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Ana Maria Magalhães, 64 anos, escritora

O gosto para a escrita nasceu antes de saber escrever. Como sou a mais velha de cinco irmãos, comecei a contar histórias para eles, antes de ir para a escola.
28 de Novembro de 2010 às 00:00
Ana Maria Magalhães, 64 anos, escritora
Ana Maria Magalhães, 64 anos, escritora FOTO: João Cortesão

ESCRITA

O gosto para a escrita nasceu antes de saber escrever. Como sou a mais velha de cinco irmãos, comecei a contar histórias para eles, antes de ir para a escola. Nesse tempo ia-se para a escola com sete anos e eu já inventava histórias originais e até um pouco de acordo com a personalidade dos meus irmãos, que são muito diferentes. Depois, quando aprendi a escrever, descobri rapidamente que aquilo que gostava de fazer na escola era ler e escrever. Uma aula de redacção era a minha aula preferida, não tinha dificuldade nenhuma em inventar.

BAILARINA

Quando se é pequeno há muitos sonhos. Querai ser escritora, mas também bailarina, porque andei no ballet, fazia parte da educação da altura, e médica, como o meu pai. Tinha os sonhos dispersos de qualquer criança. À medida que fui avançanado na idade e na instrução percebi que o meu caminho eram as letras, alimentava o sonho recorrente de ser escritora, mas não era uma actividade que a pessoa possa considerar profissão.

CONTESTAÇÃO

Sempre houve, principalmente nos estudantes. Vivi alguma contestação, mas pouca, porque estávamos em ditadura e cassei cedo, aos 21 anos. A minha geração era assim e na minha família já achavam talvez que eu estivesse a ficar velha...

ÁFRICA

Aos 22 anos fui para Moçambique acomopanhar o meu marido, que foi para a guerra. Interrompi o curso e fui trabalhar como professora de português e de história. Essa experência foi absolutamente fabulosa. De repente estava no Índico, em África, no hemisfério Sul, tudo era novidade. Lembro-me que no Natal estava um calor infernal e toda a gente ia para a praia. As montras estavam cheias de bóias e de fatos-de-banho.

ENSINO

Não sou adepta da separação entre rapazes e raparigas, mas quando entrei no ensino, em 69, ainda era assim. Reconheço que nesse tempo era mais fácil...Acho que as turmas não devem ser excessivamente heterogéneas, mas isso não tem muito a ver com ser rapaz ou rapariga. O excesso de heterogeneidade prejudica todos.

Quando misturamos alunos brilhantes com outros com tremendas difculdades acabamos por não servir a ninguém.  Realmente uma turma de alunos fracos, ao fim do ano pode deixar de ser assim, e espalhar-se por outras turmas caso tenham sido apoiados. Na minha vida profissional fizemos isso muitas vezes. Agora já estou reformada.

ALUNOS

Antigamente havia um liceu em cada capital de distrito, neste momemto há liceus em toda a parte, o número de alunos cresceu, multiplicou-se por muitos. Não podemos estar a generalizar, mas há muitas situações: há alunos muito bons, bem preparados e há alunos péssimos. Há de tudo. E, por vezes, alunos mal preparados conseguem entrar na faculdade. Também acho que há excesso de disciplinas no terceiro ciclo e no secundário. Um aluno normal, se tivesse menos disciplinas, podia estudar melhor.

AMIZADE

Conheci a Isabel Alçada em 1976, quando fomos fazer um estágio profissional na escola Fernando Pessoa. Formámos um grupo porque dava jeito, ela morava perto de mim, tinhamos filhos da mesma idade. E em 1982 escrevemos o primeiro livro da colecção ‘Uma Aventura’. Acho incrível que me perguntem como ainda mantemos a amizade. Tenho amizades mais antigas, do tempo da escola primária. É normal quando a amizade se baseia em valores verdadeiros.

Em relação ao ensino continuamos a ter a mesma visão, nalgumas questões concordamos noutras não. Agora que ela está no Ministério da Educação evitamos falar sobre o assunto. Mas continuamos a escrever juntas, ela vem a minha casa e acabámos ‘Uma Aventura em Timor’, que vai sair em Março.

FAMÍLIA

Tenho um família grande. Acho que a família é a base de toda a felicidade do ser humano, somos cinco irmãos amicissimos, a minha mãe felizmente ainda está viva. O meu padrasto é um amor, tenho dois filhos e três netos. Acho que a família é o principal na vida das pessoas. 

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