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Correio da Manhã

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Adeus popular a Nicolau Breyner

Milhares de pessoas presentes na despedida do ator.
Rebeca Venâncio 14 de Março de 2016 às 16:30
Ator e realizador tinha 75 anos.

(Notícia em atualização permanente desde segunda-feira, dia 14 de março)

A urna, contendo o corpo do ator Nicolau Breyner, coberta pela bandeira nacional, já chegou ao cemitério do Alto de São João, entre aplausos de milhares de pessoas.

No Largo da Estrela, o trânsito esteve interrompido.












Muitas pessoas aplaudiram e acenaram com lenços brancos, enquanto a urna foi colocada no carro funerário, que a transportou para o cemitério do Alto de S. João.

Ao longo da manhã e princípio da tarde desta quarta-feira, foram várias as personalidades e anónimos que se deslocaram à Basílica para prestar uma homenagem ao ator, sobre o qual repetiram os elogios: "Grande artista", "homem generoso", "grande amigo", "artista versátil", "homem que tanto ria como chorava" e "generoso com os colegas".

"Portugal está de luto", disse o arquiteto Troufa Real, que se deslocou à Basílica da Estrela, com o ministro da Cultura, João Soares, que afirmou: "O arquiteto sintetizou tudo o que se pode dizer sobre este grande artista".

Entre atores e colegas de palco, pela Basílica da Estrela passaram António Calvário, que contracenou com Nicolau Breyner em dois filmes, Sarilho de fraldas e O diabo era outro, o cantor Vítor Espadinha, os locutores de televisão Eládio Clímaco, Helena Ramos e Nuno Eiró, o encenador Filipe la Féria, os atores Tiago Teotónio Pereira, Diana Monteiro, Fernanda Serrano, Pedro Lima, Margarida Marinho, Virgílio Castelo, Tozé Martinho, Rui Mendes, o fadista João Braga, o cantor Vitorino e o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Pedro Santana Lopes.

O presidente do Sport Lisboa e Benfica, Luís Filipe Vieira, foi outra das personalidades a deslocar-se à Basílica da Estrela.












O público aguardou, nas escadarias da Basílica, em grande silêncio, ouvindo-se dizer, com regularidade, que Nicolau Breyner era como um famiiar.

"Não é o facto apenas de ele nos entrar todos os dias em casa e de ter crescido com ele, que me faz senti-lo como familiar, era pela amplitude humana que ele sempre entregou a cada uma das suas personagens e a forma como se afirmava no meio do espectáculo, que olhava para ele sempre como alguém da minha família", disse Tiago Moura, de 26 anos.

Os serviços funerários reuniram, em quatro carretas, centenas de coroas - uma das quais da Presidência da República - , ramos e muitas flores isoladas, que as pessoas foram colocando junto à urna.

A Polícia de Segurança Pública reforçou o dispositivo no Largo da Estrela.












Encontrado morto pela ex-mulher
O ator Nicolau Breyner morreu, na segunda-feira, aos 75 anos, vítima de ataque cardíaco. O corpo do ator foi encontrado em casa, por volta das 15h00, depois de Nicolau Breyner não ter aparecido na sua escola, a Nicolau Breyner Academia, nem atender os telemóveis.

Foi Cláudia Fidalgo Ramos, ex-mulher de Nicolau Breyner e mãe das suas duas filhas – Mariana de Melo Breyner Lopes e Constança de Melo Breyner Lopes –, quem encontrou o corpo do ator em casa.

O INEM, que esteve no local, admite que a morte tenha ocorrido durante a noite.

As aulas na Nicolau Breyner Academia, onde o ator lecionava, foram canceladas. O ator ia viajar para o Brasil, na quarta-feira, para participar num filme.












Assembleia Municipal de Lisboa aprova voto de pesar

A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) aprovou esta terça-feira, por unanimidade, um voto de pesar pela morte de Nicolau Breyner, acentuando que o ator e realizador "deixa saudades e um enorme vazio".

"Generoso e de coração aberto, Nicolau deixa saudades e um enorme vazio, não só entre os colegas, amigos e família, mas também em todos os públicos que tocou, sobretudo através do pequeno ecrã", refere o voto apresentado pela presidente da AML, Helena Roseta.

