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Vítima diz que foi abusada por Herman em Azeitão

A vítima que está a ser ouvida no julgamento do processo Casa Pia assegurou ontem ao Tribunal que foi abusada por Herman José em Azeitão.
11 de Outubro de 2005 às 13:00
Antes de falar no nome do humorista, que havia sido colocado em cima da mesa por Ricardo Sá Fernandes, advogado de Carlos Cruz, o jovem perguntou à juíza Ana Peres se devia responder à questão que lhe havia sido colocada. Como a magistrada lhe disse que sim, ‘André’ confirmou então o que já havia dito na fase de inquérito sobre Herman.
Após a primeira resposta, Sá Fernandes insistiu no tema Herman e quis saber quem é tinha levado o antigo casapiano para Azeitão. O jovem hesitou e pediu tempo para conferenciar com os advogados que o representam, pedido a que a juíza anuiu. Dez minutos depois, José António Barreiros informa o Tribunal que o jovem não voltará a falar em Herman. E invocou o artigo 132, n.º 2, do Código de Processo Penal que diz textualmente: “A testemunha não é obrigada a responder a perguntas quando alegar que das respostas resulta a responsabilização penal”.
Assim que ouviu esta argumentação e depois de a juíza a aceitar, Sá Fernandes reagiu de imediato. E com veemência, contou quem esteve na sala grande do Tribunal de Monsanto. O advogado de Cruz, numa extensa argumentação, lembrou que a estratégia da defesa passa, essencialmente, por descredibilizar as vítimas, tendo em conta que a prova mais consistente é o depoimento delas. E deu a entender não compreender como é que o jovem poderia ter receio de ser processado por Herman José se estava a falar a verdade. Sá Fernandes rematou, sublinhando que se não puder continuar com a linha de defesa que delineou, todos os arguidos estão a ser prejudicados.
Barreiros voltou a intervir para explicar ao Tribunal que em causa não estava o facto de o jovem ter receio de ser processado pelas pessoas de quem poderia falar, mas sim por as suas declarações o poderem incriminar a ele próprio.
Apesar de já ter decidido que ‘André’ não voltaria a falar de Herman, a juíza deu por finda a audiência, invocando que ia ponderar melhor sobre o que Sá Fernandes havia dito.
‘BIBI’ VOLTOU A FALAR
Antes da polémica com o humorista, Carlos Silvino voltou a intervir no julgamento para referir ao Tribunal que esteve com ‘André’ e mais dois jovens, que identificou, na casa da Av. das Forças Armadas.
Mas corrigiu o jovem sobre a localização da porta do apartamento relacionado com os abusos de Carlos Cruz, observando que, se calhar, o esquecimento poderia resultar de alguma eventual medicação que estivesse a tomar.
CARLOS MOTA FOTÓGRAFO
‘André’ contou ao Tribunal que na casa da Avenida das Forças Armadas, em Lisboa, foi fotografado por Carlos Mota (ex-secretário pessoal de Carlos Cruz), quando estava no quarto com o apresentador.
Logo a seguir, Ricardo Sá Fernandes fez perguntas sobre a casa de Vila Viçosa, onde o jovem já referenciou Ferro Rodrigues: quis saber onde é que o jovem viu o antigo líder do PS. ‘André’ respondeu-lhe que tinha sido na parte de fora, na entrada da casa.
A moradia de Elvas também foi mencionada na 91.ª audiência do julgamento de pedofilia. Sá Fernandes questionou o jovem sobre a possibilidade de, em Elvas, haver outra casa onde alunos da Casa Pia tivessem ido para ser abusados. O chamado braço-direito de Carlos Silvino informou o Tribunal que poderá existir outro local, mas que desconhece a sua localização.
HUMORISTA NÃO COMENTA ACUSAÇÕES
“Falo sobre tudo o que quiserem, mas não faço qualquer comentário sobre esse processo”, afirmou ontem Herman José ao CM, quando confrontado com o facto de a principal testemunha ter dito ao Tribunal que foi abusado pelo humorista em Azeitão.
Herman foi acusado por um jovem, ‘A.V’, de 18 anos – que esteve sequestrado durante três dias em Agosto – de um crime de actos homossexuais com adolescentes, mas acabou por não ser levado a julgamento, por decisão da juíza de Instrução Criminal Ana Teixeira e Silva. No entanto, a vítima reiterou as acusações em julgamento, e ontem, o braço-direito de ‘Bibi’ também apontou o dedo ao comediante.
"NÃO HÁ RAZÕES PARA RECUSAR JUÍZA" (Paulo Sá e Cunha)
Paulo Sá e Cunha, advogado de Manuel Abrantes, considera que “não há motivos” para que a defesa tente retirar a juíza Ana Peres do julgamento do processo Casa Pia.
“O incidente de recusa é uma espécie de ‘bomba atómica’. Só deve ser utilizado quando existirem razões objectivas e muito ponderosas, que, no caso, não vislumbro”, afirmou o defensor de Manuel Abrantes ao CM, depois de confrontado com o facto de os advogados de defesa poderem pedir ao Tribunal da Relação que afaste Ana Peres. na sequência dos incidentes suscitados na audiência de ontem.
A decisão da magistrada ter permitido que o braço-direito de Carlos Silvino não volte a falar de Herman José, acedendo a um pedido do advogado José António Barreiros, fez com que Ricardo Sá Fernandes, ficasse muito irritado. “Saiam daqui”, disse o mandatário de Carlos Cruz aos jornalistas, enquanto apressava o passo em direcção ao carro de Serra Lopes, que igualmente se recusou a prestar qualquer declaração sobre a actuação de Ana Peres.
Também o embaixador Jorge Ritto, que habitualmente é dos primeiros a regressar a casa, fez um compasso de espera para conferenciar com a sua advogada (Olga Garcia), enquanto Carlos Cruz mostrou-se bastante pensativo encostado ao carro.
Mas a surpresa foi mesmo Sá Fernandes: apesar de raramente fazer comentários sobre o que se passa na sala de audiências, o advogado nunca antes tinha sido tão brusco para com a Comunicação Social.
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