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Raptado e torturado em guerra de droga

Famoso traficante foge com dinheiro e cúmplice é espancado com bastão e baleado.
21 de Janeiro de 2010 às 00:30
‘Fantasma’ enganou traficantes do Estrela de África
‘Fantasma’ enganou traficantes do Estrela de África FOTO: Luís Neves

Mais conhecido por ‘Fantasma’, Fernando pesa 120 quilos e mede mais de 1,90 m. Aos 36 anos, é considerado o maior traficante do Vale da Amoreira, na Moita, e está preso desde Setembro, por ter baleado duas pessoas e atropelado uma terceira. Mas a especialidade do cabo-verdiano não é só vender droga; também foge com o dinheiro dos compradores. Foi o que fez a um grupo – e a vingança pela ‘banhada’ recaiu no intermediário. Este acabou vendado, despido, amarrado de mãos e tornozelos atrás das costas – e depois 'bárbara e indiscriminadamente agredido a socos, pontapés e à bastonada na nuca, garganta e órgãos genitais'. No fim deram-lhe um tiro na boca.

A Unidade Nacional de Contra--Terrorismo da PJ prendeu os raptores, mas, presentes ontem no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, voltaram a sair em liberdade, com a proibição de contactar o ofendido e obrigados a apresentar--se periodicamente às autoridades da área de residência.

A tortura, depois da ‘banhada’ de ‘Fantasma’, teve lugar numa barraca do entretanto demolido bairro Estrela de África, na Amadora. Das 20h00 às 12h00 do dia seguinte. E passou por forçar a vítima a comer as próprias fezes. O objectivo do grupo, que a PJ pensa ser constituído por três homens, era reaver o dinheiro desviado por ‘Fantasma’, sendo esse o valor do resgate. Enquanto esteve em cativeiro, só pôde ligar aos familiares e amigos a pedir que pagassem. Acabou abandonado junto a um contentor do lixo depois de recolhido o dinheiro. Passou 15 dias no hospital e só ao fim de um mês voltou a andar. Teve de ser operado cinco vezes – ainda tem uma munição no maxilar. Antes de o soltarem, ficou o aviso: se falasse com a polícia, morreria. O crime chegou ao conhecimento da UNCT, liderada por Luís Neves e, localizados os três raptores considerados muito perigosos, os investigadores avançaram anteontem de madrugada para detenções nas zonas da Amadora, do Cacém e de Loulé.

PORMENORES

PSP COLABORA

A Polícia Judiciária contou com a colaboração do Grupo de Operações Especiais (GOE) e Corpo de Intervenção (CI) da PSP.

APREENSÕES

Para além das detenções, foram apreendidas armas, munições e dinheiro.

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