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Saldos na energia a partir de Setembro

A EDP apresentou ontem o seu plano estratégico até 2010, a pensar na liberalizacão do mercado para consumidores domésticos, que ocorrerá no próximo dia 4 de Setembro. “Estudámos a possibilidade de realizar promoções pontuais ao nível do preço, mas vamos apostar mais na eficiência energética”, afirmou ao CM uma fonte da empresa.
20 de Julho de 2006 às 13:00
A eléctrica portuguesa admite que não vai poder concorrer com o preço que os outros fornecedores podem vir a oferecer e pelos quais os consumidores poderão optar, por isso aposta nestas promoções ocasionais, na melhoria dos serviços e numa maior proximidade ao cliente.
O plano com o qual a EDP pretende dar resposta à liberalização do mercado (o MIBEL), será apresentado no início de Setembro, mas não está ainda completamente definido: há a possibilidade de baixar os preços em determinados períodos (tarde e noite, por exemplo) e certos dias (fim-de-semana).
António Mexia, presidente da EDP, disse que a eléctrica “estará preparada para a liberalizacão a 4 de Setembro”. Nessa data, as famílias portuguesas vão poder escolher directamente o seu fornecedor de energia e a EDP terá de competir com os gigantes espanhóis Iberdrola e Endesa.
Mexia apresentou ainda um ambicioso plano de redução de custos, que poderá gerar poupanças da ordem dos 80 milhões de euros por ano, que passa por cortes em várias vertentes do negócio, e não coloca de parte a redução do número de trabalhadores em Portugal, embora isso não seja considerado pela Comissão Executiva como uma prioridade.
“A EDP é a terceira maior operadora da Península Ibérica com uma forte base de ‘cash flows’ estáveis e regulados”, afirmou Mexia, acrescentando que a eléctrica portuguesa é uma das cinco maiores operadoras do mundo na produção de energia eólica”. Aliás, este tipo de energia é a grande prioridade da empresa para os próximos anos.
Com um plano de investimento de 5,6 mil milhões de euros até 2008, a parte de leão vai para as energias renováveis com 2,1 mil milhões, seguindo-se a produção com 1,4 mil milhões e o Brasil com um investimento estimado de 890 milhões. Na principal actividade da empresa, a produção de energia eléctrica, Mexia salientou a necessidade de preservar uma base sólida de clientes, tendo em atenção a “cobertura na produção”, “o foco em clientes rentáveis” em vez de quota de mercado e a gestão do risco contratual (através de contratos bilaterais de energia com clientes).
EDP RENOVÁVEIS PODE IR PARA A BOLSA
Uma das novidades apresentadas por António Mexia foi a possibilidade de ser criada a empresa EDP Renováveis, cotada em bolsa. “Existem muito pequenos produtores, cuja única dificuldade é não terem financiamento. Se isso se justificar, admitimos ir buscar liquidez ao mercado de capitais”, explicou o presidente da Comissão Executiva da Eléctrica Portuguesa.
Em relação as parcerias, António Mexia adiantou que “a EDP está aberta a parcerias, mantendo o controlo do EBITA, controlar o crescimento e evitar que dessas parcerias nasçam conflitos de interesses”. Uma afirmação que é directamente dirigida à espanhola Iberdrola, dos accionistas mais importantes da EDP.
Ainda no domínio das renováveis, Mexia revelou que a qualidade do portfólio de parques eólicos da EDP é superior a média espanhola em 6,8 por cento. Aquele responsável não se pronunciou sobre o concurso da eólicas que se encontra a decorrer, mas adiantou que “a EDP esta muito optimista com a sua candidatura”.
Adicionalmente, a EDP está à procura de forma pro-activa de oportunidades de investimento intencional, nomeadamente ao nível da energia eólica nos Estados Unidos, em Inglaterra, em França e na Itália. Adicionalmente, a EDP esta a avaliar projectos em outras tecnologias (dois projectos em mares/ondas e seis de energia solar).
DIVIDENDOS AUMENTAM 8% AO ANO
A política de dividendos a distribuir aos accionistas da EDP consiste no aumento médio de oito por cento ao ano. Em 2007, a energética distribuirá o dividendo de 11 cêntimos relativo ao exercício deste ano, mais dez por cento que no exercício de 2005. O presidente da empresa, António Mexia, disse ontem, numa conferência de Imprensa em Londres, que quer “os accionistas da EDP felizes”.
O anúncio do crescimento do dividendo contribuiu para a forte valorização da EDP na Euronext Lisboa e na praça financeira de São Paulo. As acções da energética foram as terceiras mais valorizadas do PSI 20, com um ganho de 2,73 por cento, para 3,01 euros. Em liquidez, ocuparam a primeira posição, com mais de 18 milhões de títulos a mudarem de mãos. Devido à EDP, o índice mais importante lisboeta subiu mais de um por cento.
À MARGEM
CABO VERDE
A EDP tenciona permanecer em Cabo Verde onde é, com as Águas de Portugal, accionista em 51% da Electra, empresa distribuidora de energia e água. “É preciso um quadro tarifário estável, mas isso não depende só de nós”, disse Mexia.
CREDIBILIDADE
“A EDP tem que ganhar credibilidade, tem que ser uma empresa conhecida por entregar aquilo que produz”, afirmou Mexia durante a apresentação do Plano Estratégico.
CENTRAIS
A EDP tem opção para três centrais de ciclo combinado adicionais em 2008, uma opção que vai exercer em função da evolução do mercado e da sua regulação.
LICENÇAS DE CO2
O presidente da EDP manifestou-se “confortável” com as licenças de CO2 que a empresa possui e que lhe permitirá um desenvolvimento do negócio sem problemas até 2012.
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