Barra Cofina

Correio da Manhã

Mais CM
8

40 anos a levar Portugal ao mundo

‘Hercules’ da Força Aérea já fizeram mais de 78 mil horas de voo transportando carga e um milhão de passageiros para quase todos os países.
Sérgio A. Vitorino 17 de Junho de 2018 às 14:05
Hercules C-130
Hercules C-130
Hercules C-130
Hercules C-130
Hercules C-130
Hercules C-130
"Seguramente, em todos os continentes. E serão poucos os países onde não estivemos em missão." Paulo Fernandes, sargento ajudante e mecânico de voo, está na esquadra 501 há duas décadas - metade dos 40 anos que os aviões C-130 celebram ao serviço da Força Aérea Portuguesa (FAP). Segue na cadeira atrás dos pilotos, com a função de controlar a saúde dos motores e de outros sistemas de voo para manter a 100% o maior e mais carismático avião da FAP.

Os ‘Hercules’ têm quatro motores, com 5 mil cavalos cada. Levam Portugal a qualquer ponto do Mundo, cumprindo o lema ‘Onde Necessário, Quando Necessário’. Já fizeram mais de 78 mil horas de voo no transporte de material e pessoal. Mais de um milhão de passageiros, muito deles com "meio bilhete", ou seja, paraquedistas. Boa parte passou pelo olhar atento de Jorge Pereira, sargento ajudante, com 16 anos de C-130. Manda na área de carga. "As nossas missões dividem-se em transporte aéreo geral (de A para B e carregar e descarregar com os motores parados) e a componente tática (o mesmo, mas com os motores a funcionar), onde incluímos os lançamentos de paraquedistas e equipamentos", explica.

A base da 501, os ‘Bisontes’, é no Montijo. É de lá que partem para as mais variadas missões. Destacam o apoio a emergências civis, como o transporte de socorristas, equipamentos e uma ponte militar para a Madeira no aluvião de 2010. Combateram incêndios até 1993 (missão à qual ainda não se sabe se vão regressar). Resgataram uma centena de portugueses afetados pelo furacão ‘Irma’, nas Caraíbas, em 2017. "A meio da viagem, percebi uma comoção na área de carga. Fui ver o que era e as pessoas começaram a cantar o Hino Nacional. Senti que estávamos a fazer a diferença", diz o capitão David Quina, piloto de C-130 desde 2011.

Outras missões passam pelo transporte de dinheiro para as ilhas, de animais para zoológicos e dos diversos ‘papamóveis’. Mas há missões menos românticas e "classificadas". Mali e Afeganistão foram desafios militares, com aterragens em pistas improvisadas sob a iminência de ataques. Uma missão pode começar a ser preparada com semanas de antecedência. No dia, Paulo Fernandes é o primeiro a chegar, duas horas antes, para inspecionar a aeronave com o apoio do 2.º mecânico, que segue no compartimento de carga.

Dezenas de militares compõem as equipas de manutenção em terra, que trabalham sem descansar para manter operacionais os C-130. "Não sendo moderna é uma aeronave muito capaz", diz Quina. "Continua a ser muito fiável", assegura Tiago Lobo, navegador. "Está aqui com saúde", afirma Jorge Pereira.

Podem continuar

Foi aprovada uma modernização modesta que vai permitir aos C-130 voar sem limitações no espaço aéreo europeu, o que não acontece agora. Em 2021 devem ser substituídos pelos KC390. O seu futuro fica dependente de decisão política.
C-130 Força Aérea Portuguesa KC390 Afeganistão FAP
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)