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Terror em loja do Lidl

Mais movimentada que um filme de acção. A cena que envolveu ontem de madrugada dois grupos de assaltantes e várias equipas da PSP e da GNR, que os perseguiram em alta velocidade pelos arredores de Sintra, parecia tirada do cinema.
7 de Março de 2005 às 13:01
Em pouco mais de meia hora, sete assaltantes, divididos por dois carros, atacaram à mão armada um hipermercado com clientes lá dentro e duas bombas de gasolina, no concelho de Sintra. Foram perseguidos pelas autoridades, pela Estrada do Autódromo e pelo IC 19, até ao Bairro da Cova da Moura – onde desapareceram na noite.
Os assaltantes chegaram em dois carros (um Wolkswagen Bora e um Fiat Punto, ambos roubados) ao parque de estacionamento do Lidl, no Cacém, cerca das 21h00. Quatro deles, rápidos como felinos, armados de caçadeira e pistolas, entraram no hipermercado. Os 15 clientes que ainda se encontravam lá dentro gelaram de terror. De armas em punho, os salteadores, todos de origem africana e aparentando idades entre os 18 e os 25 anos, vociferaram ameaças de morte.
O primeiro a ser roubado foi o segurança da loja: arrancaram-lhe do dedo um anel de ouro. Um dos assaltes voltou-se para uma cliente – e com um safanão roubou-lhe a mala. Todos os que se encontravam no interior do Lidl gelaram de pavor. Os atacantes atiram-se sobre as duas caixas registadoras em funcionamento e saíram, com uma quantia em dinheiro não determinada, tão rápidos como tinham surgido. Meteram-se nos carros e arrancaram, pelo IC 19, em direcção a Sintra. Os pneus guinchavam no alcatrão.
Chegaram às portas de Sintra, voltaram para a Estrada Nacional 9, a caminho do autódromo. Pararam na estação de Serviço da Total, onde chegaram cerca das 21h30. Um dos assaltantes saltou do carro e armado de caçadeira, obrigou o funcionário a entregar-lhe o dinheiro, disse ao CM fonte policial.
De novo em movimento, sempre em grande velocidade, chegaram a outra estação de serviço, esta da Galp, a menos de um quilómetro da primeira. Três assaltantes apontaram as armas ao empregado e ele entregou-lhes tudo o que tinha – 500 euros.
Entretanto, carros-patrulha da PSP e da GNR começaram a perseguição aos dois automóveis do gang. Os assaltantes metem-se outra vez pelo IC19 – e saem em direcção à Damaia. A polícia encontrou os carros abandonados na Cova da Moura, um dos bairros do crime na Grande Lisboa. Os assaltantes desapareceram na noite. A PJ está agora atrás dos criminosos.
POPULARES REVOLTADOS COM LADRÕES
Passou quase um mês desde que o agente Ireneu Dinis foi morto com 22 tiros, no bairro da Cova da Moura, na Buraca. Várias fontes policiais avançaram ao CM a constatação de que este facto provocou uma mudança efectiva do comportamento dos cidadãos perante a acção dos assaltantes.
Para o presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia, isto “acaba por ser algo compreensível”. “Muitas pessoas constatam a incapacidade de resposta da PSP no que toca aos meios e aos efectivos. Por isso, revoltam-se elas contra os ladrões”, diz António Ramos.
Um exemplo disso aconteceu anteontem, em pleno IC19. “Um dos carros em que seguiam os sete assaltantes tocou no pára-choques do carro particular. O condutor resolveu não ignorar a situação, e ajudou as autoridades a perseguir os gatunos”, disse outro informador policial. Apesar de a perseguição não ter dado frutos, o mesmo cidadão deslocou-se à esquadra da PSP de Alfragide, onde apresentou queixa do sucedido.
AUMENTARAM CRIMES À MÃO ARMADA
Os assaltos à mão armada aumentaram. No ano passado, a Polícia Judiciária registou 1729 assaltos a transeuntes e a estabelecimentos comerciais do País, mais 757 que em 2002. Todos eles com recurso a armas de fogo.
Os criminosos, segundo a análise feita pela PJ, têm na sua maioria entre os 16 e os 26 anos. Aproveitam-se da venda livre das armas de alarme, que transformam em verdadeiras pistolas de calibre proibido.
Nos últimos dois anos, a PJ apreendeu 1408 armas, oito das quais metralhadoras. No ano passado, a GNR apreendeu 2333 armas ilegais e a PSP 1818. O maior número de apreensões de armas foi registado nas zonas do Porto e de Lisboa. Só na área metropolitana da capital, a PSP recolheu 338 armas durante operações de combate ao crime.
As zonas mais problemáticas, segundo a polícia, são os concelhos da Amadora, de onde foram retiradas 100 armas ilegais e o concelho de Loures, com 60. Das armas apreendidas, 280 eram pistolas de alarme transformadas.
OUTROS ASPECTOS
OEIRAS
A PJ está a investigar a possibilidade de os sete assaltantes que anteontem foram perseguidos, sejam os mesmos que, a 28 de Fevereiro, assaltaram a Telepizza de Santo Amaro de Oeiras, e um restaurante de Manique de Baixo, Alcabideche, Cascais.
ARMAS
Os depoimentos das vítimas permitiram, primeiro à PSP e à GNR, e depois à Polícia Judiciária, perceber que o grupo de sete assaltantes estará bem armado. Para além de uma espingarda caçadeira, de canos serrados, os meliantes usaram nos três assaltos uma pistola automática, de calibre 9 milímetros. Ambas as armas são, por lei, de uso restrito às autoridades policiais e forças armadas.
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