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ANTÓNIO OLIVEIRA: TALVEZ HAJA UM OUTRO GAY

Conversas de Sonho tentou, mas não conseguiu passar ao lado da Casa Pia. Numa altura em que se fala do envolvimento de um ex-futebolista na rede pedófila, fomos falar com António Oliveira. “Não existem ‘gays’ no futebol”, dizia ele. Ai é?
7 de Fevereiro de 2003 às 18:53
Boa tarde, mister. Viemos aqui para esclarecer uma coisa no âmbito do escândalo-Casa Pia...

Não sei do que se trata. Não dou muita atenção às terceiras divisões. Os árbitros roubaram o Casa Pia?

Homem, acorde! Estamos a falar da pedofilia!
Pedofilia, como? Não tenho visto televisão... Estava farto de ouvir falar mal de mim.

Deixe lá, de si já ninguém se lembra. Agora o tema é a Casa Pia.
Mas já vos disse: da Casa Pia só conheço a equipa de futebol.

Não é isso. Há um escândalo a abalar o País por causa de uma rede de pedofilia com epicentro na Casa Pia. E essa rede, segundo foi noticiado, pode envolver um ex-futebolista.
Um ex-futebolista da Casa Pia é pedófilo?

Porra! A pergunta é: há ou não ‘gays’ no futebol? É que você disse que não...
Disse e repito. Aliás, se se trata de um ex-futebolista, é porque já não joga. Logo, não contraria a minha afirmação. Se ele fosse jogador não fazia essas monstruosidades, porque o futebol é um desporto para homens.

Oh... Não nos diga que é impossível haver escândalos sexuais no futebol...
Pelo contrário. É completamente possível. Mas só com prostitutas brasileiras, hotéis em Cascais, agressões às gajas, dificuldades em “gozar” e coisas assim.

Panasquice, não. Nem pensar!
Mas aquela sua frase de que “um golo é um orgasmo”... E depois os jogadores todos agarradinhos a celebrar o orgasmo... Não há nisso um cariz muito sexual?
Os futebolistas não estão na menopausa, pá! São atletas potentes. Cheios de força! E o golo é o ‘ponto G’ dos homens… G de ‘golo’. Vem daí. O prazer feminino só aparece muito depois. Aliás, é uma coisa muito recente... Já vos disse que leio William Shakespeare no original?

Não. Mas voltando atrás: tanto êxtase não origina sentimentos confusos durante o jogo?
Bem, a verdade é que sempre avisei os meus pupilos para não festejarem os golos com aqueles abraços todos, aqueles apalpões, aquelas beijocas. É que sempre lhes pode calhar na rifa uma dessas bichas. Cruz credo! Apetece-me cuspir só de pensar.
Mas existe, então, uma forma ideal de festejar os golos?

Claro. Até já estou a pensar escrever um livro sobre isso. Basta um mortal, como faz o Fernando Couto, um murro no ar, à Luís Figo, ou uma coreografia, como a da selecção dos Camarões. Tudo o resto é, digamos, um pouco arriscado.
Mas, então sempre admite que pode haver ‘gays’ no futebol…

Não. Eu, pelo menos, topo os desviados logo nos primeiros aquecimentos da época e corro com eles. Mas, como pessoas inteligentes, temos de admitir a hipótese, ainda que altamente improvável, de, em um milhão de jogadores no mundo inteiro, haver um ou outro ‘gay’ numa quarta ou quinta divisão e de, um dia, a minha equipa ter de defrontá-lo para a Taça de Portugal ou para a Taça Intertoto.

Mas como é que vê se os jogadores são, ou não, homossexuais?
Se os gajos vão para os treinos de fita no cabelo, se usam os calções todos puxados para cima ou se têm os pêlos das pernas rapados é de desconfiar. Eu cá não vou em modernices. Todos os jogadores devem ter bigode e beber copos de três.
Como no seu tempo.

Oh, que saudades... O Chalana, o Carlos Manuel… Aquilo é que eram verdadeiros machos latinos. Não tem nada a ver com estes jovens magricelas, de gel no cabelo, descapotável amarelo, ‘pullovers’ de gola alta, ‘pareos’ de praia...

Esta entrevista foi inventada
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