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Seis milhões para educar doentes

Governo fecha serviços e, em troca, dá às populações das localidades fronteiriças informações sobre sintomas, consultas, Urgências e rastreios.
29 de Junho de 2010 às 00:30
Em Valença, a população protestou contra o fecho das Urgências e a ministra disse que era desinformação
Em Valença, a população protestou contra o fecho das Urgências e a ministra disse que era desinformação FOTO: Nuno Fernandes Veiga

Depois de o Governo ter encerrado vários serviços por todo o País, como por exemplo a maternidade de Elvas e as Urgências de Valença do Minho – decisões que revoltaram os habitantes –, o Ministério da Saúde quer agora colmatar eventuais necessidades das populações transfronteiriças alargando a cooperação nesta área com a vizinha Espanha.

A ideia de educar o doente, tão defendida pela ministra Ana Jorge, que chegou a afirmar que as pessoas protestavam por desinformação, é um dos objectivos dos projectos financiados com seis milhões de euros. Sendo que 75% do valor será custeado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) e os restantes 25% divididos pelos dois países.

Assim, Portugal e Espanha, no âmbito do Programa Operacional de Cooperação Transfronteiriça (POCTEP), que já tem projectos ao nível do ambiente, emprego e da inovação, querem criar um portal na internet, que servirá de 'escola' aos doentes, e uma biblioteca virtual para os profissionais de saúde.

Segundo Anabela Coelho, do Departamento de Qualidade da Saúde, os doentes portugueses e espanhóis, caso os projectos sejam aprovados, passarão a beneficiar de uma quantidade de informação que os vai ajudar a gerir a sua saúde.'Trata-se de educar o doente e ajudá-lo a saber a que Urgências se dirigir, que consultas deve procurar perante determinados sintomas, que rastreios e acções de informação estão a ser feitos e onde, na região à qual pertence', explica a responsável, sublinhando que, 'se por exemplo, vai decorrer um rastreio aos olhos e numa determinada localidade do Algarve não há oftalmologistas suficientes, poderá ser a Espanha a disponibilizá-los e vice-versa'.

Anabela Coelho lembra que acordos entre os dois países para tratar doentes já existem e que estes projectos têm como objectivo reforçá-los. Na biblioteca virtual, médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde vão ter acesso a artigos publicados em revistas especializadas, novos tratamentos e medicamentos.

DECO ARRASA COM SEGUROS DE SAÚDE E VAI PARA TRIBUNAL

A maioria dos seguros de saúde é de fraca qualidade, conclui a Associação de Defesa dos Direitos dos Consumidores (Deco) depois de ter analisado 77 planos de 20 seguradoras. A associação considera mesmo que a maioria dos seguros 'tem cláusulas abusivas' e ameaça recorrer aos tribunais para exigir às seguradoras a retirada dessas cláusulas, revelou. As exclusões (doenças epidémicas e transplante de órgãos), os períodos de carência e a duração anual dos contratos são os aspectos mais criticados pela Associação dos consumidores.

PORMENORES

A ÁREA DA COOPERAÇÃO

O Programa de Cooperação Espanha-Portugal estrutura-se assim: Galicia-Norte de Portugal; Norte de Portugal-Castilla y León; Centro-Castilla y León; Alentejo--Centro-Extremadura; Alentejo--Algarve-Andalucía.

PROGRAMA MAIS VASTO

A cooperação abrange 136 640 Km2 e cinco milhões de habitantes. O programa tem uma dotação financeira de 354 milhões de euros, 267 dos quais são dados pelo FEDER.

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