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Uma prostituta brasileira, que era muito requisitada pelos clientes porque aceitava praticar sexo sem preservativo, morreu infectada com o vírus da sida, em Viseu. As suas colegas de profissão afirmam que terá mantido relações nestas circunstâncias com um milhar de homens. O medo instalou-se no submundo da prostituição da região.
A mulher, V.C., de 32 anos, natural do Sul do Brasil, chegou a Portugal há nove anos. Fez um percurso semelhante a outras prostitutas para ganhar muito dinheiro em pouco tempo e acabou por instalar-se em Viseu. Há 15 dias morreu no Hospital de São Teotónio, infectada com o vírus da sida, causando uma onda de pânico junto de alguns homens, “porque era das mais pretendidas, precisamente por aceitar ‘transar’ sem camisinha”, como referiu ontem ao CM uma das suas colegas de profissão.
“Os clientes mantinham relações sexuais com ela quase sempre sem protecção”, afirma quem a conhecia, adiantando que “foram cerca de um milhar de homens” que, desconhecendo o seu estado de saúde, “fizeram questão de ‘ir’ com ela sem camisinha”.
Uma mulher da prostituição ‘abrigada’ (em apartamentos e vivendas) tem, em média, 1300 relações sexuais e factura 28 mil euros por ano, como revelou o nosso jornal no início do ano, com base num levantamento feito na Região Centro.
A brasileira, segundo apurámos, não usava preservativos porque lhe causavam “alergia” e “ferimentos na vagina”. E, sabendo-se no meio que não usava protecção, os clientes que querem sexo desprotegido rapidamente apareceram em grande número. Os dados disponíveis indicam que 15 por cento dos homens que recorrem a estas mulheres não usam preservativo. E, entre elas, 33 por cento aceitam algumas práticas sexuais sem protecção.
Agora, ninguém sabe quantos clientes foram contaminados (se foram) e a quantas pessoas transmitiram o vírus da doença, em casa ou em relações extraconjugais. É esta dúvida que ‘dói’ àqueles que contactaram sexualmente com V.C. e receiam receber a pior notícia, como confessam sob anonimato.
As próprias colegas de profissão optaram já por reforçar a segurança. “Nós sabemos que ela tinha muitos clientes. Agora, poderá haver por aí muitos homens contaminados e nós não sabemos. Sem preservativo não tenho relações sexuais com nenhum homem”, contou uma prostituta brasileira, que teve “contactos pontuais” com V.C.
A prostituta falecida – a ‘bela italiana’, como era conhecida devido às suas características físicas – repousa agora num cemitério de Viseu, porque a família não quis saber da transladação do corpo e de fazer o funeral no Brasil.
“Era muito pretendida pelos jovens. Havia noites em que estava sempre a sair com os clientes. Não tinha descanso”, referiu um frequentador de casas ligadas à prostituição. “Os homens aqui de Viseu são loucos. Querem sexo sem preservativo. Como quase só ela aceitava, todos a queriam”, adiantou uma colega da brasileira.
AUTORIDADES ESTUDAM MANEIRA DE AJUDAR
As autoridades de Saúde de Viseu estão a estudar a melhor forma de, “sem alarmismo”, ajudar aqueles que tiveram contactos sexuais com V.C. “O caso é sensível e terá de ser tratado com muito cuidado. As pessoas que se relacionaram com a senhora devem ir fazer o diagnóstico” da sida, afirmou ontem ao CM José Carlos de Almeida, coordenador da Sub-região de Saúde de Viseu. Nesse sentido, poderão deslocar-se ao Centro de Atendimento e Diagnóstico, situado ao lado do Centro de Saúde n.º 1 de Viseu, na Av. António José de Almeida. Por outro lado, uma responsável da Associação Novo Olhar, que dirige projectos de apoio às prostitutas de rua, alertou que as relações sexuais sem preservativo são normais em muitos locais de prostituição de Norte a Sul. A necessidade de dinheiro, em regra resultante da dependência de drogas, é a razão que leva as mulheres a esta prática. “Quando lhes acenam com mais uma nota, elas aceitam”, referiu. Ignorando ou desprezando os perigos envolvidos, muitos clientes continuam a procurar relações sem preservativo. As campanhas de sensibilização para as doenças sexualmente transmissíveis alertaram algumas consciências, mas este ainda é um problema de Saúde Pública.
TINHA GANHO MUITO DINHEIRO E CRIADO NEGÓCIO NO BRASIL
A ‘bela italiana’ deixou a pobreza no Brasil e chegou a Portugal com um sonho: ganhar muito dinheiro e depois desfrutá-lo no Brasil. O seu aspecto físico – estatura média, corpo torneado, olhos claros e cabelo louro – foi o chamariz para o negócio. Trabalhou em vários clubes de diversão nocturna e, ultimamente, num apartamento em Viseu. V.C. ganhou muito dinheiro e mandou construir uma vivenda de luxo na sua terra natal, onde criou uma empresa ligada ao ramo das carnes. Em Viseu, deixou um jipe e uma conta bancária com 80 mil euros. A vida corria-lhe de feição quando, num controlo para despiste de doenças infecto-contagiosas, soube que estava infectada com o vírus da sida. Mesmo assim, não se sabe bem porquê, não deixou de prostituir--se. “Agora, há por aí muitos homens que estão à rasca, que nem sequer têm coragem de fazer análises. E pode estar-se perante um caso muito grave”, alerta uma colega de V.C.
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