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Correio da Manhã

Santo António em casa
Santo António em casa O santo casamenteiro que fica virado de cabeça para baixo na casa das raparigas que procuram encontrar a cara-metade vai ser celebrado este ano de forma diferente. A pandemia de coronavírus transformou as festas de Santo António e as sardinhas serão saboreadas longe das multidões e dos arraiais sobrarão apenas memórias. Longe dos bairros, o CM propõe uma visita virtual ao Santo António. Em casa e em segurança
Textos Daniela Vilar Santos | Grafismo Catarina Carvalho | Vídeo Catarina Cruz, Liliana Gonçalves e Mariana Margarido e arquivo CMTV | Edição de vídeo Liliana Gonçalves e Mariana Margarido | Vídeografismo Liliana Gonçalves e Lourenço Ramos | Webdesign Edgar Lorga e João Silva | Fotos CM e Arquivo Municipal de Lisboa

Sabia que as marchas saem à rua há mais de 80 anos?

Foi em 1932 que, com o objetivo de revitalizar o lisboeta Parque Mayer, alguns bairristas se juntaram e desfilaram no Capitólio. O vencedor foi o bairro de Campo de Ourique que, com os seus trajes minhotos, competiu com o Alto do Pina e o Bairro Alto. Dois anos depois, 300 mil pessoas assistiram ao desfile de 12 bairros e 800 marchantes, desde o Terreiro do Paço até ao Parque Eduardo VII. Em 1935 definiu-se o número de marchantes, de músicos e de acompanhantes. Foi a primeira vez que todas as marchas cantaram juntas “Lá Vai Lisboa”. Nos anos 50 as marchas começam a ser apadrinhadas por famosos da rádio e do teatro e começam a ser assistidas pelos mais altos dirigentes do Estado. Já nos anos 60 começam as exibições em recinto fechado, no Pavilhão dos Desportos, no Parque Eduardo VII. No início dos anos 70, há um declínio das marchas populares que se extinguiram mesmo depois do 25 de Abril por estarem associadas ao Estado Novo. Em 1980 a avenida da Liberdade volta a ganhar cor e as marchas voltam a alegrar os lisboetas até aos dias de hoje.

Marchas
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As sardinhas!

A sardinha é o prato dos portugueses no Santo António, mas também no São João e no São Pedro. A relação entre esta espécie tão apreciada em Portugal com as celebrações do 13 de junho é desconhecida.

Sendo a primavera a época alta da sardinha, é provável que se tenha tornado também no prato preferido nas festas dos Santos Populares por existir em mais abundância


Arlindo Lourenço, empregado do restaurante Mestre André, em Alfama, explicou ao CM o segredo de grelhar as sardinhas e ainda como fazer a saladinha de pimento que também não falta à mesa nos Santos Populares.

Concurso gráfico de sardinhas promovido pela EGEAC

Da pandemia ao ambiente, passando pelas festas lisboetas (à janela), quase tudo serviu de inspiração para as sardinhas vencedoras deste ano, três portuguesas e três internacionais (oriundas da Turquia, Itália e Canadá). O Concurso de Sardinhas das Festas de Lisboa, promovido pela EGEAC, este ano também é diferente. Veja aqui as principais propostas a concurso.

Concurso gráfico de sardinhas
Concurso gráfico de sardinhas
Concurso gráfico de sardinhas
Concurso gráfico de sardinhas
Concurso gráfico de sardinhas
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Concurso gráfico de sardinhas
Concurso gráfico de sardinhas
Concurso gráfico de sardinhas
Concurso gráfico de sardinhas
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História

A primavera é uma época associada ao amor e com um Santo cuja ‘especialidade’ é arranjar casamentos, nada melhor que “a erva dos namorados” para adoçar a boca da amada. A tradição conta que os rapazes compravam o manjerico num pequeno vaso e o ofereciam às raparigas.

Pode-se ou não cheirar o manjerico?

Dizem que cheirar um manjerico pode matar a planta e que por isso devemos afagá-la com a mão. Não passa de um mito e, por isso, não é verdade. No entanto, é importante ter em conta que a planta dá-se mal com a proximidade do álcool e do alho e que, por isso, não se dá bem com o... mau hálito.

