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Arte de transformar o mundo

Um panorama do estado das artes num incentivo ao cruzamento e miscigenação de géneros e disciplinas
Adolfo Luxúria Canibal 17 de Março de 2019 às 08:00

Com direcção artística e programação do encenador lisboeta John Romão, a BoCA – Biennial of Contemporary Arts é uma Bienal de Artes Contemporâneas que se propõe promover a transversalidade na criação contemporânea e o cruzamento de diferentes disciplinas artísticas. Depois de uma primeira edição em 2017, a segunda edição decorre desde 15 de Março, e até 30 de Abril, em diversos locais de Lisboa, Porto e Braga.

Entre essas datas, algumas mostras ocupam todo o tempo da Bienal – as instalações vídeo ‘Spirit House’ da performer sérvia Marina Abramovic, nas Carpintarias de São Lázaro, em Lisboa, ‘Alignigung 2’, da série ‘Choreographic Objects’, do coreógrafo norte-americano William Forsythe, no Museu de Arte Antiga, em Lisboa, no Museu Soares dos Reis, no Porto, e no Museu D. Diogo de Sousa, em Braga, ‘The Only Possible City’ da coreógrafa norte-americana Meg Stuart, na Capela das Albertas, em Lisboa, e ‘O Peixe’ do artista brasileiro Jonathas de Andrade, na Fonte do Ídolo, em Braga, ou a exposição ‘Flora’ do artista plástico André Romão, no Museu da Imagem, em Braga – e outras têm uma duração mais curta, estando já patentes a instalação ‘Identidade Nacional’ dos realizadores João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, até 7 de Abril no Reservatório da Patriarcal, em Lisboa, e as instalações vídeo ‘Temple Time’ do artista norte-americano Ryan Trecartin, até 31 de Março no Museu do Chiado, em Lisboa, e ‘O Peixe’, até 13 de Abril na Cisterna da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa.

E há ainda intervenções diversas, como é o caso, nesta semana, do concerto ‘duploc barulin’ – dias 20 e 21 no Teatro Taborda, em Lisboa – da coreógrafa Tânia Carvalho, da performance ‘If You Want To Continue’ – dias 22 e 23 na Central Tejo, em Lisboa – do colectivo russo Vasya Run, da instalação ‘Soará a Silêncio, o Som de Uma Revolução Dentro de Um Bunker’ – de 23 a 28 na Casa dos Crivos, em Braga – da artista plástica Maria Trabulo, ou o primeiro concerto da compositora italiana Caterina Barbieri, dia 23 nas Carpintarias de São Lázaro. Um festim.

LIVRO

UMA ANTEVISÃO DO CONTROLO SOCiAL

Uma das primeiras distopias políticas do século XX (1908), ‘O Tacão de Ferro’, crónica descoberta no século XXVII de uma revolução social e do seu esmagamento implacável passados na era industrial, é tido como uma profecia da ascensão do fascismo, mas é muito mais actual do que ser apenas tal oráculo.

DISCO

O PUNK ELECTRÓNICO NA LUTA DE CLASSES

Feito porta-voz da cólera operária e do desespero da população, arrastada para um Brexit de que é a primeira vítima, Jason Williamson vocifera, num carregado sotaque do Leste, motes políticos de invejável argúcia e lucidez, sobrepostos aos ritmos e batidas minimalistas da electrónica de Andrew Fearn.

FILME

A COMOVENTE DESCOBERTA DA VIDA ADIADA

Filme de estreia do paraguaio Marcelo Martinessi revela um cineasta seguro e uma actriz notável, Ana Brun – prémio para melhor actriz no Festival de Berlim de 2018 –, numa história do regresso à vida de uma herdeira arruinada e dos medos e fantasmas que a prendem e de que paulatinamente se liberta.

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