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A equipa perfeita?

“Não há dúvidas que o Barcelona pratica um futebol letal, obra de um dos melhores plantéis de sempre da história do desporto”
8 de Maio de 2011 às 00:00
A equipa perfeita?
A equipa perfeita?

Esta semana atrasei a entrega da minha prosa semanal porque acreditava numa reviravolta do Real Madrid de Mourinho na segunda-mão das meias-finais da Liga dos Campeões frente ao Barcelona. Não aconteceu. Infelizmente, o que aconteceu foi aquilo que seria de esperar – a equipa comandada por Pep Guardiola seguiu em frente para a final de Wembley. Isso e mais qualquer coisa: mais uma vez, o ‘dream team’ catalão prosseguiu no seu caminho de forma questionável, após ver um golo limpo na sua baliza anulado pelo árbitro da partida, quando o resultado ainda se encontrava zero a zero.

Na segunda-mão da eliminatória com o Arsenal (tinha perdido em Londres na primeira partida), Van Persie vê um ridículo segundo amarelo por chutar à baliza depois de o apito ter soado em virtude da sua posição fora de jogo, numa altura em que o jogo se encontrava em aberto, deixando os ‘gunners’ à mercê do jogo implacável de Messi & Cia, praticamente impossível de conter quando se joga com dez jogadores.

Não há dúvidas que o Barcelona pratica um futebol letal, obra de um dos melhores plantéis de sempre da história do desporto. Futebol que muitas vezes é bonito como tantas outras se torna cínico e altamente antidesportivo, tanto como aquele ultradefensivo pelo qual os italianos se tornaram conhecidos, apesar de diferente nos processos – e o facto de ser praticado por jogadores de excepção não atenua o cinismo, apenas o acentua.

Depois há a velha história do fair-play. O Barça tem muito desse fair-play, sim senhora: em campo são os melhores amigos de si próprios. Dani Alves (que tão bem podia interpretar um jagunço das velhas novelas), Pedro e até mesmo Xavi continuam a ter atitudes antijogo. Messi é um dos melhores avançados do Mundo, muito porque o deixam ser – ao contrário de Ronaldo, nunca leva pau a sério, por muito marcado que seja.

Para além disso, o número dez não é um santo – certamente não foi quando cuspiu em cima de Duda, no campeonato espanhol – e não precisa de o ser. Não há jogadores ou equipas perfeitas, e o Barcelona não é a excepção que confirma a regra. O que me irrita é que sejam tratados como tal. Que ganhe a melhor equipa na final, sem casos nem ajudas. Bom domingo, minha gente.

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