Barra Cofina

Correio da Manhã

Mais CM
8

António Vitorino: “Das crises nascem as soluções”

O advogado diz que é preciso não esquecer que Portugal já por duas vezes recorreu ao FMI, mas sempre “foi capaz de dar a volta”. Porém, avisa quem de direito que “sem crescimento não há emprego”.
20 de Maio de 2012 às 15:00
António Vitorino: “Das crises nascem as soluções”
António Vitorino: “Das crises nascem as soluções” FOTO: Pedro Garcia

Nascido em 1957, licenciado em Direito e mestre em Ciências Jurídico-Políticas, António Vitorino era ainda estudante no liceu Camões, em Lisboa, quando aderiu ao PS (1975). Participou noutras forças de esquerda e foi pela primeira vez eleito deputado na União da Esquerda para a Democracia Socialista (UEDS), em 1978.

Já depois de ter sido juiz do Tribunal Constitucional e vice-primeiro-ministro, cargo que deixou a meio da legislatura, no I Governo Guterres, António Vitorino representou Portugal na Europa como deputado ao Parlamento Europeu (1994-95) e como Comissário da Justiça e dos Assuntos Internos.

Diz que não responsabiliza os dirigentes políticos pela actual crise, pois não acredita em "líderes providenciais". O actual presidente e fundador da ‘think tank’ Notre Europe e da Fundação Res Pública (ligada ao PS) tem a esperança que da crise saía a solução para o impasse do projecto europeu.

A resposta escolhida surge a sublinhado

- Era o preferido para líder do PS e primeiro-ministro. Porque recusou?

a) Quis investir na família

b) Já chegava de política

c) Regressei à advocacia

- Em Bruxelas, do que mais gostou?

a) De fazer leis para mais de 300 milhões de pessoas

b) A vida em Bruxelas é mais activa do que em Lisboa

c) De comer uma ‘gauffre’ recém-feita ou umas batatas fritas nas inúmeras rulotes que há por toda a parte


- De que sentiu saudades?

a) Do Sol

b) Da comida nacional

c) Da maior afabilidade dos portugueses

- Estão os actuais dirigentes à altura da crise na Europa e no Mundo?

a) Kohl, Miterrrand, Delors ou Blair poderiam ser mais pró-activos a evitar os piores efeitos da crise

b) Não acredito em líderes providenciais

c) A dupla Merkel/Sarkozy só queria um directório franco-alemão

- Se fosse primeiro-ministro, que faria diferente?

a) Não abolia os subsídios de férias e Natal

b) Evitava agravar a vida dos desfavorecidos

c) Não punha a austeridade como prioridade única

- O exemplo grego não serve de alerta para riscos de incumprimento ou crescimento negativo?

a) Um plano que não vise o crescimento, mas só redução da despesa, arrisca mais desemprego e recessão

b) Após o primeiro resgate a Grécia está em pior estado e precisa de nova ajuda

c) Distingo os dois países. Portugal já por duas vezes recorreu ao FMI (1977 e 1982) e, das duas vezes, deu a volta


- No fim do Governo Sócrates não sentiu vontade de pôr os seus conhecimentos ao serviço do País e do partido?

a) Apesar de já ter dito não sentir o menor apelo para regressar, admito que não se dever dizer "nunca"

b) A solidariedade com José Sócrates, e com o PS, esteve sempre presente no programa da RTP

c) Ainda escrevi as ‘Novas Fronteiras’, que serviram de base ao programa do primeiro Governo Sócrates

- Nem o definhar da Europa o move a regressar à política activa?

a) Há um tempo além do qual a disponibilidade política desvanece

b) Só os reis e ditadores estão na política toda a vida

c) Em Portugal é preciso dar tempo ao Governo para ver o resultado. Na Europa, também se está viver o fim de um ciclo político

- Se a Grécia sair do euro, a UE desfaz-se?

a) Pode ficar uma UE reduzida aos países ricos

b) Ainda nada o indica

c) Às vezes é das grandes crises que nascem as melhores soluções

- A desagregação da UE pode levar à guerra?

a) A instabilidade pode ser aproveitada por terceiros

b) Para já, não se pode associar o que suceder na UE à eclosão de uma guerra

c) A desestabilização global mais importante é o Irão tornar-se potência nuclear


- E um plano europeu que aposte tanto no crescimento e emprego como no controlo de finanças?

a) O plano, dos governantes britânico, David Cameron, e italiano, Mario Monti, já levou 11 países, incluindo alguns dos mais ricos, como Holanda e Áustria, a aderir

b) Sem crescimento não há emprego

c) Gostava que Passos Coelho aderisse ao plano italo-britânico 

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)