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Tecnologia contra o crime violento

Unidade Especial de Polícia reforçada com novo equipamento.
24 de Janeiro de 2010 às 00:30
Espingarda Accuracy AW308 (esq.) permite disparos precisos a 500 m. Radar doppler e sistema hidráulico serão usados em rusgas
Espingarda Accuracy AW308 (esq.) permite disparos precisos a 500 m. Radar doppler e sistema hidráulico serão usados em rusgas FOTO: Vítor Mota

Espingardas de precisão com capacidade de 'tiro útil' a 500 metros. Radares doppler portáteis que vêem através das paredes mais grossas. Equipamentos de arrombamento hidráulicos que 'dobram portas blindadas como se fossem papel'. Simples lanternas para acoplar às armas de assalto, 'fundamentais para identificar a ameaça'. Este é apenas algum do equipamento recebido recentemente pela Unidade Especial de Polícia (UEP) da PSP, fruto de um plano de reequipamento do Ministério da Administração Interna, no valor de um milhão de euros.

Um 'upgrade importante', admite ao CM o comandante Magina da Silva, que traz um 'aumento de capacidade e de mobilidade'. Mas que era 'indispensável' face à criminalidade cada vez mais violenta e aos dois grandes testes que a UEP terá este ano : a visita do Papa, em Maio, e a cimeira da NATO, em Novembro.

O CM acompanhou uma manhã de treinos da UEP na Quinta das Águas Livres, em Belas. E se na auto-estrada que passa junto ao muro tudo parece tranquilo, no interior dos 152 hectares ouve--se bem alto mais uma série de disparos da Accuracy AW 308, a nova ‘menina dos olhos’ dos snipers do GOE, uma das cinco subunidades da UEP. 'Impecável', grita o comandante para os quatro atiradores em cima do telhado após outros tantos tiros certeiros a 155 metros, num alvo que cabe na palma da mão.

Numa sala próxima trabalha-se com outras armas, estas sem gatilho: o novo radar doppler – capaz de detectar a posição de seres vivos dentro de qualquer espaço – e a consola Sniper X8 – que permite visualizar em oito pequenos ecrãs o mesmo outros tantos atiradores têm sob mira. À tecnologia de vanguarda junta-se ainda uma consola de negociação portátil, para 'uma comunicação privilegiada com um sequestrador' e redes de rádio móveis para 'melhor coordenação no terreno'.

SAIBA MAIS

REESTRUTURAÇÃO

A Unidade Especial é composta pelo Corpo de Intervenção, Grupo de Operações Especiais, Corpo de Segurança Pessoal, Grupo Operacional Cinotécnico e Centro de Inactivação de Explosivos.

1000 elementos altamente treinados são os efectivos que integram a Unidade Especial de Polícia

DESTACAMENTOS

A UEP tem destacamentos permanentes no Porto, em Faro, nos Açores e na Madeira e subunidades noutras capitais de distrito.

'PROVAS SÃO OBRIGATÓRIAS'

'A realidade é mais complicada do que os treinos. Nas situações a sério os alvos mexem-se. Por isso só ficam os melhores, aqueles que têm aprovação nas provas de certificação física e técnica. São regras comuns a todos, e infelizmente alguns elementos não conseguiram.' É desta forma que o intendente Magina da Silva reage a algumas críticas de perseguição, nomeadamente no seio do Corpo de Segurança Pessoal, do qual alguns elementos foram afastados recentemente por não estarem aptos a proteger altas--figuras do Estado, magistrados ou testemunhas judiciais sob ameaça.

'De mil elementos houve nove que saíram para serviços de apoio da Unidade porque não tiveram avaliação positiva no tiro e na aptidão física. Podem a qualquer momento pedir a reintegração na subunidade operacional em que estavam, mas todos os anos terão de fazer as provas obrigatórias de certificação.'

Outra polémica que deverá ser resolvida brevemente é a transferência do Corpo de Intervenção da Calçada da Ajuda para a Quinta das Águas Livres. 'As obras devem arrancar ainda este ano. Temos de apreciar o esforço da Direcção-Geral de Infra-estruturas e Equipamentos do MAI, ainda mais na conjuntura em que estamos.' Também este ano chegarão mais viaturas para os serviços segurança pessoal, de intervenção táctica e de manutenção da ordem pública. 'Ferramentas adequadas para a missão.'

EURO'2004 DITA ORGANIZAÇÃO

A forma de intervenção da Unidade Especial de Polícia está baseada num conceito – uma pirâmide com cinco níveis – que teve origem na preparação do Campeonato da Europa de 2004. 'A UEP funciona como reforço do dispositivo territorial da PSP, quer de forma planeada, quer reactiva. A nossa missão é intervir em alterações graves da ordem pública – com muita gente, como foi o caso da Bela Vista e os jogos de futebol – e em incidentes táctico-policiais, como aconteceu no BES de Campolide', diz ao Correio da Manhã a comissária Paula Monteiro.

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