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AS MANHÃS DA TV

Saiba como, todos os dias, Manuel Luís Goucha, Fátima Lopes, Rita Salema e Teresa Guilherme acordam os portugueses. Tudo sobre os bastidores da Praça da Alegria, do SIC 10 Horas e d' As Manhãs da TVI
5 de Julho de 2002 às 20:22
AS MANHÃS DA TV
AS MANHÃS DA TV FOTO: Jordi Burch e Cristina Pinto
O relógio marcava sete horas e trinta minutos. Já estávamos em cima do acontecimento, mas era impensável iniciar qualquer coisa que fosse antes da primeira bica da manhã... O repórter fotográfico concordava comigo – uff, que alívio! Atravessámos a movimentada estrada junto ao Largo do Rato, onde ficam os estúdios Zona , e abastecemo-nos da dose de cafeína inaugural. Agora sim, estávamos um pouco mais preparados para o que nos esperava!

Do outro lado da rua começaram a chegar os autocarros com as pessoas – velhas, novas, mulheres e homens–, que comporiam a audiência contratada, entusiasmada e treinada do programa daquele dia. Dos autocarros saíam também alguns convidados.

Subimos os três ou quatro lances de escadas da antiga discoteca Loucuras, há um bom punhado de anos tornada estúdio-sede de programas como Minas e Armadilhas ou, mais recentemente, Fátima Lopes. Em todos os patamares, fotografias amarelecidas com o tempo e enclausuradas em vitrinas démodé faziam questão de relembrar a história e as personagens das várias “novelas” filmadas entre aquelas quatro paredes.

Fátima Lopes era uma das presenças mais assíduas deste painel da fama e era ela a protagonista do “filme” a que iríamos assistir dentro de momentos a partir do camarote. Mas o rosto do programa matinal SIC 10 Horas era apenas um dos muitos que vislumbrámos mal chegámos ao “teatro das operações”. Estavam só à nossa espera para começar a incontornável reunião de alinhamento.

Concorrências à parte

O objectivo desta nossa investida era mostrar, concorrências e shares à parte, de que são feitos os três programas da manhã das três estações de televisão portuguesas – de seus nomes Praça da Alegria, SIC 10 Horas e As Manhãs da TVI. Mais ou menos o mesmo conceito, com pequenas diferenças aqui e ali, o mesmo público-alvo (essencialmente feminino, mais idoso e carenciado, de afectos e não só).

Entrámos pelo ecrã adentro e colocámo-nos do lado de lá das câmaras. Seguimos (quase) todos os passos necessários para fazer estes programas chegarem a si, de segunda a sexta-feira, auscultámos as batidas cardíacas dos que os fazem, inspeccionámos-lhes os hábitos e descobrimos um ritmo quase frenético, de stress à flor da pele, todos os dias, logo pela fresca.

Apesar do sinal de partida só ser dado às 9h30m - 11h no Verão, (SIC 10 Horas e As Manhãs da TVI), ou às 10h00 (Praça da Alegria), é muito antes que se inicia a rotina diária dos intervenientes destes magazines ou “programas de companhia”, como lhes prefere chamar o mais que carismático Manuel Luís Goucha.

Como já se viu, o programa da SIC apresentado por Fátima Lopes, começa a ser preparado às 7h30, com uma reunião de alinhamento no mesmo estúdio onde é gravado, mas onde o “público” sentado nas cadeiras do “auditório” é a equipa de jornalistas (oito), produtores e chefias (um director, dois chefes de redacção e dois chefes de produção).

Cada jornalista fala (ao microfone!) mais pormenorizadamente do convidado que lhe coube entrevistar ou da história que investigou e os editores dão retoques e dicas para a equipa técnica e para a apresentadora.

Aos estúdios Nova Imagem, onde é gravado As Manhãs da TVI, produtores e apresentadoras chegam, por norma, às 8h00. Entre revisão de guiões e do teleponto, reapreciação dos conteúdos, maquilhagem e cabelos completa-se o tempo “livre” antes da emissão em directo.

Os “irredutíveis gauleses” têm a sua sede nos estúdios da RTP na Invicta. É assim que se auto-intitulam os produtores do Praça da Alegria – conta a produtora Sandra Lopes –, porque são cinco e têm resistido, com empenho e dedicação, às emissões diárias e frenéticas da Praça (nome para os amigos), a partir do Porto. Às 8h30 já lá estão. Tal como Manuel Luís Goucha.

