Barra Cofina

Correio da Manhã

Mais CM
5

A ARTE DAS JÓIAS CARTIER

A Cartier é proprietária de uma colecção de jóias que nenhuma seguradora do mundo anseia segurar. Berlim, a cidade do futuro, ousou mostrar a mais valiosa colecção de joalharia de sempre
12 de Julho de 2002 às 17:47
A ARTE DAS JÓIAS CARTIER
Nada podia contrariar a minúcia conceptual daquele espaço. O objectivo era mostrar 200 jóias das 1200 que compõem a Colecção de Arte da Cartier no Vitra Design Museum Berlin, o mais prestigiado museu de design do mundo.

Ettore Sotsass, considerado pelos peritos, como um dos maiores designers de sempre, aceitou o desafio apesar da sua especialidade poder ser apreciada no campo do imobiliário e do design de interiores.

“É um verdadeiro acontecimento cultural”, explicaram-nos. Ettore apesar de ser um dos maiores designers vivos nunca trabalhou com a joalharia. Por isso, ele próprio considerou esta exposição como um autêntico desafio.

“Quando contactei pela primeira vez com estas peças de arte fiquei obviamente estupefacto. Foi preciso uma mesa de mais de três metros para eu observa-las uma a uma. A Colecção de Arte Cartier tem mais de mil peças. Escolhê-las e classificá-las levou mais de dois anos”, contou-nos o designer.

Num espaço arquitectónico frio e sobretudo rígido, como é o do Vitra Design Museum Berlin, Ettore Sottsass quis teimosamente mostrar como a Cartier conseguiu ao longo da sua história sintetizar luxo e descrição. Como fazê-lo? Perguntavam atónitos os museólogos.

“Quando comecei a trabalhar esta exposição houve uma ideia que nunca mais me abandonou, foi justamente a de um bosque inundado por borboletas onde na escuridão absoluta o que se destaca é o brilho destes animais”, explica este criador.

Como recriar então a ideia de um bosque dentro de uma antiga fábrica de electricidade? Para o designer tudo pareceu, aliás, muito simples. Imagine umas vitrinas em forma de rectângulo, sensivelmente com um metro de altura, envoltas em pano negro, elas mesmas completamente negras apenas com uma luz direccionada à jóia. Tudo isto num espaço imerso numa absoluta escuridão.

“É a luz que torna esta exposição maravilhosa”, comenta o Director de Arte da Cartier. «Se repararem», explicou aos jornalistas, “a luz vai realçar as peças em função do modo como Ettore quis abordá-las. Aqui, por exemplo, entendeu dar ênfase à matéria-prima, por isso, a luz está directamente dirigida ao diamante. Mas, ali, na cigarreira, o que o designer quis evidenciar foi a minúcia do desenho. Nos relógios, foi a volumetria das caixas...”.

Este é o maravilhoso mundo da minúcia. O fantástico universo das pedras preciosas. O misterioso terreno das histórias de amor.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)