Correio da Manhã

Antibióticos do futuro
Foto Direitos Reservados
Por João Ferreira | 12:30
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Bolsa milionária do Conselho Europeu de Investigação é um selo de qualidade para a ciência portuguesa.

Doze pessoas morrem por dia em Portugal por causa de infeções hospitalares. Sete vezes mais do que o número de mortes nas nossas estradas. Estas infeções são provocadas por bactérias em que basta que apenas uma sobreviva aos antibióticos para que em muito pouco tempo se reproduza e forme um autêntico exército resistente.

A química Mariana Pinho, do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB), recebeu 2,6 milhões de euros da União Europeia para estudar o ciclo celular destes microrganismos, para ajudar a desenhar no futuro novos antibióticos.

"Há muitas bactérias que adquirem o que se chama elementos móveis de ADN, que são fragmentos mais pequenos que passam muito facilmente de uma bactéria para outra", garante a cientista, reforçando que "é assim que elas passam a informação da resistência a antibióticos de umas para as outras".

Esta bolsa do Conselho Europeu de Investigação, a segunda que Mariana ganha, além de permitir contratar investigadores altamente qualificados, serve também para comprar equipamento imprescindível para fazer este trabalho.

Receber este tipo de financiamento do programa de investigação e inovação da União Europeia, o Horizonte 2020, é um autêntico selo de qualidade para a ciência portuguesa. Só em 2017, oito dos 329 investigadores seniores de toda a Europa galardoados com este fundo trabalhavam em Portugal.

Isto quer dizer que dos 630 milhões de euros distribuídos por todos, mais de 16 milhões estão a ser aplicados em projetos nacionais. Valores que Carlos Moedas, Comissário europeu da Ciência e Tecnologia, acredita que vão aumentar este ano.

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