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AQUECIMENTO: A MISSÃO DO ESTADO

David Justino, ministro da Educação, é o homem a quem se pede melhores condições no ensino em Portugal. Tem um árduo caminho pela frente, até porque é preciso abrir os cordões à bolsa
31 de Janeiro de 2003 às 20:51
O Ministério da Educação tem sob a sua égide o controlo das condições de ensino no segundo e terceiro ciclos, sendo responsável pelo combate à intempérie que no Inverno se abate sobre muitas salas de aulas. Tanto a Norte como a Sul do País, este é ainda assim o escalão que regista menos problemas nesse aspecto, uma situação que, embora positiva, obriga a cuidados.

Contactada pelo ‘Domingo Magazine’, a Secretaria de Estado da Administração Educativa refere que o Ministério da Educação “tem por dever manter-se informado sobre a situação existente nas escolas”, recorrendo sempre a informações e estudos que colmatem as falhas.

Sem querer alimentar polémicas, o mesmo organismo adianta que cerca de 160 estabelecimentos encontram-se situados em zonas climáticas com baixas temperaturas médias na estação fria, enquanto novas construções escolares têm comportamentos térmicos adequados.

Assim, e tendo em conta a existência dessas zonas onde a intervenção tinha de ser mais célere, a Secretaria de Estado da Administração Educativa adianta que “nos últimos dois anos todas as Direcções Regionais executaram as intervenções necessárias para suprir carências em matéria de sistemas de aquecimento”.

Segundo os mais recentes dados disponíveis, até final de 2002 foram efectuadas cerca de 169 intervenções cobrindo a quase totalidade das escolas inscritas em zonas muito frias, visando dotá-las com aquecimento central, uma medida com vista a acabar com o flagelo do frio e que ajuda ao total controlo da situação. As regiões mais fustigadas pelo frio passaram, assim, a poder combater o problema.

Mas, se no ensino preparatório e secundário o caso parece estar a ser resolvido, já no primário, a incerteza mantém-se. Até ao fecho desta edição, o ‘Domingo Magazine’ tentou contactar Fernando Ruas, Presidente da Câmara Municipal de Viseu e da Associação Nacional de Municípios Portugueses. Contudo, foi impossível chegar à fala com o dirigente máximo daquelas que são as instituições que tutelam as escolas primárias.

FEVEREIRO: MÊS DE CHUVA E de CALOR

“Janeiro de 2003 poderá ficar como o mês em que se registaram valores acima da média dos últimos 30 anos, tanto na temperatura máxima como na mínima”, conta Fátima Espírito Santo, climatologista do Instituto de Meteorologia de Portugal. E Fevereiro? Para a meteorologista Maria João Frade, do mesmo instituto, a tendência aponta para “ocorrência de precipitação, especialmente nas regiões Norte e Centro, com subida gradual de temperatura, sobretudo até dia 6”. Ou seja, se as previsões se vierem a concretizar, nos próximos dias o chapéu-de-chuva e a gabardina ganham protagonismo. Para o guarda-fato voltam o sobretudo e o cachecol, imprescindíveis durante a inesquecível vaga de frio que assolou o País nos primeiros dias de Janeiro.

Sem querer desdramatizar as consequências da descida brusca de temperatura registada, Fátima Espírito Santo chama a atenção para um outro fenómeno: “Comparativamente aos restantes meses, nos últimos anos, Janeiro e Fevereiro são os mais quentes”. “Em Janeiro de 2003 registaram-se os maiores valores da temperatura mínima, desde que há registos em Viana do Castelo, Bragança e Porto/P. Rubras. Em Lisboa e Castelo Branco, os valores da temperatura mínima registados dia 28 foram muito próximos dos maiores valores já registados e que tinham sido em 55”, diz a meteorologista.

FRIO É O DRAMA DOS SEM-ABRIGO

Todos os Invernos os hospitais recebem um número razoável de idosos com sintomatologia associada ao frio. Contudo, este ano, devido à vaga de frio que se fez sentir nos primeiros dias de Janeiro, as entradas subiram muito.

“Não se pode dizer que foi explosivo. Tivemos cerca de 530 doentes por dia, mas houve de facto uma afluência um pouco superior à normal registada nesta altura do ano. O que temos bastante são os chamados casos sociais, sem-abrigo, o nosso drama”, conta Caldeira Fradique, director da Urgência do Hospital de S. José, em Lisboa.

Para o médico, é normal a entrada de doentes mais fragilizados, como idosos, com pneumonias, gangrenas – “Aumentam o número de amputações” – e outras doenças habituais provocadas pelo frio. A diferença é que muitos casos, e cada vez mais, “estão também ligados a situações sociais de extrema pobreza”. “Diariamente, temos cinco camas ocupadas com pessoas que se encontram nesta situação. Mas há também outros casos preocupantes, como a toxicodependência”, explicou.

Perante este quadro, coloca-se a seguinte questão: terão os hospitais estrutura para dar uma resposta eficaz ao problema? “É claro que este tipo de situações prejudicam o normal funcionamento do hospital, porque estas pessoas (sem--abrigo e toxicodependentes), mesmo recebendo a alta clínica, não saem. Ali têm o paraíso – roupa, cama e comida – e não as podemos pôr na rua”, revela Caldeira Fradique.
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