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ÁRBITROS: PROFISSÃO DE RISCO

Pode o ‘stress’ do jogo matar um árbitro? A síndrome da morte súbita pode ser prevenida com exames hoje considerados superfulos
11 de Maio de 2003 às 17:39
ÁRBITROS: PROFISSÃO DE RISCO
ÁRBITROS: PROFISSÃO DE RISCO FOTO: Paulo Espadamal
Depois de arbitrar o jogo final da Taça do Algarve, entre o Alvorense e o Beira Mar - no dia 30 de Abril - Nuno Mendes morreu de ataque cardíaco com apenas 27 anos. Os resultados dos exames médicos, feitos em Janeiro, apontavam para uma saúde de ‘ferro’. Teria o juiz da partida sido vítima do ‘stress’ dentro das quatro linhas?
Para o ex-médico do Benfica, Bernardo Vasconcelos, a pressão de um ‘derby’ não justifica por si só a morte. “Normalmente, o fenómeno da morte súbita no desporto está relacionada com anomalias no coração, no miocárdio ou nas coronárias. Atribuir a culpa ao ‘stress’ ou aos desacatos dos adeptos não é suficiente”, garante o especialista que, durante vários anos, chefiou o departamento médico do clube da Luz.
O facto dos exames médicos nunca terem provado que Nuno Mendes sofria de problemas de coração, não o deixou espantado. “Quando estava no Benfica acusaram-me de fazer alguns exames supérfluos, uma vez que o electrocardiograma e a prova de esforço não são obrigatórios para a prática de desporto. Além disso, são dispendiosos. Mas através desses testes é mais fácil detectar a síndrome da morte súbita. Apesar disso, não nos podemos esquecer que na medicina não há garantias”, salienta o especialista.
Posto isto, ser árbitro é mesmo uma ‘profissão’ de risco? “Não sei se será. Mas é preciso ter-se um espírito de sacrifício enorme, porque é uma actividade mal vista por muita gente”, avança Bernardo Vasconcelos.
UM SOPRO NO CORAÇÃO
Ao tomar conhecimento da notícia, Paulo Paraty, árbitro há 26 anos, ficou consternado. “O Nuno era um valor da arbitragem algarvia. Além disso, fazia parte de uma família de árbitros, tal como eu”, adianta o atleta que se iniciou neste actividade aos 14 anos.
“O jogo que o Nuno apitou foi longo e desgastante. Ele esteve sujeito a uma pressão fora do normal. O mais provável é isso ter alterado o seu estado normal”, refere Paraty que, apesar de já não ser nenhum ‘novato’ nestas andanças, ainda não encontrou a melhor forma para se defender da pressão dos grandes ‘derbys’. “Talvez esteja na hora de analisar melhor o jogo. Tudo o que coloca a vida dos profissionais em risco deve ser evitado, nomeadamente o comportamento dos adeptos e de alguns dirigentes”, remata.
Vítor Reis, ex-árbitro e actual presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), é da mesma opinião. “As fotografias não enganam. No jogo entre o Alvorense e o Beira-Mar vêem-se adeptos a atirarem cadeiras. Estas situações são intoleráveis mas, enquanto reinar a impunidade no futebol português, duvido que estes problemas sejam ultrapassados”, diz.
“Os árbitros erram muitas vezes por fadiga do sistema nervoso central. O nosso trabalho está cada vez mais dificultado. Ele é apresentado como alguém que trava as expectativas dos adeptos do futebol. Isto porque é mais fácil falar mal dos árbitros do que justificar as más contratações do clube ou os prejuízos das SAD”, acrescenta Vítor Reis, ex-árbitro da primeira divisão, que nunca deixou de praticar exercício físico apesar de ter um sopro no coração.
NUNO MENDES: MORTE NO FIM DO JOGO
Depois de arbitrar o jogo final da Taça do Algarve, entre o Alvorense e o Beira Mar - no dia 30 de Abril - Nuno Mendes morreu de ataque cardíaco com apenas 27 anos. Os resultados dos exames médicos, feitos em Janeiro, apontavam para uma saúde de ‘ferro’. Teria o juiz da partida sido vítima do ‘stress’ dentro das quatro linhas?
Para o ex-médico do Benfica, Bernardo Vasconcelos, a pressão de um ‘derby’ não justifica por si só a morte. “Normalmente, o fenómeno da morte súbita no desporto está relacionada com anomalias no coração, no miocárdio ou nas coronárias. Atribuir a culpa ao ‘stress’ ou aos desacatos dos adeptos não é suficiente”, garante o especialista que, durante vários anos, chefiou o departamento médico do clube da Luz.
O facto dos exames médicos nunca terem provado que Nuno Mendes sofria de problemas de coração, não o deixou espantado. “Quando estava no Benfica acusaram-me de fazer alguns exames supérfluos, uma vez que o electrocardiograma e a prova de esforço não são obrigatórios para a prática de desporto. Além disso, são dispendiosos. Mas através desses testes é mais fácil detectar a síndrome da morte súbita. Apesar disso, não nos podemos esquecer que na medicina não há garantias”, salienta o especialista.
Posto isto, ser árbitro é mesmo uma ‘profissão’ de risco? “Não sei se será. Mas é preciso ter-se um espírito de sacrifício enorme, porque é uma actividade mal vista por muita gente”, avança Bernardo Vasconcelos.
UM SOPRO NO CORAÇÃO
Ao tomar conhecimento da notícia, Paulo Paraty, árbitro há 26 anos, ficou consternado. “O Nuno era um valor da arbitragem algarvia. Além disso, fazia parte de uma família de árbitros, tal como eu”, adianta o atleta que se iniciou neste actividade aos 14 anos.
“O jogo que o Nuno apitou foi longo e desgastante. Ele esteve sujeito a uma pressão fora do normal. O mais provável é isso ter alterado o seu estado normal”, refere Paraty que, apesar de já não ser nenhum ‘novato’ nestas andanças, ainda não encontrou a melhor forma para se defender da pressão dos grandes ‘derbys’. “Talvez esteja na hora de analisar melhor o jogo. Tudo o que coloca a vida dos profissionais em risco deve ser evitado, nomeadamente o comportamento dos adeptos e de alguns dirigentes”, remata.
Vítor Reis, ex-árbitro e actual presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), é da mesma opinião. “As fotografias não enganam. No jogo entre o Alvorense e o Beira-Mar vêem-se adeptos a atirarem cadeiras. Estas situações são intoleráveis mas, enquanto reinar a impunidade no futebol português, duvido que estes problemas sejam ultrapassados”, diz.
“Os árbitros erram muitas vezes por fadiga do sistema nervoso central. O nosso trabalho está cada vez mais dificultado. Ele é apresentado como alguém que trava as expectativas dos adeptos do futebol. Isto porque é mais fácil falar mal dos árbitros do que justificar as más contratações do clube ou os prejuízos das SAD”, acrescenta Vítor Reis, ex-árbitro da primeira divisão, que nunca deixou de praticar exercício físico apesar de ter um sopro no coração.
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