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Morte de ator gera revolta e dor

José Boavida morreu esta terça-feira, aos 51 anos.
Rita Montenegro e Rute Lourenço 27 de Janeiro de 2016 às 20:24
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José Boavida tinha 51 anos e dedicou mais de 30  à representação
José Boavida tinha 51 anos e dedicou mais de 30 à representação FOTO: João Miguel Rodrigues
Já passava da meia-noite de terça-feira quando José Boavida morreu, aos 51 anos. O ator estava internado no hospital Amadora-Sintra, desde o passado dia 7, na sequência de uma paragem cardiorrespiratória, que sofreu após um jantar com amigos, em Queluz.

No entanto, os contornos do socorro a José Boavida continuam por esclarecer. A família acusa o INEM de negligência e, por isso, pediu que fosse feita uma autópsia para apurar as causas da morte. Ao CM, a filha do ator fez saber: "Os médicos dizem que o meu pai esteve demasiado tempo em paragem respiratória. O INEM demorou muito tempo a chegar ao local. Foram feitas duas chamadas, a primeira às 23h50, mas o meu pai só chegou ao hospital uma hora depois".

Também o irmão do ator, Gabriel Boavida, tem sido a voz da revolta. "Quem nos garante que se a VMER do hospital Amadora-Sintra existisse, como está previsto na lei, o Zé não estaria numa enfermaria sem lesões, em vez de ter ficado com lesões irreversíveis? Estava apenas a 1900 metros do hospital Amadora-Sintra, sendo que a ambulância que lhe prestou auxílio veio de São Francisco Xavier, que fica a 11 quilómetros. Estamos em choque e indignados", escreveu nas redes sociais.

No passado dia 7, à noite, José Boavida deixava o restaurante, onde tinha jantado, em Queluz, e dirigia-se para o seu carro, quando se sentiu mal. Caiu inanimado e foram populares que acabaram por encontrá-lo no chão, ligando, de imediato, para o INEM. Porém, este organismo chamou os Bombeiros de Queluz que, depois de assistirem José Boavida, acionaram uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) por necessitarem de meios de suporte de vida avançados. No entanto, como o hospital Amadora-Sintra – o mais perto do local – não tem essa viatura, apesar de ser obrigatória por lei – acabou por ser a do Francisco Xavier, a responder. Transportado para o Amadora-Sintra, o ator foi colocado em coma induzido, onde permaneceu até às 00h30 de ontem, quando foi declarado o óbito.

Até ao fecho desta edição continuavam por marcar as cerimónias fúnebres em homenagem a José Boavida, que morreu aos 51 anos.

Ator e encenador fez carreira nos palcos e televisão
No papel de Manuel, único mecânico da aldeia, José Boavida tornou-se uma das personagens mais populares de ‘Bem- -vindos a Beirais’, série em exibição na RTP 1 desde 2013.

Livre das gravações da estação pública desde junho do ano passado, tempo em que "fez o luto" deste projeto, o ator preparava-se agora para começar a dar formação teatral e gravar uma participação na novela da SIC, ‘Coração d’Ouro’.

José Boavida, que no ano passado celebrou 30 anos de carreira, nasceu em Castelo Branco. Em 1984, começou a representar no teatro amador e em 1992 estreou-se como profissional na companhia A Barraca. O ator colaborou vários anos com o grupo Altacena, na Associação Cultural Guilherme Cossoul, no qual se destacou também como encenador. Trabalhou ainda com o Teatro Infantil de Lisboa.

José Boavida estreou-se na televisão em 1993 com a novela ‘Telhados de Vidro’, de Rosa Lobato de Faria. Seguiu-se ‘Verão Quente’ e, mais recentemente, participou em ‘Dancin’Days’ e ‘Sol de Inverno’.

Em 2012, integrou o elenco de ‘O Grande Kilapy’, filme baseado em factos reais que conta a história de um angolano que burlou o Estado português durante o período colonial.
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