ministério Público arquivou recentemente, por falta de provas, dois dos quais ligados aos árbitros Augusto Duarte e Martins dos Santos.
13 de Dezembro de 2006 às 13:00
O livro ‘Eu, Carolina’ não tem factos propriamente novos em relação a estes processos, mas a autora poderá trazer alguma nova luz quando for inquirida no DIAP do Porto, algo que certamente irá acontecer a breve prazo, face ao que acaba de publicar. Chegou a correr a informação de que isso iria ocorrer ainda ontem, mas isso foi desmentido de imediato.
A fuga de informação na PJ do Porto, que permitiu a evasão de Pinto da Costa antes das buscas em sua casa, é um dos casos sobre os quais surgem novas revelações. Carolina Salgado – que apresenta pormenores sobre o caso que, em princípio, são muito relevantes –, pode ajudar a tornar mais claro o que se passou. Também poderá fazer avançar as averiguações internas que o próprio ministro da Justiça anunciou que iriam ser abertas, quando o Correio da Manhã o revelou há algumas semanas.
O atentado contra Ricardo Bexiga, antigo deputado, ex-vereador da Câmara de Gondomar e presidente da concelhia do PS de Gondomar, é outra questão, já que havia uma queixa apresentada pelo próprio Bexiga.
Estes são os processos relatados no livro de Carolina Salgado. Há mais casos que poderão ser reabertos, só que a Polícia Judiciária não quer repetir as fugas de informação do passado, pelo que não se sabe ainda até que ponto irá nesta fase.
É muito possível que o processo venha a ser centralizado na capital, como aconteceu com o caso dos terrenos do Estádio do Dragão e a investigação criminal ao ex-presidente da Câmara do Porto Nuno Cardoso, que levou a buscas em sua casa.
Abrigada portuense chefiada por António Gomes, supervisionada pela coordenadora Edite Dias, é vista como impermeável a fugas de informação, mas há outros canais menos fiáveis.
BIOGRAFIA DESPORTIVA DE PINTO DA COSTA
Os 40 anos de Jorge Nuno Pinto da Costa como dirigente do FC Porto foram alvo de uma compilação em livro de autoria do jornalista Alfredo Barbosa, que vai ser lançado na sexta-feira, no jantar que anualmente é organizado pela associação Coração da Cidade.
O livro escrito pelo antigo jornalista de ‘A Bola’ aborda o percurso do presidente do FC Porto desde 1962, quando começou como dirigente dos ‘dragões’, com referências às várias funções que exerceu no clube e, apesar de conter alguns apontamentos de carácter pessoal, não refere qualquer passagem onde o caso ‘Apito Dourado’ seja citado.
Pinto da Costa vai estar presente no jantar da instituição de solidariedade social que auxilia os sem--abrigo, pela qual o dirigente portista nutre particular carinho, uma presença que já tem foros de tradição na época de Natal.
"ACUSAÇÕES SÃO ABSURDAS"
O presidente do FC Porto, Pinto da Costa, classificou ontem de “absurdas” as acusações da ex-companheira Carolina Salgado e esclareceu que só falará sobre o assunto no Tribunal. “É tão absurdo que nem desminto, não é necessário. No Tribunal falarei e direi tudo”, afirmou Pinto da Costa, arguido no processo de corrupção desportiva ‘Apito Dourado’ e alvo da antiga companheira no livro ‘Eu, Carolina’. A obra denuncia alegadas situações de corrupção desportiva, evasão fiscal, violação do segredo de justiça, agressões, perjúrio e fuga à Justiça.
INFORMAÇÕES ATENUAM PENA
O bastonário da Ordem dos Advogados, Rogério Alves, explicou ontem que “quem seja arguido e se disponha a colaborar na descoberta da verdade, fornecendo informações e dados que possam ajudar as autoridades de investigação a descobrir a verdade, têm compensações, que podem chegar à isenção e suspensão de pena”. Um dos exemplos sugeridos por Rogério Alves é “o tráfico de estupefacientes”. Admitindo a atenuação da pena, o bastonário salvaguarda, porém, que “o estatuto de arrependido não está previsto no Código Penal”.
DISCURSO INDIRECTO
- "Toda a gente está preocupada com a Justiça em Portugal." - Pinto Monteiro
- "Na quinta ou sexta-feira, a Procuradoria toma uma posição. É minha obrigação analisar tudo o que sejam indícios, é para isso que o Estado me paga. Ainda não acabei de ler [o livro de Carolina Salgado]." - Pinto Monteiro
- "O poder político, sempre tão zeloso na defesa dos direitos, liberdades e garantias, não foi capaz de transmitir uma palavra de apoio, de incentivo, de solidariedade aos elementos que conduziram a investigação deste caso [‘Apito Dourado’]." -António Cluny
- "Os casais quando se desentendem normalmente dizem coisas que talvez não devessem ser ditas. É sempre desagradável ver pessoas desavindas na praça pública a atingirem-se, como é o caso." - Valentim Loureiro
- "Isto é tudo tão absurdo que nem desminto. Em Tribunal é que falarei sobre tudo." - Pinto da Costa
- "Pinto da Costa não pode chutar para canto. Tem pelo menos de pedir desculpa aos sócios pelo dano que está a causar e dizer que em Tribunal vai clarificar tudo." - Miguel Sousa Tavares, TVI
- "Se fosse eu, demitia-me de presidente porque esperar pelo Tribunal são dois ou três anos." -
Idem

BEXIGA, ADVOGADO E POLÍTICO
Ricardo Bexiga, o advogado que foi vítima de um espancamento, à saída do seu escritório, no Porto, era um dos principais adversários do major Valentim Loureiro na Câmara Municipal de Gondomar. O ex-vereador disse ao CM que “não tinha conflitos com Pinto da Costa” e que só sabe da ligação do presidente do FCPorto à sua agressão através da conversa que manteve com Carolina Salgado e das revelações desta nos jornais e no livro. “Só pode ter a ver com o ‘Apito Dourado’”, embora Bexiga tivesse sido apenas ouvido em certa fase do processo.
