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Correio da Manhã

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Afinal, porque querem os Estados Unidos comprar a Gronelândia?

Compra de territórios não é uma novidade. Já Truman quis a ilha. No século XVII, o território que hoje é Manhattan foi comprado aos holandeses por 25 euros.
Fernanda Cachão 1 de Setembro de 2019 às 14:59
Gronelândia
Gronelândia
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Gronelândia
Em 984 d.C. foi colonizada e em 1261 tornou-se parte do reino da Noruega. Em 1500 Gaspar Corte-Real foi à descoberta de terras e de uma "Passagem do Noroeste para a Ásia" e chegou à Gronelândia pensando ser a Ásia, mas não desembarcou.

Com as guerras napoleónicas, Dinamarca e Noruega separaram-se, mantendo a primeira o controlo da ilha, ligação só interrompida com a ocupação da Dinamarca pelos nazis, em que a Gronelândia se aproximou dos EUA e do Canadá.

A Gronelândia é o território menos densamente povoado da Terra, com mais de 2 milhões de km2 tem 57 728 habitantes. A expectativa de vida é de 72,4 anos.

A economia é frágil e depende da pesca e da mineração e, principalmente, da ajuda da Dinamarca que contribui em 60% para o orçamento da ilha. A Gronelândia abandonou a CEE em 1985, pois receava os efeitos das quotas de pesca no principal recurso do país.

Recursos Naturais
O plano do governo da ilha prevê o início da exploração de petróleo dentro dos próximos cinco anos. Estima-se que ali estejam 13% das reservas do Mundo. Em 2013 foi levantada a proibição da mineração de materiais radioativos como o urânio.
 
A importância do território para os EUA
A única instalação militar dos EUA dentro do Circulo Polar Ártico e a mais setentrional fica na costa noroeste da Gronelândia. Chave num eventual conflito na região, ali está também o 12º Esquadrão de Alerta Espacial dos EUA, responsável pela defesa antimísseis e espacial do país.

Em 1946, o presidente dos EUA Harry Truman ofereceu 100 milhões de euros em ouro pela Gronelândia, fundamental no final da II Guerra Mundial. Hoje em dia, a ilha poderia custar mil milhões, segundo cálculos da CNN.

A vontade dos EUA reforçarem a presença no Ártico para impedir os russos de fechar o acesso ao Mar do Norte, em aliança com a China, é outro dos bons motivos que explica o interesse norte-americano no território. A rota é a via marítima mais ativa do Ártico, e passa por águas territoriais russas. Vai desde o mar de Barents, perto da fronteira da Rússia com a Noruega, até ao Estreito de Bering, entre a Sibéria e o Alasca.

Outras compras de territórios por parte dos EUA
Alasca
Em 1867, os EUA compraram aos russos por sete milhões de euros aquele que é hoje o maior estado americano. A compra acrescentou 1,5 milhões de quilómetros quadrados ao país.

Louisiana
Em 1803, os EUA compraram aos franceses o território com 2,1 milhões de quilómetros quadrados por 15 milhões de euros.

Ilhas Virgens Americanas
Em 1917, compraram à Dinamarca o território das então Índias Ocidentais por 25 milhões de euros.

China compra o que pode tanto na Europa como em África
A China concentra 1/5 da população mundial mas tem apenas 10% das áreas cultiváveis do Mundo. Entre 2010 e 2018, a China já investiu 94 mil milhões de euros na compra de terra em países de África, América do Sul e do Sudoeste Asiático. A Austrália tem 2,5% dos seus territórios agrícolas na mão de interesses chineses.

Através de manobra jurídica, a China já comprou 1700 hectares de terras de cereais no centro de França e o confolomerado chinês Reward Group confirmou em fevereiro a compra de três mil hectares de terras de trigo orgânico.
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