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Renato desfigurou amante

O cadáver de Carlos Castro estava tão mutilado que só foi reconhecido pelo cabelo e formato do rosto.
13 de Janeiro de 2011 às 00:30
Cláudio Montez acompanha as irmãs de Castro desde a primeira hora
Cláudio Montez acompanha as irmãs de Castro desde a primeira hora FOTO: Duarte Roriz

Um cenário de horror – foi o que as irmãs de Carlos Castro, Amélia e Fernanda, encontraram no primeiro dia em Nova Iorque, quando se deslocaram à morgue do hospital Bellevue para reconhecer o corpo do cronista. "Foi horrível ver como ele ficou. Estava completamente desfigurado." O reconhecimento, além de doloroso, não foi fácil, tal o estado em que se encontrava o cadáver.

Amélia e Fernanda só conseguiram reconhecer o corpo do irmão "pelo cabelo e formato do rosto", diz ao CM o amigo Cláudio Montez, que as acompanha desde a primeira hora. Na mutilação, Carlos Castro, de 65 anos, "perdeu os dois olhos, não foi só um". O impacto "foi estrondoso" para Amélia e Fernanda, que "entraram em choque", conta Cláudio Montez.

Isto no mesmo edifício, o Hospital Bellevue, onde se encontra Renato Seabra, que já confessou ser o autor do brutal homicídio. Está detido sob observação médica e à guarda da polícia nova-iorquina, na ala prisional.

A família de Carlos Castro foi cumprir o formalismo legal na terça-feira ao final da tarde, já noite avançada em Lisboa, depois de ter sido recebida no aeroporto por Vanda Pires, ex-mulher do jornalista Luís Pires, e pela filha destes e por outros portugueses, que os conduziram ao hospital. A diligência foi acompanhada por um elemento da polícia.

Amélia, Fernanda e Cláudio Montez esperavam ontem ser ouvidos no âmbito da investigação, para dar conhecimento às autoridades do que consideravam ser uma relação afectiva normal entre vítima e homicida – com Renato, 21 anos, a partilhar a vida com o cronista, 44 anos mais velho, de uma forma inteiramente voluntária.

O rápido reconhecimento do corpo permitiria, em princípio, acelerar o processo legal de levantamento do mesmo, a fim de ser cremado, por vontade expressa do cronista. Mas tal não foi possível, uma vez que ainda não há certidão de óbito. Falta fazer um exame médico-legal. A cremação do corpo, que deverá ocorrer hoje, está a cargo da agência funerária Bergen Funeral Services, do português Mário Teixeira.

CINZAS NOS EUA E EM LISBOA

Parte das cinzas de Carlos Castro serão depositadas num cemitério de Nova Iorque, "o mais perto possível da Broadway", como era desejo do cronista. Tal só poderá acontecer 24 horas após a cremação, segundo explicaram a Cláudio Montez. A outra parte das cinzas seguirá com as irmãs de Carlos Castro para Lisboa, onde se realizará uma segunda cerimónia fúnebre, na próxima semana. "Já foram compradas duas urnas para esse efeito".

PROCESSO PODE DURAR DOIS ANOS

O processo judicial que envolve Renato deverá durar entre cinco meses e dois anos, segundo Paul Da Silva, advogado criminal em Nova Iorque. "É difícil apontar uma data, dada a complexidade do processo mas, de forma geral, nos EUA estes casos duram entre cinco meses e um máximo de dois anos. Se houver acordo entre acusação e defesa, que seja especialmente favorável para o arguido, até pode demorar menos de cinco meses", explicou ao CM. 

"ELE É MUITO HUMILDE E TÃO BOM RAPAZ"

Nos últimos meses, Renato teve acesso a uma vida de luxo que nunca antes tivera possibilidade de conhecer. Ao lado de Carlos Castro conheceu algumas das figuras ilustres da sociedade. O cronista fez questão de o apresentar a Rosalina Machado, empresária e ex-presidente da Ogilvy, e à socialite Vicky Fernandes. Marcou um almoço num restaurante de Lisboa. O modelo viajou de Coimbra (a mãe levou-o à estação de comboios) até à capital e durante a refeição pouco falou. "Disse ‘olá’, ‘tenho de ir apanhar o comboio para voltar a casa’ e ‘adeus, foi um prazer’", conta Rosalina Machado, ainda chocada com a morte do amigo. "Fiquei com a impressão de que o Renato era um rapaz tranquilo e tímido. Nada fazia prever que pudesse acontecer uma coisa destas", relata, acrescentando: "Durante o almoço houve um único senão. O Carlos só dizia ‘ele é muito humilde e não conhece o mundo. É tão bom rapaz."

O CALVÁRIO DE RENATO

Os processos jurídicos nos casos de homicídio no estado de Nova Iorque são "complexos" e os arguidos, dependendo das decisões que vão tomando juntamente com os advogados de defesa, têm por diversas vezes a oportunidade de se darem como culpados ou inocentes.

"A forma mais rápida seria na primeira sessão de tribunal o arguido considerar-se culpado perante o juiz, mas isso nunca acontece, porque significaria não ter hipóteses de negociar", explicou o advogado criminal Paul Da Silva. Durante o processo, o arguido pode considerar-se ou não culpado em sessões específicas.

"No caso de haver um reconhecimento de culpa, significa geralmente que os advogados de acusação e da defesa chegaram a um acordo", disse Da Silva.

1: Polícia faz acusação formal

Antes de o arguido ser presente a tribunal, a polícia de Nova Iorque terá de apresentar uma acusação formal ao Ministério Público e aos procuradores encarregados do caso, Elian Duggan e Joan Vollero. Quando receberem a acusação formal, os advogados de acusação decidirão então se devem dar seguimento ao caso para tribunal ou se rejeitam a acusação, segundo a procuradora Joan Vollero.

2: Apresentação a tribunal

Caso o Ministério Público aprove a acusação, Renato Seabra será levado à primeira sessão de tribunal, perante um juiz, e será questionado sobre se compreende os elementos acusatórios. Nesta primeira sessão de tribunal estão presentes o juiz, o arguido e os advogados de acusação e defesa. É também nesta sessão que Renato tem hipótese de se declarar culpado ou inocente.

3: Peranteo ‘Grand Jury’

Caso o arguido se considere culpado das acusações de que é alvo, o processo pode avançar directamente para uma sentença. Em caso contrário, o arguido é apresentado a uma segunda sessão de tribunal, onde lhe são novamente explicadas as acusações. Difere que nesta sessão estará presente um ‘grand jury’, composto por 23 cidadãos comuns que poderão recusar os elementos acusatórios ou aprová-los.

4: Tribunal Supremo

Com a aprovação dos jurados, o caso avança para uma nova fase. Renato Seabra seria submetido a uma nova sessão de acusação, desta vez do Tribunal Supremo, que informará novamente sobre as acusações. Aqui poderá novamente considerar-se culpado ou inocente. Considerando-se culpado, o processo avança directamente para o veredicto. Em caso contrário, avança para uma nova sessão do Tribunal Supremo, em que serão novamente discutidas as provas e em que o arguido tem a possibilidade de se considerar, uma vez mais, culpado ou inocente.

5: Moções e Audiências

O processo só culmina nesta fase, em que são ouvidas as alegações finais. O arguido pode considerar-se culpado, e sendo assim a sentença é estipulada, ou pode ainda seguir para julgamento, onde será averiguada, finalmente, a sua culpabilidade. Se for considerado culpado, ser-lhe-á lida a sentença e a pena a que está sujeito.

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