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A fórmula para criar o filho perfeito

“O problema dos filhos é serem gente. E quando se é gente é-se esquisito, idiossincrático, individualista, teimoso, caprichoso (...)”
13 de Junho de 2010 às 00:00
A fórmula para criar o filho perfeito
A fórmula para criar o filho perfeito FOTO: Ilustração de José Carlos Fernandes

Quando a chucha do meu primeiro filho caía ao chão, eu agarrava nela e ia esterilizá-la. Quando a chucha do meu segundo filho caía ao chão, eu agarrava nela e ia passá-la por água. Quando a chucha do meu terceiro filho cai ao chão, eu agarro nela e volto a meter-lha na boca. Os anos de experiência como pai tornam-nos mais relaxados, e essa despreocupação é uma bênção. O embate com o primeiro filho é sempre ridículo: temos medo de o partir quando lhe pegamos ao colo, de o afogar quando lhe damos banho e de o deixar morrer à fome quando ele faz birras à mesa. Com os anos – felizmente – isso passa.

Mas as maravilhas daquilo a que se chama "experiência" acabam aí. O problema dos filhos é serem gente. E quando se é gente é-se esquisito, idiossincrático, individualista, teimoso, caprichoso, vaidoso, orgulhoso e muito dono do seu nariz. E é-se tudo isso desde a primeira golfada de ar até ao derradeiro suspiro. "Não há dois filhos iguais" é a mais feita das frases feitas – e a mais verdadeira das verdades. Com esta consequência chata: os filhos são tão diferentes entre si que não há forma de educar dois da mesma maneira.

Ora, como não há fórmulas, nem receitas, nem truques que resultem sempre, a "experiência" é um trunfo muito sobrevalorizado. Se eu tivesse estado seis anos e meio a exercer, sete dias por semana, 365 dias por ano, uma qualquer outra actividade que não a de ser pai, por esta altura de campeonato poderia ser considerado um "especialista". Mas como pai, sinto-me quase todos os dias um amador. Se há toque de Midas capaz de transformar um filho mais ou menos reguila numa criança exemplar, eu nunca o encontrei.

As estratégias que uso para estancar as birras da Carolina (recordista mundial de teimosia) nada têm a ver com as do Tomás (que é muito sensível), e muito menos com as do Gui (que só tem dois anos e é difícil de chantagear). Dar conselhos sobre como educar os filhos é mais ou menos o mesmo que dar conselhos sobre como "manter o amor vivo". Claro que há dicas básicas e orientações generalistas, mas quando se chega à prática nunca se sabe aquilo que funciona com os outros – pela simples razão que nós nem sequer sabemos muito bem o que funciona connosco. Vamos simplesmente apalpando caminho todos os dias, com os dedos cruzados, à espera de acertar.

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