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Suspeito de violar é médico no CAT

Preso a 20 de Novembro, foi-lhe aplicada uma medida de coacção controversa. Afastado do privado, mas não do público, está a exercer psiquiatria.
25 de Janeiro de 2010 às 00:30
Médico reside na zona da Foz, Porto, num apartamento onde também dava consultas de psiquiatria
Médico reside na zona da Foz, Porto, num apartamento onde também dava consultas de psiquiatria FOTO: José Rebelo

João Vasconcelos Vilas Boas, um conhecido psiquiatra da cidade do Porto, indiciado por violar uma mulher grávida de 34 semanas, está proibido de exercer no sector privado – designadamente no consultório que tem o seu nome na zona da Foz do Porto – mas continua a dar consultas num dos Centros de Atendimento de Toxicodependentes (CAT) da cidade.

O médico foi interrogado no Tribunal de Instrução Criminal e a medida de coacção aplicada apenas incluía o exercício de funções no sector privado. O juiz nada disse sobre a actividade no sector público e o médico começou a dar consultas em centros estatais. No momento é psiquiatra num centro de tratamento de recuperação da toxicodependência.

Segundo o CM apurou, desde a altura em que foi detido – os investigadores da Judiciária só avançaram depois de receberem os resultados biológicos onde se confirmavam os contactos sexuais – a investigação não teve qualquer outra diligência. O processo seguiu para o Departamento de Investigação e Acção Penal do Ministério Público do Porto e nunca mais regressou à Judiciária, que tinha a investigação a seu cargo.

'ESTOU MUITO REVOLTADA COM O QUE ACONTECEU'

A mãe da mulher que terá sido violada, moradora em Vila Real, está indignada com a ausência de diligências. 'Estranhamos os atrasos do processo. Temos falado com o inspector da PJ, mas o médico deve ter muitas cunhas porque o processo não avança', lembra a familiar, que não esconde a indignação. 'Estou muito revoltada com o que aconteceu. No fim de Dezembro, a minha filha foi chamada para fazer outro exame psiquiátrico. Parece que ela é que é a mentirosa e agora tem de ir a outro médico e voltar a contar novamente o sucedido', conclui.

PORMENORES

FICHA POLICIAL

O médico já era conhecido das autoridades. Foi indiciado por sequestro da mulher e foi investigado.

NO CONSULTÓRIO

A violação da grávida terá acontecido no consultório do médico. Aquela contou o sucedido às autoridades mal chegou a Vila Real, onde reside. Foi sujeita a exames.

PROVAS DE ADN

A PJ só avançou depois de chegarem os exames médicos que confirmavam a existência de sémen. O ADN coincide.

 

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