Reino da alegria

“Não há aqui nenhum stress antes das 10h00, porque tudo aquilo que quero dizer ou perguntar no ar vem estudado de casa de véspera, tirando, claro, algumas brincadeiras espontâneas.” A afirmação vem de quem faz o mesmo programa há sete anos consecutivos, todos os dias da semana, de quem esteve na sua génese, de quem lhe deu o nome, de quem já o faz com uma perna às costas. O Praça da Alegria é o espelho de Manuel Luís Goucha.

“É muito a minha cara”, declara sem hesitações o apresentador. Disso não há dúvidas e se houvesse, tinham-se dissipado com a conversa pós-programa que tivemos na Praça mais alegre de Portugal. Uma conversa frenética, cúmplice, sincera, em tom coloquial. Tal como o Praça da Alegria e o seu front-man.

“A feitura de todos os programas passa por mim”, conta o ex-actor. “Não há ninguém a preparar-me as perguntas ou a escrever o que quer que seja. É por isso que estou cá todo.” A corroborar esta afirmação está Sandra Lopes que define Goucha como incansável, obstinado, organizado, persistente e frenético. “Ele faz tudo. Chega de manhã e se é preciso arrastar cadeiras, ele arrasta.” Ao ponto de, em tom de brincadeira, costumarem dizer que, qualquer dia, está a varrer a “praça”...

Goucha vive para o trabalho – qual vida social, qual quê! Depois da uma da tarde, acabado que está o directo, é tempo de reunir. Fala-se do programa desse dia e de como vai ser o do dia seguinte (são dados os últimos retoques, porque o grosso do alinhamento é feito com cerca de uma semana de antecedência) e só às duas e meia da tarde é que o estômago destes “gauleses” conhece o significado da palavra comida.

A partir daí, entra em cena um outro Manuel Luís, “mais sossegadinho, mas que liga à Sandra dez vezes”. Enquanto no estúdio, o trabalho é mais partilhado e o apresentador se chega a ver rodeado de sessenta pessoas – entre colegas, figurantes e convidados –, à tarde é tempo para um trabalho solitário, em casa. “Dá-me muito gozo, às vezes até mais do que o próprio programa!”, confessa. Torna-se um lonesome cowboy que se entusiasma com as descobertas feitas a sós, se excita com a perspectiva de um programa que vai “descolar” e agradece a Deus – Goucha está “convencido” de que Deus faz parte da produção da Praça porque lhe oferece grandes oportunidades “de mão beijada”, fazendo com que “tudo se ligue, tudo se harmonize”. “O meu dia esgota-se quando acabo o trabalho às seis. Nem sequer me passa pela cabeça sair para jantar fora!” E não são raras as vezes que adormece à hora da magna refeição do comum dos mortais...

Ao fim-de-semana ruma a Lisboa e, sempre que pode, ausenta-se do país (viajar é uma necessidade). Recarrega as baterias, sendo que mesmo as idas ao teatro e a revisão de toda a imprensa funcionam também como objecto de estudo para o Praça da Alegria. Ao Domingo já está a fazer as malas para regressar à Invicta. Por isso “nunca relaxo”, justifica, rematando: “Isto é a minha vida, é muito levado a sério e eu não brinco em serviço.”

Duas apresentadoras, uma medida

Vida social também é um “desporto” muito pouco praticado por Rita Salema e Teresa Guilherme. Juntas, apresentam As Manhãs da TVI – directo sucessor do fugaz As Manhãs de Sofia, apresentado pela actriz Sofia Alves – e juntas dão a este magazine a energia e vitalidade que caracterizam o mais novo dos programas da manhã (tem meses).

A cumplicidade entre a actriz e a produtora/apresentadora é visível a olho nu. Elas são-no, ponto final. São cúmplices, sem intervalos, durante as três horas e meia de programa, são amigas nas outras horas do dia e potencializam-se “não só na alegria, como no próprio disparate” – sic Teresa Guilherme.

A produtora continua: “Normalmente, venho já no caminho a falar com a Rita, telefonamo-nos logo a dizer imensos disparates matinais ou a trocar impressões de algo que nos tenha parecido particularmente interessante na preparação do programa.”

Rita Salema avança: “Os bastidores são iguaizinhos aos directos. Divertimo-nos imenso e estamos sempre bem dispostas, independentemente de termos trabalhado até tarde ou de estarmos com
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