Correio da Manhã

Enfermeiras e Enfermeiros
Foto Direitos Reservados
Por Maria Filomena Mónica | 13:30
  • Partilhe
É bom que reflitam sobre o quotidiano de quem, muitas vezes em condições horríveis, trata dos nossos corpos.

Quem tenha a minha idade, passou certamente por hospitais públicos. Guardo deles recordações variadas: boas, no caso do Hospital Dª Estefânia, que tratou uma das minhas netas após ela ter contraído uma doença gravíssima, e más, no caso do internamento da minha mãe, que sofria de Alzheimer, no Hospital dos Capuchos.

Poder-me-ão dizer que quem trabalha no SNS se terá apercebido de pertencer eu à classe média, mas note-se que este facto pode ter efeitos perversos. Se a maioria reagiu com simpatia à minha angústia, houve quem, talvez por ressentimento social, me tornou a vida mais difícil.

Em 1968, tinha eu 25 anos, fui internada no IPO (Instituto Português de Oncologia) de Lisboa para a remoção de um tumor. Passados cinquenta anos, estou a ser tratada, em regime ambulatório, num hospital privado, a CUF Descobertas. Não pensem que o escolhi por ser privado. Como no público, há boas e más instituições.

No meu caso, limitei-me a seguir a opinião do meu médico de clínica geral. Por eu ter descontado para a ADSE (Assistência na Doença aos Servidores do Estado!) durante 40 anos, podia ter acesso, de forma quase gratuita, a uma equipa considerada excelente no tratamento do meu cancro.

Optei por seguir à risca as indicações do meu oncologista. Ele não é dado a conversas, pelo que estas aconteceram sobretudo quando eu estava deitada no Hospital de Dia.

PUBLICIDADE
Nessas longas sessões de quimioterapia jamais me senti desamparada. Não apenas por ter o marido a meu lado, mas por ter sido acompanhada por enfermeiras e enfermeiros – sim, agora também os há - cuja bondade excede tudo quanto eu possa dizer.

Quem está de fora, não sabe o que é a vida destes profissionais. Agora, que os observei de perto, fiquei com um respeito imenso por eles. Como em todas as classes, existirão ovelhas ranhosas, mas, a ser o caso, não as encontrei.

Numa altura em que se discutem os seus ordenados e os seus horários é bom que os meus compatriotas reflitam sobre o quotidiano de quem, muitas vezes em condições horríveis, trata dos nossos corpos.

Siga o CM no Facebook.

  • Partilhe
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE