A descoberta tardia do avô criminoso nazi

Jennifer Teege soube ser a neta de Amon Göth aos 38 anos. E foi procurar segredos de família.
Por Leonardo Ralha|18.02.18
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A descoberta tardia do avô criminoso nazi
A descoberta tardia do avô criminoso nazi
A descoberta tardia do avô criminoso nazi

Foi em Israel que a alemã Jennifer Teege viu ‘A Lista de Schindler’ pela primeira vez e, após mais de 20 anos, lembra-se de achar o filme de Steven Spielberg comovente, apesar do final "a tender para o piroso, demasiado à Hollywood".

Daquilo que viu na televisão da residência de estudantes, em Telavive, não se esqueceu dos dilemas do industrial Oskar Schindler (Liam Neeson), que enriqueceu à custa dos judeus e depois gastou quase tudo em subornos para lhes assegurar a sobrevivência. E do comandante do campo de concentração de Plaszów, Amon Göth, interpretado por Ralph Fiennes, que abatia prisioneiros a tiro a partir da varanda de casa.

Só muito mais tarde, com 38 anos, é que Jennifer descobriu que Göth, um dos mais notórios criminosos de guerra nazis, responsável por mais de dez mil mortes e capaz de exclamar "heil Hitler" antes de ser enforcado, era o seu avô materno. Tudo graças a um livro de encadernação vermelha que encontrou na Biblioteca Central de Hamburgo, com o retrato de uma mulher de meia-idade na capa.

Reparou no olhar "pensativo, algo forçado, desprovido de alegria" e ainda mais no nome Monika Göth, que sabia ser o da mãe biológica que a deixou num orfanato. Assim arrancou o sinuoso trajecto que descreve no livro ‘Amon - O Meu Avô Podia ter-me Matado’, publicado pela Vogais em Portugal.

"Acredito que não foi por coincidência que fiz a descoberta", diz à Domingo a alemã de 47 anos, entrevistada no centro de Lisboa, onde já estivera, muitos anos antes, sem dar por grandes diferenças. Filha de pai nigeriano, e com tom de pele impuro aos olhos de um nazi, não é parecida com a esmagadora maioria daqueles que lidam com o fardo de descenderem de figuras do III Reich. Nada que torne esse fardo mais leve.

Avó de Plaszów
"Penso que não devemos fugir da verdade e continuo muito feliz por ter descoberto aquele livro. Foi uma viagem muito longa e muito difícil, mas o resultado é positivo", resume Jennifer, convencida de que as depressões que enfrentou no passado têm a ver com a verdade que lhe foi negada durante tanto tempo. Entregue a uma família de acolhimento aos três anos, foi adotada por esse casal, já com dois filhos, quando tinha sete.

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