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“Roubaram ossos da minha sogra”

Dois ossários foram encontrados vandalizados e a porta do cemitério arrombada. Familiares de defuntos indignados com actos de profanação.
8 de Maio de 2011 às 00:30
As famílias chegaram ao cemitério e encontraram as urnas, onde deveriam estar guardados os ossos dos entes queridos, vandalizadas e vazias
As famílias chegaram ao cemitério e encontraram as urnas, onde deveriam estar guardados os ossos dos entes queridos, vandalizadas e vazias FOTO: Mariline Alves

"Assim que peguei na urna percebi que algo estava mal, pois estava muito leve. Foi então que a abri e percebi que tinham roubado as ossadas da minha sogra", conta ao CM José Alves, que no dia 1 deste mês, quando foi ao ossário do cemitério de Caneças, Odivelas, se deparou com o macabro desaparecimento.

O cemitério foi assaltado na madrugada do Dia do Trabalhador, "mas não foi levado nada de valor, apenas foram remexidas duas urnas com ossos de entes queridos de duas famílias", explica Armindo Fernandes, presidente da Junta de Freguesia de Caneças. Foi uma pessoa que ia fazer uma visita ao cemitério que chamou a atenção de um funcionário para a porta que estava aberta. "O funcionário deu um jeito ao fecho e voltou a fechar a porta. Só depois é que se viu que tinham sido mexidas duas ossadas", conta Armindo Fernandes, reconhecendo que "dificilmente a junta pode fazer alguma coisa. Não podemos pôr um alarme, nem um segurança durante toda a noite, porque não temos dinheiro para pagar".

José Alves diz que a família "está incrédula" e apresentou queixa na PSP, que investiga o caso.

"SÓ SE SERVIREM PARA BRUXARIA OU MACUMBA"

"Não se percebe o porquê deste assalto. Não se compreende qual teria sido a motivação, até porque são de famílias diferentes. Entraram e levaram os ossos todos. Só se servirem para bruxaria ou macumba, não é pelo valor, porque para isso iam a outro lado", explica o presidente da junta, Armindo Fernandes, exprimindo a incredulidade

da população. Mas esta não é a primeira vez que o cemitério de Caneças é assaltado. "Há uns dez anos, foram roubadas várias estatuetas das campas, que acabaram por ser recuperadas quando estavam a ser vendidas na feira da Malveira."

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