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A moda anda mais amiga do ambiente

Pode usar xadrez ou camisas com laços, mas só estará na moda se consumir de forma consciente.
Vanessa Fidalgo 20 de Outubro de 2019 às 09:00
O xadrez é o ‘rei’ de uma estação que revive os clássicos dos anos 80 no vestuário
O xadrez é o ‘rei’ de uma estação que revive os clássicos dos anos 80 no vestuário FOTO: Stephane Mahe

O Outono bateu à porta e as roupas leves já pedem um lugar na gaveta até ao próximo estio. É por isso tempo de renovar e reutilizar o guarda-roupa, de preferência de acordo com as novas tendências escolhidas pelos criadores de moda, muitas vezes com o condão de conferir ‘ar de novo’ ao velho. A Domingo pediu à ‘personal stylist’ e consultora de moda Diana Pimentel algumas dicas sobre o que se vai usar nos meses mais frios e conselhos sobre a melhor forma de voltar às peças que andam esquecidas pelo baú lá de casa…

"Isto é muito importante. A principal tendência de 2019 e dos próximos anos é, acima de qualquer outra coisa, o ‘consumo consciente’. Quem gosta de moda sabe que isso não nos impede de continuar a gostar de roupa ou de estar atualizado em termos de estilo, apenas significa que cada compra é pensada e refletida segundo o impacto que terá no nosso planeta, no meio ambiente e, claro, na sociedade. Esta preocupação tem estado presente em todas as coleções, nas redes sociais e, claro, nas pessoas, com a mensagem #thereisnoplanB", avisa Diana Pimentel, também autora do blogue fashionafter30’s.

Não esqueçamos que, mais do que estilo, a moda é atitude. Portanto, quem quer estar realmente na moda tem de ter preocupações com a problemática do aquecimento global e pautar por elas as suas escolhas.

Tendências
Mas além das preocupações ambientais, o outono deste ano de 2019 é uma ode aos fãs do estilo clássico, um revivalismo dos anos 80 redesenhado, "o que os criadores chamaram de estilo novo burguês". Ora, a melhor notícia é que a maioria destas peças já se encontram nos nossos armários: "Sobretudos, blazers, camisas de laçada, saias e vestidos pelo joelho, botas altas, chapéus e óculos de aviador. O estilo burguês caracteriza-se pela qualidade superior dos materiais, apostando em cortes e padrões intemporais. Simples e, ao mesmo tempo, genial", afirma Diana Pimentel sobre as propostas dos criadores para a nova estação.

Uma peça que representa uma das mais fortes tendências desta estação e que se adequa a vários estilos é a capa: "Uma alternativa aos abrigos tradicionais, que traz uma variante para a nossa silhueta. A capa esteve presente na maioria das coleções e podemos encontrar opções para todos os gostos e tipos de corpo. Com franjas, lisas, curtas, compridas, em xadrez ou de riscas, não vai ser difícil encontrar um modelo ao nosso gosto", garante.

Mas se o assunto é elegância, nada supera um ‘look’ de inverno em branco total. "Desde o branco puro, ao cru, passando pelos os tons creme, o branco é para usar a solo ou misturado com outras cores. Nesta estação fria os nossos roupeiros enchem-se de luz", confere.

Todavia, e porque nem todos somos fãs de branco no inverno, os designers brindaram-nos com "uma chuva de tons supervitaminados, como o rosa-choque, o turquesa, o vermelho e o amarelo". Para além da exuberância das cores, também as formas se ampliam nas novas propostas: "Os casacos tornam-se ‘oversize’, as golas gigantes, as calças palacianas e os ombros alargam", ilustra Diana Pimentel.

As peles assumem um grande protagonismo neste outono e podem ser usadas "em ‘looks’ totais de cabedal suave e nas mais diversas cores, para fugir ao preto habitual: blusões, camisas, calças, vestidos e tops que, sem dúvida, trazem mais glamour ao visual", sugere a consultora.

"O xadrez é quase sempre uma tendência imprescindível no guarda-roupa de inverno, tanto que me atrevo a dizer que nunca está ‘out’, seja qual for a ocasião. Pode e deve ser misturado com outras peças. Em 2019, os padrões ‘tartan’ também não passam despercebidos, em tamanho e cores chamativas, e revelam-se perfeitos para usar ao fim de semana em camisas e casacos XL, integrados em visuais bem descontraídos", diz Diana Pimentel.

Para quem é adepto de um estilo mais casual e desportivo, Diana sugere a nova tendência ‘utilitária’. "Isto significa peças com detalhes inspirados nos fatos de trabalho, como bolsos múltiplos e grandes, coletes curtos ou compridos, fechos, bermudas e fatos de macaco (‘boiler suits’). Trata-se de uma tendência muito prática e irreverente, ideal para situações informais", avisa.

Universo masculino
No que toca ao armário masculino, é inevitável mencionar os básicos e o conforto, mas as diretrizes da moda também podem fazer a diferença. "Porque no fundo é isso que todos queremos das roupas: que nos façam sentir bem vestidos, mas sem abdicar da nossa comodidade", reconhece Diana Pimentel.

Em ambientes formais, um guarda-roupa clássico é sempre o mais indicado para o homem: "Um fato escuro ou blazer, um par de calças clássicas, várias camisas em tons claros e um par de sapatos tipo ‘loafer’ ou de atacadores são essenciais em qualquer guarda-roupa de trabalho."

A esta base intemporal juntam-se alguns acessórios tipicamente masculinos, mas que completam bem qualquer guarda-roupa, mesmo de estilo mais clássico: "Cintos, gravatas, cachecol, relógio e óculos de sol, onde é possível então comunicar um cunho mais pessoal", explica a especialista em moda.

Os casacos de rua também são cada vez mais um elemento diferenciador e estão entre as peças que mais vezes vão sair do roupeiro, sobretudo nos dias mais frescos e húmidos que se aproximam. "Por isso, invista em materiais de qualidade e cortes clássicos, como a lã e a caxemira e em cores neutras como o cinza, bege, azul-marinho ou camel", aconselha.

Nestas coisas da moda, o segredo para estar ‘in’ sem fugir do clássico está na mistura de texturas e padrões: "Avance sem medos. Combine lã, ganga, xadrez, riscas e pele. Pequenos detalhes no design e acessórios são fundamentais para criar o seu estilo pessoal!"

Mas no universo masculino também há dias de folga e pausas descontraídas e, por isso, também o estilo casual, ideal para quem gosta e pode usar um visual mais relaxado no dia a dia, evidencia novas tendências.

"Blusões impermeáveis, parkas, ‘sweatshirts’, camisas xadrez e calças ‘baggy’ (com folga)" são algumas das peças que caracterizam esta tendência também no que diz respeito ao guarda-roupa para homem.

No caso deles, o toque pessoal e as as misturas também são permitidas e podem ser mais coloridas: verde, vermelho, vinho, azulão, camel e verde-tropa são a mais sugeridas. "O truque é manter uma base de peças neutras e arriscar num elemento colorido", explica.

Com os ditames dos criadores em mente, agora é preciso, acima de tudo, abrir o roupeiro, esconder o que não interessa e tirar cá para fora tudo o que se vai usar de novo. E ir às compras, com a humildade de quem quer minimizar seu impacto no planeta.

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