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Andreia Vale: "Bater na madeira dá conforto"

Pivô da CMTV editou o seu segundo livro, uma compilação de superstições do quotidiano partilhadas por todos.
Vanessa Fidalgo 12 de Junho de 2016 às 15:30
Andreia Vale nasceu em Lisboa há 37 anos
Andreia Vale nasceu em Lisboa há 37 anos FOTO: Pedro Catarino

Um ano depois de ‘Puxar a Brasa à Nossa Sardinha’, Andreia Vale lança o segundo livro, ‘Cruz Credo, Bate na Madeira’ (Manuscrito).


‘Cruz Credo, Bate na Madeira’ reúne esta a mais 113 superstições do nosso dia a dia. É supersticiosa?

Um bocadinho… Mas não muito. Há aquelas superstições clássicas – que são mais atitudes espontâneas da minha parte do que propriamente atos conscientes com base em algum receio – em que todos caímos um bocadinho,   sem saber muito bem porquê, até porque nesta coisa da superstição o lógico e o racional não entram.


E que gestos são esses que não consegue evitar, não vá o diabo tecê-las?

Bater na madeira, por exemplo. Lá está… Nem sei bem porquê, mas ouvindo algo que não quero que se concretize, sinto-me mais confortável ao fazê-lo. Deve ser uma forma de pedir proteção ou afastar um mau   presságio. Também nunca passo por debaixo de escadotes e tenho uma certa ‘panca’ com o número quatro, que para os chineses é o número do azar, tal como o 13 no Ocidente. E cada vez que me deparo com um ‘4’ rio-me um bocadinho e, sobretudo quando a situação se repete com mais frequência, fico a pensar: "Pois… Lá está ele outra vez!"

Este livro surge na senda do sucesso de ‘Puxar a Brasa à Nossa Sardinha’, uma compilação de expressões populares. Como se deu o seu encontro com a escrita e particularmente com este universo?

Foi uma conjugação de vontades da minha parte e da editora. Nunca planeei, talvez até porque como sempre fiz jornalismo televisivo nunca tive aquela ligação à escrita que os colegas da imprensa têm. No entanto, o desafio que me colocaram era muito interessante, porque obrigava-me precisamente a sair da minha zona de conforto e escrever de uma forma que não faço habitualmente. A escrita televisiva é muito direta, objetiva, concisa e não tem nada a ver com escrever um livro.

E foi fácil reformular a sua forma de escrever?

Foi um desafio que me fez sofrer um bocadinho. Muitas horas noturnas, já depois de deitar os meus filhos, muitos dias de folga sem poder sair de casa, agarrada ao computador a escrever, a reunir material e a pesquisar. Confesso mesmo que sofri um bocadinho, tanto que, quando me propuseram escrever o segundo livro, embora o tema me agradasse muito, uma das primeiras coisas que pensei foi: "Oh, não!… Vou ter de passar por aquilo tudo outra vez? Não sei se quero!" Mas, por outro lado, eu sou coca-bichinhos, ou seja, gosto muito de descobrir a raiz das coisas que dizemos e fazemos.


E como foi procurando essas raízes?

Foi mais complicado com as superstições do que com as expressões populares, porque neste campo as pessoas inventam muita coisa e às tantas torna-se complicado separar o trigo do joio.


Os mais antigos são sempre mais sabedores nestas tradições populares. Teve contacto com essas fontes?

Lembrei-me de imensas expressões que a minha avó usava e que ainda hoje também uso. Quando passo por uma daquelas pessoas que têm aqueles olhares que nos parecem querer mal digo para mim própria o que ela costumava dizer: "Bons olhos me vejam e os maus que cegos sejam." O nome da minha avó, que se chama Eva, curiosamente, também está ligado a uma superstição: ela era a sétima filha e portanto toda a gente dizia que   tinha de se chamar Eva porque senão seria bruxa...


Fala muito de si e da sua família, ao longo destas páginas, num tom divertido…

Foi uma forma de me dar mais a conhecer às pessoas, pois como pivô só conhecem o meu lado mais formal e profissional. Aqui tive a liberdade de falar um pouco do meu mundo, dos meus filhos, da minha casa. E talvez também porque escrevo muito por impulso. Confesso que houve alturas em que pensei: ‘será que não estou a exagerar um bocadinho?’ Mas invariavelmente concluía que fazia sentido, até porque este é um trabalho que   também desperta diálogos entre as pessoas, entre gerações. Tive muito esse tipo de feedback do meu primeiro livro: pessoas que comentaram as expressões com os avós, com os pais ou que simplesmente, ao lerem a sua origem, lembraram-se de que os seus antepassados também costumavam usá-las…

 

JORNALISTA TEM VOCAÇÃO PARA SETE OFÍCIOS

 

Andreia Vale nasceu em Lisboa a 11 de agosto de 1978 mas viveu a infância e a adolescência no Algarve. Regressou à capital para estudar Relações Internacionais, curso que depois trocou pelo de Jornalismo. No verão de 2000 foi estagiar para a SIC Notícias. Onze anos depois mudou-se para a CMTV, onde apresenta o noticiário da hora de almoço. Tem dois filhos rapazes, gosta de correr, é obcecada por arrumações e diz que tem uma caixa de ferramentas melhor do que a de muitos homens. Se não fosse jornalista gostava de ser fotógrafa e este é o seu segundo livro, depois do bestseller ‘Puxar a Brasa à Nossa Sardinha’, que vai na quinta edição. Só lhe falta plantar uma árvore, mas ainda não decidiu qual...

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