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A mobilidade de Bruno

Almada está mais uma vez de parabéns. É das primeiras cidades do País a providenciar um serviço de transporte público para pessoas de mobilidade reduzida. Existem neste momento quatro táxis com características específicas para a deslocação de pessoas que merecem cuidados especiais, como aquelas em cadeiras de rodas.
7 de Junho de 2009 às 00:00
A mobilidade de Bruno
A mobilidade de Bruno

Há, por exemplo, uma rampa ou elevador para facilitar o acesso, sendo que a pessoa nem sequer tem que sair da cadeira, que depois fica fixa em quatro pontos no chão do carro e protegida com um cinto de segurança. Para além do espaço privilegiado para o ocupante visado, os carros têm três lugares para possíveis acompanhantes. Os preços são os de um táxi normal. Este é um serviço precioso para uma franja significativa da nossa população. As ambulâncias não dão vazão às necessidades deste sector e nem podem dar, porque quem tem mobilidade reduzida não precisa apenas de ir ao hospital ou ao médico.

Bruno, de 27 anos, foi vítima de uma paralisia cerebral na sua infância e usa uma cadeira de rodas eléctrica para se movimentar. Está a finalizar o curso de Gestão de Empresas e, logicamente, precisa de se deslocar para a universidade. Com os carros modificados, para este efeito, ele pode fazê-lo, deixando de depender em exclusivo da ajuda da família, ao mesmo tempo que evita as habituais dificuldades com que se depara ao entrar num táxi normal. Pode igualmente ir ao cinema ou ao encontro de amigos quando bem lhe apetecer, se assim o desejar.

Como não há bela sem senão, há algo a ensombrar esta boa notícia: as duas empresas de táxis do concelho negaram o acesso às quatro viaturas, barrando desta forma o serviço de rádio. Quer isto dizer que, por enquanto, o Bruno não pode ligar para pedir aquele tipo de táxis, tal como outros potenciais clientes. Diria que sentia vergonha desta situação, se não acreditasse que os responsáveis por ela a rectificarão em breve – mais do que bom senso, é uma questão de consciência social.

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