A nota considera que "a morte repentina de Nicolau Breyner, aos 75 anos de idade, provocou uma grande comoção em todo o país".

"Com a sua morte, todos nós, de uma maneira ou de outra, perdemos alguém", vinca Helena Roseta.

Após a votação do voto de pesar, os deputados municipais homenagearam Nicolau Breyner com um minuto de silêncio. O voto relembra também o percurso profissional de Nicolau Breyner.

"Ator inteligente e popular, alentejano orgulhoso da sua origem, dotado de grande criatividade e de um enorme carisma, Nicolau percorreu todas as etapas de uma carreira teatral e cinematográfica, desde ator a encenador, diretor de atores, produtor e realizador", lê-se no documento.

O voto de pesar refere, ainda, a escola de atores criada por Nicolau Breyner, bem como a sua envolvência "em combates cívicos", fazendo referência à sua candidatura à Câmara Municipal de Serpa, em 1993.










 

Serpa vai atribuir nome do ator a cineteatro municipal
Câmara de Serpa, no Alentejo, a terra natal de Nicolau Breyner, que faleceu na segunda-feira, anunciou esta terça-feira que vai atribuir o nome do ator ao cineteatro da cidade, após as obras de requalificação do edifício.

Nicolau Breyner, "embaixador de Serpa e do Alentejo, homem de artes e da cultura", "permanecerá ligado" à cidade, "relação que a câmara municipal pretende enaltecer, propondo atribuir o seu nome ao cineteatro municipal, após obras de requalificação", refere a autarquia, num comunicado enviado esta terça-feira à agência Lusa.

Na segunda-feira, em declarações à Lusa, o presidente da Câmara de Serpa, Tomé Pires, disse ter recebido com "choque" e "grande sentimento de perda" a notícia da morte de Nicolau Breyner, natural do concelho alentejano e do qual "nunca se desligou".

"É com grande sentimento de perda que damos conta desta notícia. Acaba por ser sempre um choque e, logicamente, que o concelho de Serpa", tal como "o Alentejo e o país, fica sempre um pouco mais pobre", afirmou o autarca.

Segundo Tomé Pires (CDU), apesar de Nicolau Breyner se ter dedicado, enquanto, ator, realizador e produtor, a "uma atividade profissional que exige muito das pessoas", não perdeu os laços à sua terra natal.

"Ele, ainda assim, nunca se desligou da sua terra natal, do seu concelho, das suas gentes e isso é de facto de louvar", elogiou, referindo que Nicolau Breyner, "sempre que possível, estava por Serpa" e, "muitas vezes", colaborou com a câmara, "em muitas situações" e "em muitos projetos conjuntos".

"Logicamente que é um sentimento de perda que temos aqui no nosso concelho, em primeiro lugar pela pessoa e, depois, por todo o seu trabalho", acrescentou o presidente do município.

Apesar do tempo passado em Lisboa, Nicolau Breyner nunca esqueceu o Alentejo e cumpriu funções políticas na região.

Nos anos 1990, candidatou-se à Câmara de Serpa, pelo CDS-PP, e assumiu funções como vereador.

Crise no casamento com Mafalda Bessa

Recorde-se que Nicolau Breyner também foi casado com Mafalda Bessa, de 47 anos, num matrimónio que durou nove anos. O casamento chegou ao fim em julho de 2015.

A crise na relação do casal agudizou-se quando a produtora criticou publicamente a atriz Fernanda Serrano. Nicolau Breyner saiu em defesa da colega e amiga, o que deixou Mafalda incomodada.

"Tenho a certeza de que não deve ser pera doce ter uma relação com alguém como eu", disse o ator na altura.

Cruzou atualidade e época colonial em filme
Enquanto realizador, Nicolau Breyner iniciou, em março de 2015, a rodagem do filme A Ilha, em São Tomé e Príncipe, com um enredo que cruzava a atualidade e a época colonial.

A obra, cuja produção teve a participação especial do autor são-tomense Ângelo Torres, contou com a calma e a beleza natural do arquipélago, as suas gentes e particularmente o verde exuberante das ilhas que, de acordo com o realizador, compuseram os cenários do filme.


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