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Segurança privada rende 650 milhões

O aumento da criminalidade fez florescer um negócio em Portugal: o da segurança privada. O medo dos assaltos levou milhares de comerciantes e particulares a recorrerem a estes serviços – e, em 2008, registou-se mais 11 609 vigilantes do que no ano anterior. O volume de negócios do sector chegou aos 650 milhões de euros, conclui o Relatório Anual de Segurança Privada de 2008.
17 de Março de 2009 às 22:00
Segurança privada
Segurança privada FOTO: Sérgio Lemos

Este é apenas o retrato do mercado 'legal e regulamentado', que desde 2001 revela uma tendência crescente do volume de negócios e da utilização de tecnologias avançadas. O número de seguranças ilegais não é conhecido, apesar de as fiscalizações da PSP terem quintuplicado e detectado 1613 situações irregulares, 275 das quais referentes ao exercício ilícito de segurança privada.

A análise dos números demonstra que, em 2008, os portugueses gastaram quase 1,8 milhões de euros por dia em vigilância – tanto humana como electrónica – paga às 160 empresas licenciadas. No mesmo período estavam registados 61 392 vigilantes, 22 464 dos quais sem qualquer contrato.

No entanto, parece que nem o recurso aos privados é suficiente. O elevado número de assaltos a híperes e supermercados, por exemplo, levou as grandes cadeias a prepararem os seus funcionários para um cenário de roubo. 'Estamos a dar acções de formação', diz ao CM o presidente da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, preocupado com assaltos às caixas. A mensagem principal, garante, 'é não resistir'.

HIPERMERCADOS CONTAM ROUBOS

A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), que agrupa as maiores cadeiras nacionais de híperes e supermercados, vai fazer um levantamento do número de assaltos e roubos para poder desencadear as acções necessárias para combater esta criminalidade, adiantou ao CM o presidente da associação, Silva Ferreira. 'O problema agravou-se nos últimos seis meses', sublinhou.

RUI SILVA, PRESIDENTE ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE VIGILANTES: 'DEVE-SE À ONDA DE CRIME'

Correio da Manhã – Como se explica o aumento do número de seguranças privados e o dinheiro investido no sector?

Rui Silva – Julgo que se deve à onda de criminalidade que afecta o País. As pessoas sentem-se inseguras e querem evitar ser alvo de um crime. Mas não é só o número de vigilantes que aumentou. Também há mais sistemas de alarme e de videovigilância instalados.

– Este aumento é generalizado em todos os sectores?

– Não. Há sectores como os supermercados que estão a abandonar a segurança privada e a requisitar os serviços gratificados [pagos] da PSP. Ao mesmo tempo, sectores como a hotelaria estão a aumentar o investimento na segurança privada.

– O crescimento registado nos últimos anos vai continuar?

– Este ano vai crescer ainda mais do que em 2008. Só em 2009 já foram emitidos mais de 1700 cartões de vigilante.

JOSÉ ANTÓNIO DA SILVA, PRESIDENTE DA CONFEDERAÇÃO COMÉRCIO E SERVIÇOS DE PORTUGAL: 'POLÍCIA GARANTE SEGURANÇA SE PAGARMOS'

Correio da Manhã – A subida da criminalidade repercute-se no aumento de vigilantes e no florescimento do negócio da segurança privada?

José António da Silva – Inevitavelmente. Vivemos num clima de insegurança que é real. As estatísticas vão nesse sentido. E o aumento da segurança privada reflecte-se na incapacidade de o nosso governo responder às necessidades.

– Então é o Governo quem dá espaço às empresas de segurança privada?

– Eu não tenho nada contra essas empresas, mas a segurança pública devia ser assegurada pelo Estado.

– E os comerciantes recorrem mais aos privados?

– Reforçam sobretudo os meios de segurança. Há um maior dispêndio em alarmes, câmaras de vigilância.

– E gratificados da PSP?

– Infelizmente também. Somos obrigados a recorrer aos serviços da polícia que não consegue garantir a segurança, mas acaba por fazê-lo se pagarmos os seus serviços.

– Preferem um polícia porque tem arma?

– Sim e porque um polícia impõe outro respeito.

SAIBA MAIS

AGRESSÕES

Em 2009 já foram alvo de agressão – no cumprimento do seu trabalho – nove vigilantes privados. O acesso a armas não-letais, como tasers e cassetetes, são uma exigência da classe.

47 MIL

Total de efectivos da PSP (22 mil) e da GNR (25 mil). Em 2008 entraram 2000 novos elementos para estas duas forças de segurança. Vigilantes novos ultrapassaram os 11 609.

MULTAR RENDE

Em 2008, o Departamento de Segurança Privada da PSP instruiu 3681 processos de contra-ordenação, dos quais resultaram coimas no valor total de 1,3 milhões de euros.

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