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Roubaram 435 carros

Mais de seis milhões de euros. É este o valor dos 435 carros das gamas média e alta que o Ministério Pública conseguiu recuperar durante investigação a uma rede que se dedicava à comercialização de automóveis roubados por carjacking e assaltos a casas. O grupo actuava há quase dez anos e prepara-se para enfrentar o banco dos réus no Tribunal de Famalicão.

11 de Junho de 2008 às 22:00
A empresa “Auto Nogueira e filha lda”, em Vila das Aves, está agora abandonada, depois do dono ter sido preso pela Polícia Judiciária do Porto
A empresa “Auto Nogueira e filha lda”, em Vila das Aves, está agora abandonada, depois do dono ter sido preso pela Polícia Judiciária do Porto FOTO: José Rebelo

Segundo a Acusação, 11 arguidos vão a julgamento pelo crimes de associação criminosa, 422 por receptação e 84 por falsificação.

A rede funcionava a partir da sucateira Auto Nogueira e Filha Lda, em Vila das Aves, Santo Tirso, e tinha armazéns e stands espalhados por toda a zona Norte: cinco em Vila das Aves, um em Gemunde (Maia) e outro na Trofa. Naqueles espaços eram recebidos carros roubados por carjacking e de casas em localidades como Faro, Guarda, Sever do Vouga, Figueira da Foz, Mira, Aveiro, Estarreja, Ovar, Espinho, Gaia, Porto, Matosinhos, Gondomar e Paredes.

Os acusados – comerciantes, empregados de escritório, sucateiros, chapeiros e secretárias, com idades entre os 31 e os 65 – alteravam os números dos motores dos veículos para depois os venderem.

O negócio, desmontado pela PJ no ano passado, remonta a 1998, com a criação de uma empresa pelo líder do grupo, António Silva, de 65 anos. Na operação daPJ foi ainda apreendido material no valor de dois milhões de euros.

FAMÍLIA NO NÚCLEO DURO DA REDE DE RECEPTAÇÃO

O grupo dependia de um núcleo duro que assentava numa família de Vila das Aves. O Ministério Público acredita que esse facto potenciava a lealdade no seio da rede e evitava o desvio de dinheiro arrecadado.

O principal arguido e líder da rede, António Silva, de 65 anos, recrutou os dois filhos, Joaquim e Paula. Foi precisamente com a filha, de 30 anos, que constituiu a primeira empresa: a António Nogueira e Filha Lda, criada em 1998, quando António Silva já contava com uma longa actividade na venda de componentes de automóveis que lhe rendera uma vasta experiência no sector.

No centro da gestão do grupo, que contava com inúmeros espaços de receptação e venda, António Silva tinha ainda um genro e um cunhado.

PJ CRIA BRIGADA ESPECIAL

A Polícia Judiciária do Porto está a estudar a criação de uma brigada especial para investigar o carjacking. Por se tratar de um crime que está relacionado com a venda posterior dos veículos, a mesma brigada será integrada por investigadores das duas valências. A confirmação da intenção foi feita recentemente por Baptista Romão, director da Judiciária do Porto.

Neste caso a investigação da PJ foi dificultada por a actividade ilícita ser planeada até ao mínimo detalhe. As acções eram tão cuidadosas que as várias vigilâncias policias, entre Janeiro e Junho de 2007, pouco ou nada detectavam.

PORMENORES

AUMENTO DOS ROUBOS

Na acusação o MP realça o aumento do carjacking um pouco por todo o País.

USADOS EM ASSALTOS

Há alguns anos os veículos roubados eram usados em outros assaltos e depois abandonados. Agora são vendidos.

ROUBAR AS CHAVES

O homejacking caracteriza-se pelo roubo das chaves de um carro quando estas se encontram dentro de uma casa.

DESMANTELADOS

Nem todos os carros foram recuperados intactos. Alguns já tinham sido desmantelados e sóse recuperou algumas peças.

 

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