Enquanto os bairros cantarem
Enquanto houver arraiais
Enquanto houver Santo António
Lisboa não morre mais
Hoje é dia de Santo António
E das marchas populares
A seguir o São João
São pessoas aos milhares
No Santo António
E no S. João
Como as sardinhas
E deixo o pão
Santo António de Lisboa
Era um grande pregador
Mas é por ser Santo António
Que as moças lhe têm amor
Podar as flores mal comecem a nascer
Deixá-lo num sítio onde haja muita luz, mas cuidado com a exposição ao calor intenso
Colocá-lo num prato com água para manter a humidade. Nunca regue as folhas
Deve regar sempre de manhã ou ao fim do dia (nunca nas horas de muito calor)
Transplantar o manjerico para um vaso de barro para que as raízes respirem e não haja acumulação de fungos
Manjerico Manjerico

Histórias dos famosos

Desde o vestido de 25 quilos para descer a Avenida da Liberdade, ao barulho das ruas que não deixa dormir os moradores até à noite das melhores sardinhas e ao abraço de Marcelo Rebelo de Sousa. Os famosos recordam aqui as melhores peripécias das noites de Santo António.

José Cid
Maya
Nuno Eiró
Lura
Nilton
Raquel Strada
Tito Paris

Arraiais em Lisboa

Num ano atípico, em que a pandemia do coronavírus impede a realização dos Santos Populares na forma que conhecemos, há quem nunca esqueça a alegria dos bairros, o cheiro da sardinha assada e a música a ecoar nas ruas da cidade.


Muitos são os portugueses e estrangeiros que se juntam em Lisboa para celebrar o espírito dos Santos Populares. Compra-se o manjerico, bebe-se e aplaude-se as marchas que descem a Avenida da Liberdade.


Com a Covid-19 não há festas nem romarias. No entanto, há quem prometa fazer a festa… em segurança.


Este ano em Alfama não haverá Santos Populares na forma tradicional, mas os moradores garantem que “Alfama não vai morrer sem os Santos” e lembram que as pessoas “vivem o bairro, respiram o bairro” e que por isso a festa será feita na mesma, mas com as devidas regras.

Casamentos de Santo António

Os famosos casamentos de Santo António aconteceram pela primeira vez em 1958 com 26 casais a dar o nó na Igreja de Santo António, em Lisboa. O objetivo era possibilitar o casamento a namorados com maiores dificuldades financeiras.

O 25 de Abril acabou com a tradição que, 30 anos depois, foi recuperada pela Câmara Municipal de Lisboa, e que dura até aos dias de hoje.

Os tronos de Santo António nasceram em 1755 com o terramoto. Talvez uma das tradições mais antigas dos Santos Populares, os altares domésticos eram confecionados para honrar e homenager o santo casamenteiro e advogado das causas perdidas.
Os primeiros tronos foram construidos como forma de pedir esmolas para a reconstrução da igreja de Santo António, parcialmente destruída no sismo.

Do edifício original da igreja sobreviveu a cripta e por baixo desta, segundo a tradição, ficaram os escombros da casa dos pais de Santo António. Foi com o dinheiro das esmolas deixadas nos tronos que se começou a reconstruir a igreja, em 1767.
Os tronos de Santo António
Os tronos de Santo António
Os tronos de Santo António
Os tronos de Santo António

Santo António

Foi batizado com o nome Fernando de Bulhões e era amigo de São Francisco de Assis. É um dos santos mais populares da Igreja Católica.

Diz a tradição que no século XVII uma mulher desesperada por encontrar marido terá atirado a estátua do Santo António pela janela e que esta atingiu a cabeça de um soldado que passava na rua. No momento em que o foi socorrer, o casal apaixonou-se e acabaram por casar.

Mito ou realidade, o que importa é a crença e a recordação de outros tempos

Santo António de outros tempos
Santo António de outros tempos
Santo António de outros tempos
Santo António de outros tempos
Santo António de outros tempos
Santo António de outros tempos
Santo António de outros tempos
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