A vítima que está a ser ouvida no julgamento do processo Casa Pia assegurou ontem ao Tribunal que foi abusada por Herman José em Azeitão.
Antes de falar no nome do humorista, que havia sido colocado em cima da mesa por Ricardo Sá Fernandes, advogado de Carlos Cruz, o jovem perguntou à juíza Ana Peres se devia responder à questão que lhe havia sido colocada. Como a magistrada lhe disse que sim, ‘André’ confirmou então o que já havia dito na fase de inquérito sobre Herman.
Após a primeira resposta, Sá Fernandes insistiu no tema Herman e quis saber quem é tinha levado o antigo casapiano para Azeitão. O jovem hesitou e pediu tempo para conferenciar com os advogados que o representam, pedido a que a juíza anuiu. Dez minutos depois, José António Barreiros informa o Tribunal que o jovem não voltará a falar em Herman. E invocou o artigo 132, n.º 2, do Código de Processo Penal que diz textualmente: “A testemunha não é obrigada a responder a perguntas quando alegar que das respostas resulta a responsabilização penal”.
Assim que ouviu esta argumentação e depois de a juíza a aceitar, Sá Fernandes reagiu de imediato. E com veemência, contou quem esteve na sala grande do Tribunal de Monsanto. O advogado de Cruz, numa extensa argumentação, lembrou que a estratégia da defesa passa, essencialmente, por descredibilizar as vítimas, tendo em conta que a prova mais consistente é o depoimento delas. E deu a entender não compreender como é que o jovem poderia ter receio de ser processado por Herman José se estava a falar a verdade. Sá Fernandes rematou, sublinhando que se não puder continuar com a linha de defesa que delineou, todos os arguidos estão a ser prejudicados.
Barreiros voltou a intervir para explicar ao Tribunal que em causa não estava o facto de o jovem ter receio de ser processado pelas pessoas de quem poderia falar, mas sim por as suas declarações o poderem incriminar a ele próprio.
Apesar de já ter decidido que ‘André’ não voltaria a falar de Herman, a juíza deu por finda a audiência, invocando que ia ponderar melhor sobre o que Sá Fernandes havia dito.
‘BIBI’ VOLTOU A FALAR
Antes da polémica com o humorista, Carlos Silvino voltou a intervir no julgamento para referir ao Tribunal que esteve com ‘André’ e mais dois jovens, que identificou, na casa da Av. das Forças Armadas.
Mas corrigiu o jovem sobre a localização da porta do apartamento relacionado com os abusos de Carlos Cruz, observando que, se calhar, o esquecimento poderia resultar de alguma eventual medicação que estivesse a tomar.
CARLOS MOTA FOTÓGRAFO
‘André’ contou ao Tribunal que na casa da Avenida das Forças Armadas, em Lisboa, foi fotografado por Carlos Mota (ex-secretário pessoal de Carlos Cruz), quando estava no quarto com o apresentador.
Logo a seguir, Ricardo Sá Fernandes fez perguntas sobre a casa de Vila Viçosa, onde o jovem já referenciou Ferro Rodrigues: quis saber onde é que o jovem viu o antigo líder do PS. ‘André’ respondeu-lhe que tinha sido na parte de fora, na entrada da casa.
A moradia de Elvas também foi mencionada na 91.ª audiência do julgamento de pedofilia. Sá Fernandes questionou o jovem sobre a possibilidade de, em Elvas, haver outra casa onde alunos da Casa Pia tivessem ido para ser abusados. O chamado braço-direito de Carlos Silvino informou o Tribunal que poderá existir outro local, mas que desconhece a sua localização.
HUMORISTA NÃO COMENTA ACUSAÇÕES
“Falo sobre tudo o que quiserem, mas não faço qualquer comentário sobre esse processo”, afirmou ontem Herman José ao CM, quando confrontado com o facto de a principal testemunha ter dito ao Tribunal que foi abusado pelo humorista em Azeitão.
Herman foi acusado por um jovem, ‘A.V’, de 18 anos – que esteve sequestrado durante três dias em Agosto – de um crime de actos homossexuais com adolescentes, mas acabou por não ser levado a julgamento, por decisão da juíza de Instrução Criminal Ana Teixeira e Silva. No entanto, a vítima reiterou as acusações em julgamento, e ontem, o braço-direito de ‘Bibi’ também apontou o dedo ao comediante.
"NÃO HÁ RAZÕES PARA RECUSAR JUÍZA" (Paulo Sá e Cunha)
Paulo Sá e Cunha, advogado de Manuel Abrantes, considera que “não há motivos” para que a defesa tente retirar a juíza Ana Peres do julgamento do processo Casa Pia.
“O incidente de recusa é uma espécie de ‘bomba atómica’. Só deve ser utilizado quando existirem razões objectivas e muito ponderosas, que, no caso, não vislumbro”, afirmou o defensor de Manuel Abrantes ao CM, depois de confrontado com o facto de os advogados de defesa poderem pedir ao Tribunal da Relação que afaste Ana Peres. na sequência dos incidentes suscitados na audiência de ontem.
A decisão da magistrada ter permitido que o braço-direito de Carlos Silvino não volte a falar de Herman José, acedendo a um pedido do advogado José António Barreiros, fez com que Ricardo Sá Fernandes, ficasse muito irritado. “Saiam daqui”, disse o mandatário de Carlos Cruz aos jornalistas, enquanto apressava o passo em direcção ao carro de Serra Lopes, que igualmente se recusou a prestar qualquer declaração sobre a actuação de Ana Peres.
Também o embaixador Jorge Ritto, que habitualmente é dos primeiros a regressar a casa, fez um compasso de espera para conferenciar com a sua advogada (Olga Garcia), enquanto Carlos Cruz mostrou-se bastante pensativo encostado ao carro.
Mas a surpresa foi mesmo Sá Fernandes: apesar de raramente fazer comentários sobre o que se passa na sala de audiências, o advogado nunca antes tinha sido tão brusco para com a Comunicação Social.
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