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TVI paga 300 mil € a Manuela

João Cotrim Figueiredo, director-geral da estação, diz ao CM que acordo foi “satisfatório para ambas as partes”.
20 de Outubro de 2010 às 00:30
TVI paga 300 mil € a Manuela
TVI paga 300 mil € a Manuela FOTO: Natália Ferraz

O acordo de rescisão de contrato entre Manuela Moura Guedes e a TVI custou cerca de 300 mil euros à estação de Queluz, apurou o CM. Horas depois de o Correio da Manhã ter dado a notícia em primeira mão, ontem, a jornalista confirmou no Facebook o fim da relação com a estação de Queluz: "Faço parte, a partir de hoje, do imenso grupo de desempregados deste País."

As negociações foram longas e difíceis e foi preciso muito tempo até se chegar ao valor final, o que só foi possível no domingo. "Não posso falar sobre o acordo, tenho de respeitar uma cláusula de confidencialidade", explicou Manuela Moura Guedes. No entanto, questionada pelo CM, a jornalista limitou-se a confirmar que o valor que vai receber é "abaixo dos 500 mil euros". "Os valores anunciados por aí foram francamente exagerados", garantiu. Segundo apurou o CM, Manuela consegue metade dos 600 mil euros que terá inicialmente exigido para sair.

Do lado da TVI, João Cotrim Figueiredo, o director-geral da estação, não adianta valores, mas garante: "Mantive a convicção de que se chegaria a um entendimento, o qual, tendo sido obtido por mútuo acordo, só pode significar ter sido satisfatório para ambas as partes."

Mais de um ano depois de ter metido baixa (em 28 de Setembro de 2009), termina assim o processo que teve início em 4 de Setembro de 2009, com a extinção do ‘Jornal de 6ª’. "Era inevitável chegar a isto", diz Moura Guedes, que tem criticado os critérios editoriais de Júlio Magalhães: "Há uma filosofia da informação na qual não me integro. Não me identifico". Apesar de se dizer desempregada, Manuela não vai usufruir de subsídio de desemprego e conclui: "Se há coisa que este acordo me dá é sossego."

PERFIL

Manuela Moura Guedes, 54 anos, é natural do Cadaval. Licenciada em Direito, começou a sua carreira televisiva em 1978, na RTP, como locutora de continuidade. Dedicou-se também à música e à política. Foi deputada independente do CDS-PP. Eleita em 1995, ficou dois anos no Parlamento. Na TVI, foi afastada do ecrã em 2005 e em 2009.

"QUE ISTO LHES SIRVA DE LIÇÃO"

Agostinho Branquinho, deputado do PSD, considera que a saída de Moura Guedes "não se trata de uma questão política", logo, "não comenta". Mas diz perceber "os contornos políticos" da situação e remata: "Oxalá que a jornalista seja feliz e que a TVI também. Que isto lhes sirva de lição." Já os partidos da esquerda, PS, BE e PCP, quando contactados pelo CM, optaram por não fazer qualquer tipo de comentário, referindo que se trata de uma questão laboral.

FUTURO PODE PASSAR PELA SIC

Com a rescisão do contrato com a TVI, Manuela Moura Guedes está "livre" para assumir um novo desafio profissional. No público ou no privado, já que o acordo de rescisão não contempla qualquer cláusula que impeça a jornalista de voltar ao pequeno ecrã quando quiser. "Não tenho qualquer impedimento. Estou livre. Sou uma pessoa livre, uma coisa rara hoje em dia. Paga-se caro ser livre", diz a jornalista.

Mas se a ida para a RTP – onde a jornalista começou a sua carreira televisiva – parece um cenário difícil, já a hipótese da SIC é bem diferente. Ao CM, a jornalista disse, no entanto, não ter ainda pensado no que vai fazer: "Não falo sobre o futuro."

De resto, é pública a amizade e a admiração que Francisco Pinto Balsemão tem por Manuela Moura Guedes, com a qual nunca teve oportunidade de trabalhar. Perante este reconhecimento público, a jornalista é cautelosa a responder: "Muito me honra esse reconhecimento." Assim, pode estar aberta a porta à entrada de Manuela Moura Guedes no canal de Carnaxide. A SIC precisa de audiências, algo que Manuela sempre garantiu.

Nuno Santos, director de programas da SIC, não quis comentar a saída de Moura Guedes da TVI nem a hipótese de esta poder reforçar a equipa da SIC. Luís Marques, director-geral da estação, esteve incontactável até ao fecho desta edição.

 

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