“Andámos a apanhar bocados do furriel que explodiu”

Logo nos primeiros dias fiquei traumatizado quando um furriel morreu numa demonstração com uma granada.
Por Marta Martins Silva|14.04.19
“Andámos a apanhar bocados do furriel que explodiu”
Foto Direitos Reservados

Assentei praça a 12 de janeiro de 1964 e fui fazer a recruta para o Monte da Caparica. Depois enviaram-me para Tancos para tirar a especialidade de radiotelegrafista do Serviço de Transmissões Militares. Eu tinha o segundo ano industrial, mas como não entreguei o documento das habilitações não fui tirar o curso de miliciano para furriel e fiquei como soldado.

Quando concluí a especialidade segui para Lisboa, para o Batalhão de Telegrafistas da Graça. Pensava já não ser mobilizado porque os que tinham tirado a especialidade comigo tinham partido todos para Angola e eu tinha ficado de fora, porque na véspera de eu assentar praça o meu pai morreu e eu era considerado amparo de mãe.

Mas quando precisaram de radiotelegrafistas para Moçambique lá fui eu, repescado ao fim de 14 meses de tropa na metrópole. Embarquei em Alcântara no navio ‘Pátria’, um barco que não era de militares, em 1965. À chegada estive três dias em Lourenço Marques, embarquei noutro navio para a Beira e Nacala e segui de comboio para Nampula.

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