page view

Prostituía-se à frente dos filhos

Três crianças, de 1, 3 e 4 anos, foram retiradas aos pais, em Barcelos. A situação foi denunciada há um mês, mas a Protecção de Menores não agiu.

30 de outubro de 2010 às 00:30

Desde há vários meses que três crianças, de 1, 3 e 4 anos, acompanhavam os pais todos os dias até Barcelos e enquanto a mãe se prostituía, na beira da estrada, o pai e os filhos assistiam a tudo dentro do carro. Anteontem, depois de vários alertas, a Segurança Social, acompanhada pela GNR de Barcelos, retirou as três crianças ao casal.

O caso foi denunciado ao Tribunal de Menores há mais de um mês e encaminhado para a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco (CPCJ) de Barcelos, que o remeteu para a CPCJ de Braga, por se tratar de uma família residente naquele concelho. O processo esbarrou na burocracia e a Comissão sinalizou a família, mas não agiu.

As três crianças continuaram a acompanhar a mãe até ao local de "trabalho", onde permaneciam todo o dia, sem o mínimo de cuidados, a assistir à exploração sexual da mulher.

Anteontem, a GNR de Barcelos denunciou o caso à Linha de Emergência Social e esta interveio de imediato, acabando por levar os menores, um dos quais ainda bebé, com sinais evidentes de maus tratos.

O casal, ela brasileira e ele alemão, ambos com cerca de 30 anos, foram surpreendidos junto ao E.Leclerc, em Barcelinhos, Barcelos, onde costumavam parar. Enquanto a mulher se prostituía, na beira da estrada, o marido e os filhos assistiam ao corrupio dos clientes.

"As crianças passavam o dia dentro do carro, a ver a mãe sair com outros homens", disse ao CM uma das pessoas que denunciou a situação às autoridades.

A mesma testemunha, que não quer ser identificada, por temer retaliações, relatou que os menores evidenciavam sinais de maus tratos. "São umas crianças muito bonitas, mas muito maltratadas, com falta de cuidados, via-se que ninguém tomava conta delas", lamentou.

Os pais foram identificados pela GNR de Barcelos. Os três irmãos foram entregues a um Centro de Acolhimento Temporário, em Guimarães, onde vão permanecer enquanto o Tribunal de Menores dá andamento ao processo.

BUROCRACIA LIMITA ACTUAÇÃO DAS COMISSÕES

A actuação das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Risco (CPCJ) esbarra muitas vezes nos processos burocráticos. Quem o diz é Maria Teresa Ribeiro, presidente da CPCJ de Braga.

"Mesmo quando as situações estão sinalizadas, só podemos agir com o acordo dos pais, ou no caso de existir uma situação de emergência, que foi o que aconteceu neste caso", explicou ao CM a responsável.

As três crianças anteontem retiradas aos pais, em Barcelos, estavam sinalizadas pela CPCJ.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8