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A mãe de todas as adições

Quer deixar de fumar, de beber, de jogar, de só pensar no trabalho e mais trabalho? Quer abandonar um vício, um comportamento aditivo que não o ajuda?
Fernando Ilharco 16 de Abril de 2017 às 00:30

Então apaixone-se, é o que sugere um estudo publicado na revista ‘PLOS One’, intitulado ‘Intense Passionate     Love     Attenuates     Cigarette     Cue-Reactivity in Nicotine-Deprived Smokers: An fMRI Study’ (em português: ‘A paixão intensa atenua a reactividade dos fumadores à falta de nicotina: um estudo com a técnica ressonância magnética funcional’).

Mas há mais. Tal como ficar apaixonado, também começar uma nova actividade, um novo desporto, aprender a tocar piano ou a pintar, activa no cérebro os mesmos mecanismos químicos de recompensa – o circuito da dopamina mesolímbica – desencadeados pela nicotina, o álcool ou as drogas. A referida investigação foi realizada por universitários chineses e norte-americanos, observando o modo como o cérebro funciona ao reagir à privação de nicotina, utilizando para isso, além de outros métodos, a técnica da ressonância magnética funcional. Neste estudo estiveram envolvidos 18 fumadores que, citando o estudo, "estavam loucamente apaixonados", além de um outro grupo de cidadãos que eram fumadores… mas não estavam loucamente apaixonados. Entre os moderadamente viciados na nicotina, e loucamente apaixonados, o padrão gerado pela privação da nicotina foi claro: a actividade cerebral relacionada com a vontade de fumar foi menor do que no grupo das pessoas que não estavam loucamente apaixonadas.

Outras experiências confirmaram o mesmo padrão e os investigadores concluíram que a sensação de bem-estar gerada pela nicotina pode ser substituída por sensações proporcionadas por actividades de desenvolvimento pessoal, como estar apaixonado, aprender algo ou iniciar um desafio.

Estas descobertas sugerem que o abandonar de um vício, de algo prejudicial como os cigarros, o álcool ou as drogas, pode ser mais fácil se simultaneamente se começarem novas actividades; e apaixonar-se está no topo. Aliás uma investigadora norte-americana, Helen Fischer, da Universidade de Rutgers, propõe que as adições se estruturam numa hierarquia e que as adições maiores combatem as adições menores. E a aprendizagem e o desenvolvimento pessoal são adições no topo da escala. Mas adivinhem o que Fischer sugere ser a mãe de todas as adições? Estar apaixonado. A adição que envolve tudo, que absorve a vida. A adição que de um ponto de vista biológico, diria Darwin, leva ao maior prémio de todos: ter um parceiro para a vida e deixar descendentes.

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