Barra Cofina

Correio da Manhã

Mais CM
1

À Sombra de Deus

Uma colectânea documenta, década a década, a actividade musical na cidade de Braga. ‘À Sombra de Deus’ já vai no quarto volume
19 de Fevereiro de 2012 às 00:00
Só música
Só música

Em 1986, com a aparição triunfal de Rongwrong, Mão Morta e Bateau Lavoir no III Concurso de Música Moderna do Rock Rendez-Vous, Braga entrava de forma categórica no mapa musical português. Era uma surpresa para muitos, apesar dos insistentes rumores que davam conta do inusitado frenesim criativo que grassava pela capital do Minho. Mas os três grupos eram já uma encarnação recente dessa ebulição. Dos primeiros anos e de bandas como Auaufeiomau, Ruge-Ruge, Comédia Selvagem, PVT Industrial ou Os Eléctricos Chamados Desejo nada ficara registado.

Melhor sorte teria, no entanto, a segunda leva que a fulgurante participação no Concurso do RRV despoleta, já que em 1989, sob o patrocínio da Câmara Municipal de Braga, é editado ‘À Sombra de Deus – Braga 1988’, um disco pioneiro no fixar do retrato musical de uma urbe, que apresenta não só colectivos herdeiros dessas movimentações do início da década, como Rongwrong, Mão Morta, Bateau Lavoir, Rua do Gin e Baile de Baden-Baden, mas também grupos entretanto surgidos no seio da nova geração, como Pai Melga, Orfeu Rebelde e Os Gnomos.

Esta acção inédita no apoio à cultura juvenil teria repercussões positivas a nível nacional, com outros municípios a seguirem o modelo, mas é a sua continuidade no documentar regular do estado de criatividade musical da cidade que fará da autarquia bracarense caso único e exemplar na monitorização da evolução de uma actividade cultural urbana.

A FASE ACTUAL

Assim, em 1994 é editado ‘À Sombra de Deus, Vol. 2’. E se dos precursores ainda havia emanações, como Mão Morta, Rua do Gin, Humpty Dumpty, Um Zero Amarelo ou Electrodomésticos, metade – Blind Panic, Dusk, Industrial Metal Machine, Tass, Wodka Technicolor – provinha já de outras latitudes, a espelhar a atomização e dispersão em que mergulhara o meio musical local. A edição do 3º Volume, em 2004, mostra o acentuar desta tendência, com o crescente aumento de grupos – Mão Morta, Os Seis Graus de Separação, Big Fat Mamma, Mécanosphère, VortexSoundTech, Demon Dagger, Wave Simulator, The Neon Road, Freequency, Spank the Monkey, Jack in the Box, Phi, Zero, André Leite – mas também a rarefacção da partilha de elementos entre formações.


Em 2006, com a construção sob as bancadas do Estádio 1º de Maio de um moderno complexo de salas de ensaio, a autarquia dá um novo fôlego à música na cidade, permitindo reunir o que até então se encontrava disperso. O resultado não se faz esperar, com grupos como Peixe:Avião, Mundo Cão, Smix Smox Smux, Long Way to Alaska ou At Freddy’s House a ganharem notoriedade nacional. Faltava no entanto um novo tomo de ‘À Sombra de Deus’ para registar o retrato de conjunto desta actual fase. A boa notícia é que a sua gravação inicia-se na próxima semana, sob a égide da Capital Europeia da Juventude, e a sua edição está agendada para Abril.

LIVRO: ‘POESIA, SAUDADE DA PROSA’

Uma selecção de poemas do Prémio Camões, feita pelo próprio, que nos dá uma boa perspectiva sobre o seu fascinante universo poético, a sua arte de brincar com as palavras e os conceitos, num jogo de imaginação labiríntica a fintar a amargura e a tristeza. Como uma dúvida persistente mas desiludida, em permanente relutância no aceitar da identidade das coisas.

Autor: António Manuel Pina

Editora: Assírio & Alvim

CINEMA: ‘A DAMA DE FERRO’

Uma original biografia de Margaret Thatcher, em que ela, já debilitada anciã em constante interacção e diálogo com o falecido marido, vai recordando a sua trajectória política através de flashbacks. Tenta dar cara humana a um personagem politicamente odioso, para o que muito contribui a magistral interpretação de Meryl Streep.E é esta que vale a ida ao cinema.

Realizador: Phyllida Lloyd

Intérpretes: Meryl Streep e Jim Broadbent

Nos cinemas


DISCO: ‘EL CAMINO’

Incensados ao sexto disco, o estrondoso ‘Brothers’, os The Black Keys não esperaram muito para lançarem o trabalho seguinte. E este ‘El Camino’ (modelo do Chevrolet da capa do disco) volta a ser uma colecção arrebatadora de canções blues-rock da melhor cepa, com riffs em brasa. São uma das melhores bandas de rock & roll, senão a melhor, pronta a incendiar qualquer alma, por mais santa que seja.

Autor: The Black Keys

Editora: Nonesuch

FUGIR DE...

LANA DEL REY

A rapariga até nem canta mal, o seu disco ‘Born to Die’ está longe de ser horrível – apresenta mesmo uma pop simpática – mas a sua omnipresença, provocada pela campanha de marketing que a promove, torna impossível ouvir o seu nome sem um ranger de dentes. Não é snobismo, é saturação. O positivo, para Lana del Rey e sua editora, é a ascensão do disco ao primeiro lugar das tabelas... Mas que sofrimento para nós, simples mortais!

Lana del Rey The Black Keys Meryl Streep Margaret Thatcher
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)