A SIC e a TVI transmitiram em exclusivo momentos da rixa na Quinta da Fonte, em Loures. As imagens, compradas pelas duas estações, mostram indivíduos de etnia cigana envolvidos nos desacatos. José Fernandes, líder desta comunidade, levantou ontem a questão: "Não sei por que é que só mostram ciganos nas imagens."
A TVI, apurou o CM, terá pago cerca de 1800 euros pelo vídeo de um minuto, que anteontem passou no ‘Jornal Nacional’, gravado com uma câmara fotográfica. João Maia Abreu, director de Informação da estação de Queluz de Baixo, recusa comentar o assunto, dizendo apenas que "a compra de imagens é uma coisa normal".
A SIC foi a primeira estação a mostrar as imagens do tiroteio naquele bairro do concelho de Loures. Pelo vídeo a que teve acesso logo na sexta-feira terá pago muito menos do que a TVI: cerca de 200 euros. Alcides Vieira, director de Informação, rejeita contudo a palavra compra, dizendo que se trata de "uma força de expressão". "O que nós fazemos é pagar as despesas às pessoas, como o táxi ou a gasolina."
A RTP preferiu ficar de fora por entender que as imagens não eram isentas, ao mostrarem apenas um dos lados da barricada, apurou o nosso jornal.
O director de Informação da SIC não considera que isso seja um problema, já que "as imagens do cidadão têm de passar por um trabalho jornalístico de enquadramento".
"A SIC disse que só ia mostrar uma parte da história. Não enganámos ninguém", disse Alcides Vieira.
Os autores dos vídeos que a SIC e a TVI transmitiram em exclusivo não são os mesmos. Porém, em ambos apenas aparecem indivíduos de etniacigana.Mesmo quando se ouve tiros de resposta, a câmara estávirada para um só lado.
A venda de imagens não-jornalísticasé uma realidade.Há dois anos, indivíduos que participaram em corridas de carros na ponte Vasco da Gama tentaram, sem sucesso, lucrar com a venda dessas imagens.
RUI PEREIRA ELOGIA FORÇAS DE SEGURANÇA
O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, elogiou ontem o desempenho das forças de segurança nos confrontos na Quinta da Fonte, garantindo que a presença policial "dura enquanto for útil".
"Em Portugal não há uma zona onde as forças de segurança não entrem e não façam valer a ordem pública. Isso ficou mais uma vez demonstrado, em poucos minutos", sublinhou Rui Pereira. O ministro avançou ainda que está a ser construída uma esquadra da PSP em Loures, que deverá estar concluída dentro de um ano.
CÂM ARA DISPONIBILIZA PAVILHÃO EM LOURES
A Câmara Municipal de Loures vai disponibilizar um pavilhão para albergar durante os próximos quatro dias as famílias ciganas, que desde sexta-feira começaram a abandonar a Quinta da Fonte.
O CM apurou que a solução – provisória – partiu de um elemento da vereação da autarquia depois de uma maratona negocial, que juntou representantes das comunidades cigana e africana na Câmara de Loures e no Governo Civil de Lisboa.
Nas conversações estiveram também o secretário de Estado da Segurança Social, a Alta-Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural, entre outras entidades de solidariedade social.
Até à hora de fecho desta edição não foi possível apurar a localização do pavilhão, mas será no concelho de Loures.
De acordo com fonte presente nas negociações, as famílias ciganas que aceitarem esta proposta vão usufruir de refeições fornecidas por uma entidade de apoio social. ACruz Vermelha Portuguesa também deverá ajudar com o envio de cobertores e colchões.
As famílias ciganas ficarão no pavilhão apenas quatro dias, período durante o qual as várias entidades envolvidas vão tentar encontra outras soluções para alojar as pessoas, que se recusam a regressar à Quinta da Fonte.
Entretanto, as casas que foram vandalizadas serão objecto de reparações.
VINTE CASAS VANDALIZADAS EM TRÊS DIAS
Desde sábado à tarde, altura em que o segundo tiroteio assustou os moradores da Quinta da Fonte, pelo menos vinte casas de famílias ciganas – que entretanto foram deixando o bairro – foram assaltadas e vandalizadas.
Apesar da presença permanente de elementos do Corpo de Intervenção da PSP, grupos de jovens "levaram tudo o que tinha valor e destruíram o resto", disse António Pinto Nunes, presidente da Federação Cigana. "Eles moram dentro dos próprios prédios, por isso a polícia não os vê entrar. Sei que é uma minoria, mas os restante moradores encobrem os assaltos."
O regresso das famílias ciganas à Quinta da Fonte só ocorrerá após a reparação das habitações.
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