Ricardo Manuel da Silva Monteiro Bexiga, de 46 anos, natural de Lisboa, viveu na infância em Gondomar e reside no Porto com a família.
Neste momento já não é autarca em Gondomar e, nas últimas eleições, já nem fez parte da lista do Partido Socialista. Tinha sido ele a defrontar Valentim Loureiro nas eleições de 2001 e, na altura, o major conseguiu maioria absoluta com mais do dobro dos votos. Causou estranheza que Bexiga tivesse sido afastado das listas do PS e, mais tarde, também das listas nas eleições para a Assembleia da República, onde tinha sido também deputado. Queixou-se mesmo de o Partido Socialista não o apoiar na cruzada contra Valentim Loureiro.
Hoje, Bexiga é vogal executivo do Instituto Nacional da Habitação (INH), tendo o pelouro da Delegação do Porto.
Ricardo Bexiga é licenciado em Direito pela Universidade Católica do Porto, exercendo mais na área do Direito Público, em especial no Administrativo, revelou ao CM. Neste momento, porém, não exerce a profissão, por força das suas funções no INH.
Confessa-se adepto do Sporting, mas foi ver o FC Porto vencer a final da Liga dos Campeões de Gelsenkirchen em 2004 porque, diz, o seu filho é adepto ferrenho do clube do Dragão.
"CREDIBILIDADE DELA DEPENDE DAS PROVAS"
Ricardo Bexiga contactou ontem à noite o Correio da Manhã com o objectivo de esclarecer algumas afirmações que lhe foram atribuídas. Diz que, ao contrário do que é publicado na nossa edição de ontem à pergunta “Acredita na versão de Carolina Salgado?” nunca respondeu dizendo que “se não acreditasse não estava aqui”. E que não disse ainda a seguinte frase: “Não tenho a menor dúvida de que vai confirmar tudo.”
Ricardo Bexiga esclarece que o sentido do que declarou é: “Acredito que da investigação irá ser esclarecido o que é verdade e o que é mentira neste livro.” Ricardo Bexiga acrescenta que “a credibilidade de Carolina Salgado fica dependente daquilo que ela conseguir provar com a ajuda da Justiça”.
"É UM CENÁRIO DE CASAL DESAVINDO"
Valentim Loureiro esteve ontem no Ministério Público de Gondomar (MP), para prestar esclarecimentos sobre um processo à margem do ‘Apito Dourado’. O major e o seu motorista foram convocados pelo MP por causa de uma multa por excesso de velocidade, no Verão passado, que resultou numa queixa por alegado excesso de zelo do agente em questão. O major terá entendido que não deveria ser autuado, por estar ao serviço da Câmara de Gondomar e estar a dirigir-se para um incêndio na zona.
“Não vim por causa do ‘Apito’. Sou presidente de câmara e, por vezes, a câmara tem problemas”, esclareceu. Contudo, à saída das instalações, comentou a polémica que envolve o livro da ex-companheira de Pinto da Costa. “É claramente um cenário de um casal desavindo. Lamento o que se está a passar”, afirmou. Valentim Loureiro aproveitou a ocasião para reiterar a sua inocência no caso ‘Apito Dourado’. “Não tenho consciência de ter cometido qualquer crime de que sou acusado”, sublinhou.
SEGURANÇAS SEM PROBLEMAS
POLÍCIA MUNICIPAL NO TERRENO
Não havia segurança especial ontem no Tribunal de Gondomar. A PSP não recebeu qualquer pedido e, assim, foi a Polícia Municipal a tratar do caso.
PINTO DA COSTA COM FRACO SÁLÁRIO
VENCIMENTO NÃO PAGA RENDA
De acordo com as declarações que prestou em tribunal, Pinto da Costa vive com 400 euros/mês. Não tem outros rendimentos. Paga mil euros/mês de renda de casa.
MAJOR E CAROLINA
"SÓ EM CERIMÓNIAS INSTITUCIONAIS"
“Sou muito amigo de Pinto da Costa e conheci a senhora em cerimónias. Nunca nos encontrámos com ela – eu e a minha mulher – em sítios privados”, diz o Major.
ESCUTAS A ANTÓNIO ARAÚJO
EMPRESÁRIO AJUDA
“Eu ajudo muito o presidente [Pinto da Costa] e você sabe disso!“ Conversa entre o empresário António Araújo e Luís Guilherme, em Fevereiro de 2004.
CAFÉ PARA VISITA INDESEJADA
AUGUSTO DUARTE EM CASA DE PRESIDENTE
Augusto Duarte em casa de presidente
No dia em que António Araújo apareceu em casa de Pinto da Costa com o árbitro Augusto Duarte, o presidente do Porto diz que não gostou. Mas serviu-lhe um café.
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