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Correio da Manhã

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A segunda paixão de Bryan Adams

Músico tem muitos amigos famosos e gosta de os retratar.
José Carlos Marques 17 de Outubro de 2014 às 11:57
Bryan Adams fotografou algumas das nossas fadistas
Bryan Adams fotografou algumas das nossas fadistas FOTO: Pedro Freitas Silva

Eu sabia que o Bryan Adams era fotógrafo, mas não sabia que era tão bom." A fadista Cuca Roseta comenta assim a capa da revista ‘Vogue’ Portugal em que mostra toda a sua sensualidade.

O resultado da produção fotográfica já anda pelas bancas e mostra Cuca Roseta e outras quatro fadistas como nunca as vimos. Gisela João, Ana Moura, Aldina Duarte e Carminho também aceitaram o desafio de se despir de roupas e preconceitos para mostrar uma nova faceta do fado.

"O Bryan é um conhecedor da canção nacional e quis mostrar às pessoas que aquela imagem das fadistas muito tapadas e conservadoras não existe. Quis mostrar a beleza que existe em nós e acho que o conseguiu de uma forma genial", conta à ‘Domingo’ Cuca Roseta.

A fadista confessa ter ficado rendida ao profissionalismo do músico e fotógrafo, que fez questão de as fotografar sem maquilhagem. "Já fiz dezenas de produções e nunca me tinha acontecido estar apenas 15 minutos no set. Ele é um perfecionista, quando cheguei, percebi que ele já sabia exatamente como queria fotografar. Foi muito simpático e profissional."

As fotos da sessão da ‘Vogue’ fazem parte da exposição que inaugura esta terça-feira no Centro Cultural de Cascais. ‘Exposed’ mostra o talento do músico canadiano como retratista de celebridades e gente comum.

COMEÇOU COM CAPAS

Foi nos anos 90 que Bryan Adams descobriu a paixão pela fotografia. Começou por assinar as capas dos discos, depois percebeu que tinha mais um talento na vida além da música. "Fiz as minhas próprias capas de álbuns nos anos 90 e gostava de documentar o meu trabalho nas digressões. Mas as coisas só mudaram quando arranjei um bom impressor, que conseguiu que os meus negativos foleiros se transformassem em fotografias respeitáveis. Fiquei muito entusiasmado com a arte", contou numa entrevista ao canal de TV norte-americano CBS.

Bryan especializou-se em retratos e aproveitou a sua incomparável agenda de contactos para se aproximar de estrelas como Mick Jagger, Amy Winehouse, Al Pacino, Lindsay Lohan, Ben Kingsley e até sua majestade a rainha de Inglaterra, Isabel II. O resultado foi um livro de fotografias lançado em 2012. ‘Exposed’ deu origem a uma exposição itinerante que agora chega a Cascais. A inauguração é na próxima terça- -feira, com a presença do próprio Bryan Adams.

CELEBRIDADES

A exposição, que vai estar no Centro Cultural de Cascais até 1 de fevereiro, conta com novidades em relação às exibições anteriores. Salvato Telles de Menezes, presidente da Fundação D. Luiz I (que organiza a exposição), explica as diferenças: "Bryan Adams viveu em Cascais e guarda excelentes memórias desses tempos. Talvez por isso tenha sido mais fácil trazer a exposição a Portugal. Ele fez uma série de retratos a fadistas portuguesas que também serão exibidos e há uma nova mostra de retratos dedicada a soldados britânicos veteranos de guerra."

As estrelas da pop e de Hollywood são o prato forte da exposição, em que figura um português que ascendeu à categoria de celebridade mundial: José Mourinho. Mas, mais do que a fama dos retratados, as fotos revelam um talento que vai muito além de um simples hobby: "Fiquei muito surpreendido pela qualidade das fotografias. Não há ali nada de amador.

Tem um estilo próprio, é excelente nos jogos de luz e sombra", diz Salvato Telles de Menezes, que espera uma grande afluência de público a Cascais, tal como aconteceu com a exposição das fotos de Bert Stern sobre Marilyn Monroe, que, em 2011, levou mais de 70 mil pessoas ao Centro Cultural da vila ou a mostra das fotografias da atriz Jessica Lange.

Quando fala sobre fotografia, Adams explica o seu compromisso absoluto: "Dedico-me a 100 por cento às coisas em que me empenho, para as tornar mais reais. Este livro ['Exposed'] representa 12 anos de trabalho e estou muito orgulhoso dele", explica o artista de 54 anos, para quem não há limites: "Toda a gente dá um bom retrato, é só questão de gastar algum tempo. Mas quanto maior é a personagem, melhor fica."

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