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Correio da Manhã

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Guida Maria, uma carreira de ousadia e sorrisos

Atriz estreou-se no teatro aos sete anos e trabalhou no palco, na TV e cinema.
José Carlos Marques e Lusa 2 de Janeiro de 2018 às 12:36
Guida Maria
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As gargalhadas estridentes de Guida Maria não voltam a ouvir-se. A atriz de 67 anos morreu esta terça-feira em Lisboa, vítima de uma dura batalha contra o cancro, que perdeu.

Escolheu sempre aproveitar a vida ao máximo. "Fumo imenso, digo alguns palavrões de vez em quando, odeio tudo o que seja desporto, nem corro para o autocarro. Não tenho fórmulas. Sou um excelente garfo", confessou numa entrevista à escola de artistas FAME, em 2012.

Guida Maria, filha do ator Luís Cerqueira, nasceu em Lisboa em 1950. E logo em 57 estreou-se no teatro, na peça 'Fogo de Vista', de Ramada Curto. Estudou teatro no conservatório nacional, ao mesmo tempo em que entrava noutras peças produzidas por Vasco Morgado, e completou a formação em Nova Iorque, na academia de artes dramáticas e no famoso Actor's Studio.

Os 'Monólogos da Vagina' ou 'Sexo Sim, Mas com Orgasmo' foram dois dos espetáculos que levou a palco com grande sucesso, ousando falar de sexo no feminino de uma forma até aí pouco comum em Portugal.

Mãe de Pedro e da atriz Julie Sargeant (filha da relação com o músico Mike Sargeant), não escondeu as dificuldades de ser mãe aos 17 e aos 20 anos.

"Fui mãe com 17 anos, ninguém quer ser mãe com 17 anos, aquilo é uma chatice, agora dá de mamar, agora dá o biberão, agora a criança berra, agora não dorme, olha agora está com cólicas, depois a Julie nasceu eu tinha 20 anos, mas eu tinha uma profissão ?e na altura trabalhava­-se À séria, eu ia para o teatro ás duas da tarde e saía ás duas três da manhã e o que é que eu fazia ás crianças?", contou ao portal Sapo, numa entrevista.

No tatro colecionou sucessos como 'O Milagre de Anne Sullivan' (1962), encenada por Luís Sttau Monteiro. Entre 1978 até à sua extinção (em 1998), foi atriz da Companhia Residente do Teatro Nacional D. Maria II. 

Em televisão, fez  telefilmes, comédia (entrou em vários programas com Nicolau Breyner) e telenovelas. O seu último trabalho foi em 'A Única Mulher', na TVI, em 2016.

Carreia multifacetada
Guida Maria foi sempre uma mulher disposta a derrubar barreiras. Ainda antes do 25 de Abril de 1974, a atriz entrou em "A Promessa", uma adaptação de António de Macedo de uma peça de Bernardo Santareno, na qual protagonizou o primeiro nu integral do cinema português. O filme de 1973 foi exibido em vários festivais, nomeadamente em Cannes.

Ainda na década de 1970 foi convidada a integrar o Teatro Nacional D. Maria II, onde permaneceu até aos anos 1990, tendo entrado em peças como "O leque de Lady Windermere", "Maria Stuart", "Slag" e "Sherley Valentine", o primeiro de vários monólogos que protagonizou na carreira.

Durante esse período no teatro nacional, Guida Maria fez uma pausa em 1980 e, com uma bolsa de estudos, entrou na American Academy of Dramatic Art, em Nova Iorque, e fez vários 'workshops' na Actors Studio.

Além de "Sherley Valentine", Guida Maria ficou conhecida por outros monólogos como "Andy & Melissa" (2001), "Zelda" (2004), "Stôra Margarida" (2006) e "Sexo? Sim, mas com orgasmo" (2010).

O maior sucesso de carreira, com vários meses em cena e reposições, terá sido a peça "Os monólogos da vagina", de Eve Ensler, que estreou no Casino do Estoril em 2000.

A telenovela brasileira "O bem amado", da TV Globo, a novela portuguesa "Passerelle", as séries "Nico d'Obra" e "Riscos", e os filmes "O barão de altamira", de Artur Semedo, e "No dia dos meus anos", de João Botelho, são outras produções em que participou.

Em 2009 lançou uma autobiografia, "Guida Maria - Uma vida".
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