Barra Cofina

Correio da Manhã

Mais CM
4

A realizadora que volta sempre a Moçambique

Imagens de arquivo da Guerra do Ultramar e as recordações de quem cantou o disco ‘Natal 71’, oferecido às tropas, além dos testemunhos de quem esteve no palco dos conflitos, compõem o documentário filmado por Margarida Cardoso, que na infância também viveu a guerra.
19 de Junho de 2011 às 00:00
Margarida Cardoso
Margarida Cardoso FOTO: Direitos reservados

Na casa do pai havia um disco de vinil que ela, desde pequena, bem conhecia. ‘Natal 71’ eram músicas de "amizade" para as tropas portuguesas no Ultramar.

"O disco representa para mim o que sinto que era o País naquele tempo, onde se misturava o festival da canção com coisas horríveis que se passavam e de que ninguém falava, como a guerra", conta a realizadora Margarida Cardoso, que em Junho de 2000 estreou um documentário sobre a Guerra do Ultramar.

"O filme centra-se no meu pai [militar das Forças Armadas em Moçambique, a terra onde Margarida nasceu]. Também é uma forma de tentar compreender as coisas que eu vivi quando era pequena".

TERRA DA INFÂNCIA

‘Natal 71’ valeu boas críticas em França. E isso trouxe financiadores para ‘Kuxa-Kanema’, outro documentário, desta vez sobre o nascimento do cinema em Moçambique. Tal como nesta película, na longa-metragem ‘A Costa dos Murmúrios’ (baseado no romance homónimo de Lídia Jorge), Margarida continuou envolvida nas histórias de vida em momentos conturbados. E ainda é esta a linha pela qual se rege.

Está agora em Moçambique, a filmar ‘Yvone Kane’, um filme de ficção que se passa num país imaginário, mas sobre o qual pende um forte cariz político. Aos 47 anos, a realizadora está, mais uma vez, em Moçambique porque é lá que ela se sente confortável: "É a terra da minha infância, por isso é lá que vou encontrar uma série de respostas".

Ver comentários