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Adrien Silva: E à terceira será de vez

Na adolescência resistiu à tentação do Chelsea de Mourinho e a chegada ao Leicester foi (e continua a ser) atribulada
Leonardo Ralha 10 de Setembro de 2017 às 15:00
Adrien Silva
Adrien Silva FOTO: Miguel Ganhão

A FIFA não se compadeceu com o Leicester e Adrien Silva deverá adiar a estreia na Premier League até janeiro de 2018 graças a 14 segundos de atraso na entrega de um documento. Mas mesmo que o recurso do clube inglês, que vai pagar 24 milhões de euros (mais cinco milhões dependentes de objetivos) ao Sporting, não surta efeito, o campeão europeu vai cumprir um sonho antes de fazer 29 anos.

Adrien Sébastien Perruchet da Silva, nascido em Angoulême, cidade francesa conhecida pelo festival de banda desenhada, bateu pela primeira vez à porta do futebol inglês aos 16 anos. Contactado pelo Chelsea quando estava ao serviço dos sub-16 de Portugal num torneio no país natal, acompanhou os colegas de clube Ricardo Fernandes e Fábio Ferreira ao centro de estágio do clube londrino.

Tinha à espera José Mourinho, interessado num médio que começava a dar nas vistas, e a promessa de 120 mil euros anuais, saídos dos bolsos sem fundo do russo Roman Abramovich, mas Adrien foi o único do trio a voltar a Alcochete. Pesou a vontade do seu pai, Manuel Silva, um emigrante que regressara a Portugal com Annick, a mulher francesa, e os filhos, indo morar em Arcos de Valdevez.

O Chelsea ainda cortejou a família Silva abrindo portas a Jeremy, o irmão mais velho de Adrien, menos dotado para o futebol, mas em terras de sua majestade só ficaram Ricardo Fernandes, que entretanto já terminou a carreira no Leiria e Marrazes, e Fábio Ferreira, agora a jogar num clube da Malásia, após cinco anos em várias equipas australianas.

SEGUNDA TENTATIVA
O regresso do filho pródigo permitiu-lhe evoluir ao lado de Rui Patrício. E no mais próximo que tinha de um lar, pois o rapaz que passara pelas escolas do Bordéus chegou de França aos 12 anos e pouco depois, após ser chumbado pelo Boavista, esteve entre os primeiros a viver na Academia de Alcochete. Valeu-lhe o apoio dos pais, que aos fins-de-semana vinham do Minho de propósito para almoçarem com ele.

O resto é história. Adrien foi usado por Paulo Bento na equipa principal com idade de júnior, ganhou espaço nas épocas seguintes e cimentou estatuto nos dois anos em que esteve emprestado - foi campeão de Israel pelo Maccabi Haifa e ajudou a Académica de Coimbra a conquistar a Taça de Portugal, à custa do Sporting -, tornando-se insubstituível no meio-campo dos leões e, mais tarde, um dos ‘habitués’ da Seleção.

Assim foi no Euro 2016, disputado no país onde nasceu, e no fecho do mercado de verão de 2016/2017 teve um pé no Leicester, que fora o surpreendente campeão inglês e já recrutara Slimani em Alvalade. A transferência, que envolveria 30 milhões de euros, não se concretizou, levando Manuel Silva a falar em "falta de respeito com um jogador que serve o clube há 15 anos". Um ano depois, mesmo fora de prazo, trocou os leões pelas raposas de Leicester. Falta agora jogar.  

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