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Traficantes iam fugir de veleiro

Atacaram guardas em Lisboa, há dois meses, e esconderam-se em três casas no Norte. Iam voltar ao Brasil em grande estilo mas a PJ apanhou-os.
11 de Março de 2011 às 00:30
José Camaro e Rarisson Silva, que fugiram de carrinha à porta do DCIAP, alugaram um primeiro andar em Apúlia,  Esposende, onde estavam escondidos. Ontem foram surpreendidos pela PJ
José Camaro e Rarisson Silva, que fugiram de carrinha à porta do DCIAP, alugaram um primeiro andar em Apúlia, Esposende, onde estavam escondidos. Ontem foram surpreendidos pela PJ FOTO: Nuno Fernandes Veiga

Chamadas telefónicas para o Brasil e a visita de um casal amigo, que aterrou no Porto domingo passado, traíram os dois traficantes em fuga desde 18 de Janeiro – quando atacaram os guardas prisionais à porta do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, em Lisboa, e escaparam da carrinha celular. Dormiam até ontem numa casa em Apúlia, Esposende, onde a PJ os foi buscar. O casal que os visitou foi seguido e a vigilância apertada. Já preparavam para dia 15 o regresso ao Brasil em grande estilo. De veleiro.

A embarcação, atracada na Póvoa de Varzim há mais de um ano, trouxe um dos traficantes até Portugal e serviria agora para levar de volta José Camaro e Rarisson Silva. O primeiro é um dos cérebros da rede que introduziu em Portugal 20 milhões de euros em cocaína (ver caixa).

Depois da fuga em Lisboa, quando atingiram um guarda com gás-pimenta, fugiram para o Porto, a seguir Gondomar e, por fim, a casa de férias alugada em Esposende, há 15 dias. Tinham no Norte familiares e amigos brasileiros que os apoiavam – três deles agora constituídos arguidos pela PJ por falsificação de documentos. Isto porque os dois traficantes tinham carimbos falsos para simular no passaporte a entrada na Europa por Itália e eliminar ligações a Portugal, despistando as autoridades. Fatal para Camaro e Rarisson foram os telefonemas para cubanos e paraguaios, da rede, que estão no Brasil. A Polícia Federal identificou os números de telemóvel e deu-os à Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da PJ.

Há vinte dias foi localizado um dos traficantes. E no domingo chegou um casal para os ajudar – as visitas foram seguidas pela PJ até à casa em Apúlia, onde foi montada vigilância. Persianas fechadas, sem tirarem da janela uma placa a dizer ‘Aluga-se’, eram discretos. Saíam para ir buscar comida. Rarisson até pintou o cabelo de ruivo para não o reconhecerem. Depois das 09h00 de ontem, foram capturados.

INTRODUZIRAM DUAS TONELADAS DE 'COCA' NO PAÍS

Chegaram a Portugal fazendo-se passar por empresários do sector do gesso, mas o objectivo era introduzir no nosso país mais de vinte milhões de euros em cocaína. As 1,7 toneladas de droga, da Colômbia, entraram pelo porto de Leixões, em Outubro do ano passado, mas a Polícia Judiciária já estava à espera. Os cinco elementos da rede – Camaro, Rarisson e três cúmplices, entre os quais um agente da Polícia Civil de São Paulo – foram seguidos até um armazém no Montijo, de onde a droga deveria seguir para Espanha, de modo a ser distribuída para países de toda a Europa. O esquema incluiu a criação de duas empresas: uma de fabrico de gesso e outra de transporte de mercadorias, destinada a receber a cocaína, que chegou dissimulada em placas de gesso. A PJ prendeu os cinco e apreendeu 30 mil euros em dinheiro.

INVESTIGADA CORRUPÇÃO NA CADEIA

Um processo por corrupção nos serviços prisionais corre à margem da captura dos fugitivos. Está a ser investigada a provável cumplicidade de elementos dos Serviços Prisionais na fuga dos presos. E o mistério está na forma como os dois brasileiros tiveram acesso a gás-pimenta, com que dominaram os guardas. Na véspera da fuga tinham recebido na Zona Prisional da PJ a visita de familiares e de um advogado brasileiro. A 18 de Janeiro, pelas 16h00, libertaram-se das algemas e atacaram os guardas com gás-pimenta, à porta do DCIAP, onde iam ser ouvidos. Depois roubaram um carro e fugiram para o Norte.

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